COTIDIANO

Professores mantêm greve por isonomia

Manifestantes querem equiparação salarial com servidores das demais secretarias do Estado

Regiclay Saady
Sinteac realizou manifestação
ontem de manhã, na frente
da Assembléia Legislativa


Val Sales

Ontem de manhã os trabalhadores da educação no Estado fizeram uma nova assembléia em frente ao Palácio Rio Branco e mantiveram a greve deflagrada na última segunda-feira, dia 30, em defesa da isonomia salarial. Segundo as lideranças do movimento, a contraproposta do governo não agradou a categoria, que não abre mão de receber igual aos servidores de outras secretarias.

A presidente do sindicato da categoria (Sinteac), Alcilene Gurgel, explicou que a tabela apresentada pelo governo não contempla a categoria. A proposta varia de 0,76 a 3% e foi rejeitada pela maioria dos servidores. “Estamos aguardando agora um novo chamado a qualquer momento para o diálogo. Esperamos que ele apresente uma proposta mais digna para os servidores, porque essa, realmente, não tem como aceitar”, explicou.

Enquanto a conversa com a equipe de governo não acontece, as lideranças do sindicato tentam mobilizar os demais servidores do setor que ainda ontem mantinham as escolas em funcionamento e, dessa forma, enfraquecia a movimentação no centro. “O movimento está na rua. Muitas escolas estão fechadas e alguns trabalhadores não vieram porque aproveitaram para ficar em casa”, justificou Alcilene.

Segundo ela, a negociação em torno da equiparação salarial é uma bandeira que está sendo levantada há alguns anos, sendo que a tentativa de diálogo sobre o tema continua. “A nossa proposta eles já sabem. O que queremos é que eles apresentem uma que beneficie todos os trabalhadores”, completou.

Em resposta à reivindicação dos servidores, a equipe do governo faz a seguinte explanação: o Sinteac e o Sinplac apresentaram uma proposta de reajuste linear de 27,6% , o que elevaria os gastos com a folha de pagamento em cerca de R$ 66 milhões ao ano, elevando seu valor dos 297 milhões previstos para cerca de 363 milhões ao ano, restando apenas 9 milhões para todas as outras despesas, como reformas, construções, ampliações, manutenção (água, luz, telefone), formação superior, Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), merenda e transporte escolar, o que inviabilizaria o funcionamento do sistema público de ensino no Acre.

No prazo acordado, 27 de abril, o governo do Estado apresentou uma proposta de reestruturação da carreira, na qual a isonomia seria imediatamente alcançada pelos profissionais do Apoio Administrativo I e pelos profissionais da carreira do Nível Médio, ficando os de Nível Superior com um teto salarial de R$ 3.002,00, o que representa um acréscimo de R$ 336,40 em seus vencimentos, faltando apenas R$ 181,00 para alcançar o teto do serviço público estadual, que é de R$ 3.183,00 e que seria parcelado em comum acordo com as entidades.

A Comissão Estadual de Negociação (CEN) lembra ainda que após a apresentação da proposta do Governo, os sindicatos solicitaram um prazo para suas devidas análises, no que foram prontamente atendidos. Para surpresa, segundo ela, as entidades sindicais recusaram a proposta apresentada, que contemplava de forma clara suas reivindicações e deflagraram um movimento de greve na segunda-feira, dia 30 de abril.

Ainda de acordo com a comissão, o governo do Estado reconhece o direito legítimo de greve dos trabalhadores, mas, no entanto, ressalta que os alunos da rede pública não podem e nem devem ter seu direito a uma educação de qualidade comprometido.

O governo do Estado reafirma sua proposta inicial e se coloca a disposição para discutir os números anteriormente apresentados, esclarecendo quaisquer dúvidas que porventura existirem.

Mesmo sabendo que qualquer perspectiva de reordenamento na carreira implica necessariamente na impossibilidade de novos investimentos, a comissão, reafirma sua disposição para manter o processo de negociação, visando à realização de ajustes da proposta apresentada, sempre dentro da disponibilidade financeira e respeitando a legislação vigente.

 

 
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Rio Branco-AC, 3 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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