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Produção e Educação: Base para o desenvolvimento

Com a garantia de integração do Acre pelo asfaltamento da BR-364, municípios se vêem frente ao desafio de produzir alimentos e riqueza

Juracy Xangai
Sibá Machado realizou reuniões com agricultores, pecuaristas, extrativistas e autoridades dos municípios de Manuel Urbano, Jordão, Tarauacá e Feijó


Juracy Xangai

Visitando quatro municípios em dois dias, o senador Sibá Machado retomou a discussão do Pacto Agrário anunciando para o dia 11 de maio, na capital, a realização de uma reunião com os principais líderes do setor rural acreano para juntos definirem o que e como querem realizadas as ações públicas nessa área.

Durante sua permanência em Manuel Urbano, Jordão, Tarauacá e Feijó, o senador esteve reunido com os respectivos prefeitos ou seus representantes, além de ter conversado com lideranças da comunidade para apresentar ações que vêm sendo realizadas em seu mandato a favor do setor produtivo de alimentos, biodiesel e da educação. Ele prometeu interferir para solucionar problemas como o vivido pelos moradores de Manuel Urbano, que ainda precisam ir todo mês a Sena Madureira para receber seus salários no Banco do Brasil.

O senador destacou a importância de que sejam bem aproveitados os recursos que estão sendo liberados pelo Ministério da Agricultura, por meio da Companhia de Nacional de Abastecimento (Conab), para o programa da Compra Antecipada da Produção nas modalidades que prevêem a distribuição simultânea para creches, orfanatos e famílias carentes como reforço do programa Fome Zero. Outra parte será mantida em armazéns para funcionar como reserva de alimentos e estoques reguladores de preços.

Estrada das oportunidades

Sibá deixou clara sua preocupação com a necessidade de que, com a abertura da BR-364 rumo ao Vale do Juruá, a população dos municípios que margeiam a estrada deve estar preparada para aumentar sua produção a fim de participar do mercado e dos benefícios que ela vai proporcionar. Ele enfatizou a importância de fazer isso aproveitando as peculiaridades locais e produtos com os quais as comunidades já tenham maior conhecimento, agregando se a isso novas tecnologias que aumentem a produção e melhorem a produtividade.

O senador lembrou que o desenvolvimento dos países é marcado pela junção da vontade política com o conhecimento científico e a boa administração econômica. Propôs reforçar as organizações representativas dos produtores para a realização de uma caravana dessas lideranças aos investimentos que o governo do Estado vem fazendo ao longo da BR-317 como as fábricas de tacos e decks, preservativos masculinos, abatedouro de aves, duas usinas de castanha e reativação da Álcool Verde para estimular os agronegócios.

Destacou a importância das ações do governo do Estado e das sua emendas parlamentares para consolidar a interiorização da Universidade Federal do Acre em todos os 22 municípios. Ele esclareceu que, por meio de suas emendas, a Ufac hoje tem reservados no OGU R$ 6 milhões e já liberados em seu caixa mais R$ 3,5 milhões. Com esse dinheiro estão sendo licitadas as obras para a construção e implantação definitiva da universidade em mais três municípios.

Revolta no campo

Os produtores mostraram-se animados com as novas perspectivas e, ao mesmo tempo revoltados com a atual condição a que estão sujeitos pelo Ministério Público Estadual e órgãos ambientais como o Ibama e Imac, cujos fiscais, agem de maneira desrespeitosa e intimidatória além de aplicam multas, que não podem pagar, quando derrubam ou queimam áreas para produzir alimentos.

Argumentaram que a proibição seria justa se eles recebessem assistência técnica e ajuda para poder mecanizar a terra e reutilizar as áreas de solo degradado. Mas isso não acontece porque o próprio governo não oferece aquilo que exige deles, os quais, não dispõe de tecnologia nem têm dinheiro para comprar máquinas modernas. Advertiram que isso está tornando impossível a sobrevivência nas colônias e acelerando ainda mais a saída das famílias do campo para a cidade.

Francisca Eudócio presidente do Sindicato dos trabalhadores Rurais de Manuel Urbano foi enfática a afirmar que: “Nossos agricultores vivem isolados sem ramais, são pressionados pelo Ibama e Imac para não desmatar e acabam perdendo o pouco que conseguem produzir porque não têm como escoar a safra. Hoje a maioria dos assentados sofre com a falta d’água e muitos são obrigados a andar mais de duas horas para conseguir água para beber e dar pros seus animais”.

Eudócia aproveitou a oportunidade para denunciar que: “E como se não bastasse isso, fazendeiros querendo ampliar seus pastos vêm pressionando os pequenos produtores que com medo acabam se obrigando a vender sua terra por nada mais um pouco e ir tentar melhor sorte na cidade onde a situação só piora porque não tem estudo nem preparo para trabalhar”.

Lamentou que os trabalhos de recuperação de ramais só sirvam mesmo no tempo do verão porque os serviços de raspagem não incluem a abertura de canais de escoamento da água, instalação de bueiros ou a construção de pontes, por isso, ano após ano, a cada inverno os produtores rurais se vêem mais uma vez isolados e sem ter como escoar sua produção.

