Tião Maia
Parentes e amigos prestaram ontem pela manhã, no cemitério São João Batista, em Rio Branco, as últimas homenagens à professora Crizarubina Leitão Abraão, a Crizá, que faleceu na última quinta-feira, aos 88 anos. Servidora pública de reconhecida atuação no magistério acreano e por longa folha de serviços prestados ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e à LBA (Legião Brasileira de Assistência), ela ficou conhecida sobretudo entre a população mais humilde como a “mãe dos pobres”, referência ao trabalho de assistência social iniciado ainda no governo do antigo território federal do Acre, na administração José Guiomard Santos, e que teve prosseguimento até meados dos anos 80. Entre suas obras está a criação do Educandário Santa Margarida, no bairro Preventório, que se dedica a abrigar crianças órfãs ou desamparadas.
“De fato, a atuação dela confirmou no Acre uma rede de proteção aos mais pobres numa atividade que se inicia ainda nos tempos de território, passa pelos anos 60 e vem até aqui aos anos 80, com a implantação dos primeiros programas de inclusão social”, disse o senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, que foi levar sua solidariedade à família. “Lá atrás, quando não havia de fato políticas públicas para a área, era através do trabalho dedicado da professora Crizá que foram implantados atividades artesanais, de lavanderias comunitárias e os primeiros programas de renda mínima de que o Acre tem notícia. O Acre, com sua perda, se sente órfão da integrante de uma das primeiras gerações de acreanos no século 20 e, principalmente, de uma servidora pública honrada e dedicada”, disse Tião Viana.
O pai do senador, ex-deputado Wildy Viana das Neves, que acompanhou as atividades da professora desde o início de sua vida pública, também deu seu testemunho:
- O Acre perdeu uma parte de sua história. A Crizá era um arquivo de uma boa parte da memória do Acre e também uma pessoa generosa, caridosa por excelência, que passou a vida toda só fazendo o bem. O Acre fica mais triste hoje – disse Wildy Viana.
O prefeito Raimundo Angelim, outro amigo da família, também lamentou a perda. “A professora Crizá foi uma mulher que dedicou sua vida aos mais pobres, seja na direção da LBA seja no plano pessoal. Foi uma pessoa digna que tratou com decência e respeito o interesse público”, disse o prefeito.
Dona Peregrina Gomes Serra, viúva do lendário Irineu Serra, o fundador da doutrina do Santo Daime, veio do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal, para se despedir da amiga, a quem conhecia fazia mais de cinco décadas. “Era uma pessoa que amava os mais pobres e se dedicou de corpo e alma ao combate à pobreza”, definiu.
Ao se aposentar como analista de estatística no IBGE, em 1969 ela assume a superintendência local da LBA, onde vai permanecer até o final do governo João Figueiredo, em 1985. À frente do cargo, implanta oficial o serviço de assistência social no Acre, que, até aquela época, era feito apenas através da Igreja, como caridade. A implantação deste tipo de serviço no Acre só foi possível com a vinda ara o Acre das assistentes sociais Etelvina Ferreira de Farias, Alcinina Gardênia Monte e Nazaré Farias. Dona Crizá só se casaria aos 60 anos, com o empresário