Lamentaram que até suas reclamações têm dificuldades para serem ouvidas porque a juíza “Jussara” recusa-se a morar no município, não anda de barco e têm medo de avião, por isso passa largos períodos de tempo sem aparecer na cidade.

Selma da Costa Luz presidente da Associação de Mulheres de Manuel Urbano fez questão de destacar os avanços que o governo da Frente Popular levou para Manuel Urbano que há oito anos tinha um curso de segundo grau funcionando precariamente e agora têm mais de 40 alunos matriculados no curso técnico de enfermagem graças ao apoio e estímulo do senador Tião Viana. “Nosso desejo agora é conseguir trazer para cá o curso de enfermagem da Ufac, a exemplo dos 130 que estão começando os cursos de economia, mais os professores que estão fazendo o nível superior”.

O professor Antônio Toscano, produtor rural assentado no Projeto Nazaré que passa pelo menos oito meses do ano totalmente isolado da cidade desabafou: “O produtor rural precisa ser visto com mais compreensão e carinho. Nós nos sentimos totalmente abandonados e para piorar as coisas os fiscais do Ibama e Imac nos tratam como se fossemos bandidos quando brocamos a fim de botar roçado para comer com nossos filhos. Mas eles são incapazes de mostrar outro jeito de fazer isso e nós agora estamos num beco sem saída”.

Já o presidente da Associação Comercial de Manuel Urbano, José Lima, esclareceu que graças ao apoio e orientações do Sebrae os micro e pequenos empresários do município estão melhorando a gestão de seus negócios para contribuir com o desenvolvimento da cidade, mas advertiu que: “Para que o comércio possa crescer e se desenvolver é preciso que o setor produtivo receba o apoio para gerar renda e movimentar os negócios, mas hoje o que se vê são os produtores sem apoio para produzir, quando produzem não podem escoar a produção, falta crédito, sem contar o quanto são coagidos pela fiscalização que não oferece orientação nem apoio para que a terra seja mecanizada. Esse comportamento só está agravando os problemas sociais em nosso município”, lamentou.

Boas notícias

Respondendo a essas e outras colocações dos moradores e lideranças de Manuel Urbano que lotaram o salão da Câmara Municipal, o senador Siba esclareceu: “Prevíamos aplicar R$ 25 milhões por ano do governo Binho em favor do setor rural. Só a bancada federal já garantiu mais de R$ 40 milhões e ainda falta saber quanto será aplicado pelo Incra e governo do Estado. Considero que todas as críticas são boas, mas também temos consciência de que não dá para fazer tudo de uma vez, por isso, no trabalho dos ramais, vamos priorizar primeiro os mais produtivo, em segundo lugar os que tenham maior população e os outros vêm depois disso”.

Lamentou o modelo fundiário usado pelo governo federal criando assentamentos em áreas totalmente isoladas e sem oferecer um mínimo de condições para que essas famílias possam viver e produzir com dignidade, o senador Siba propôs que o Incra não crie novos assentamentos no Acre pelos próximos cinco anos, aproveitando esse período para resolver os problemas dos projetos de colonização já existentes e onde as famílias sofrem há mais de 20 anos por falta da assistência.

“O dinheiro e os equipamentos que temos não são suficientes para atender a todos de uma só vez, mas de acordo com a proposta do governador Binho Marques queremos chegar a 2.010 com o Acre sendo o melhor lugar para se viver em toda a Amazônia. Temos quatro anos de governo, então será preciso que os produtores se organizem e tenham consciência de que muitos só poderão ser atendidos em 2.010, mas por onde passarmos o trabalho ficará feito”, garantiu Sibá.

Jordão sonha com integração

Pernoitando no município de sexta para sábado, o senador pôde ouvir a queima de fogos marcando a alvorada dos festejos de 15 anos da emancipação de Jordão, num dia marcado por desfiles, torneios desportivos e baile que animou a comunidade.

Reunido com o prefeito Hilário de Melo no Espaço Sebrae, Sibá ouviu dele um relato sobre os investimentos que o governo do Estado vem fazendo na melhoria da educação, da pista de avião e saúde do município. “Estamos precisando muito que seja feita a abertura de um ramal de 32 quilômetros pela terra firme desde a cidade do Jordão até o porto do Rio Muru, onde vivem muitas famílias com boa produção, mas que não têm contato com o município porque para chegar aqui teriam de descer pelo menos dois dias até Tarauacá e subir de três a cinco dias, conforme a época, para chegar à cidade. Essa será nossa primeira estrada e vai integrar este município.”

Ele agradeceu pela instalação do curso de Economia da Ufac em sua comunidade e lembrou que os professores locais também estão fazendo curso de nível superior em várias áreas. Acompanhado pelo diretor da Secretaria da Produção Familiar, Tony John, o senador propôs ao prefeito realizar um levantamento geral da produção local desde macaxeira, ovos, verduras, galinhas e demais produtos para levantar a necessidade de compra da produção dos pequenos produtores locais pela Conab para sua utilização no atendimento às creches, merenda escolar e no socorro às famílias carentes do município.

Estrada anima Tarauacá

Já o prefeito Eriscalvo Torquato mostrou-se muito animado com as perspectivas que estão se abrindo para seu município neste ano. “Nunca em todos estes anos de obras nós tivemos os recursos para a compra dos materiais de construção para a BR-364 feitas em janeiro como fez o governador Binho Marques. Isso nos dá a esperança de que neste ano veremos a estrada avançar mais do que nunca e, finalmente, estaremos nos integrando com Cruzeiro do Sul de inverno a verão por asfalto. Essa será a realização do sonho da vida de todos nós”.

Sibá lembrou que para aproveitar as oportunidades de negócios que se abrirão com a Estrada, o governo do Estado quer que cada município, de acordo com suas condições e vocação priorize pelo menos um setor produtivo como eixo de seu desenvolvimento. “Assim já temos a piscicultura no Bujari, a Álcool Verde em Capixaba, a madeira, castanha e preservativos em Xapuri, o abate de frango e usina de castanha em Brasiléia. Precisamos produzir para utilizar a estrada em benefício de nossa população. O desafio é fazermos isso ou outras pessoas vão fazer”, advertiu.

Lembrou que programas como a compra antecipada da produção, que está destinando R$ 162 mil para atender os produtores de Tarauacá e mais R$ 38,5 mil para os de Feijó, devem ter seu dinheiro bem utilizado para aumentar as áreas de plantio e capitalizar os produtores a fim de que possam se fortalecer para sobreviver à concorrência que logo virá com a estrada.

Em todas as localidades visitadas, foi manifestada a preocupação com a diminuição constante dos peixes no rios, o que leva à necessidade de criar programas de açudagem que garanta a produção de pescado, pelo menos para alimentar a população de cada localidade.

Agradeceu ao prefeito Torquato por ter sido o único no Acre a criar um espaço especialmente preprado e identificado para fazer o controle da Compra Antecipada da Produção. Aproveitou para esclarecer que o vereador Carlinhos Félix (PT) estará encarregado de acompanhar essa compra e distribuição de produtos às creches, escolas e famílias em situação de risco social.

Em seguida reuniu-se com Francisco Assis da Silva presidente do diretório municipal e demais lideranças do PT de Tarauacá enfatizando seus militantes ao trabalho de conscientização para o desenvolvimento do setor produtivo. Aproveitou para marcar para o dia três de junho, uma caravana com lideranças sindicais e produtivas de Tarauacá, Feijó e Manuel Urbano para visitar os investimentos que o governo do Estado vem realizando para estimular o desenvolvimento econômico ao longo da BR-317 até Brasiléia.

Aproveitou para fazer uma visita ao Lacticínio Jaburu que pasteuriza uma média de 600 litros de leite por dia, uma peladeira de arroz do governo que presta serviço dos produtores e, a usina de extração de óleos da floresta, Oyaerg entregue à administração dos índios Yawanawa e que se encontra totalmente abandonada.

Feijó encara desafios

Na câmara Municipal de Feijó Siba reuniu-se com as principais lideranças políticas e comunitárias do município onde aproveitou para apresentar as ações de seu mandato e lembrar que a população pobre nunca ganhou tantos benefícios quanto no governo Lula que a pedido de Binho Marques incluiu a BR-364 no Programa de Crescimento Econômico (PAC) reservado R$ 504 milhões para isso.

“Neste momento em que reiniciamos as obras da BR-364 vem o desafio que é apresentar idéias claras e objetivas sobre o que e como fazer para garantir o desenvolvimento econômico e socialmente justo para as comunidades que estão localizadas a partir de Sena Madureira em direção ao Juruá. Esta estrada é um grande investimento e precisamos fazer com que ele valha a pena para nós e para o Brasil porque tem muito estado chorando para conseguir um dinheiro como este que só temos porque Lula mais uma vez prova que é amigo do Acre”.

O vice-prefeito Manoel Leitão, como também representantes da associação comercial e demais entidades do município participaram da reunião onde reivindicaram a melhoria dos ramais, crédito facilitado, garantia de compra da produção e apoio para a piscicultura. Definindo rumos para o futuro, demonstraram desejo de que seja organizado e instalado um pólo moveleiro em Feijó, atividade tradicional em que se destacam, mas pela qual padecem por conta da desorganização do sistema e da fiscalização constante contra a retirada de sua matéria principal, a madeira.

Siba lembrou que a organização dos produtores e o aumento da produção são fundamentais para melhorar as condições de vida da comunidade, quem nem tudo pode ser feito de uma vez, mas que as soluções propostas não podem ser resumidas a um mandato eleitoral e sim como um programa de desenvolvimento a ser continuado e melhorado permanentemente.

 

 

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Rio Branco-AC, 3 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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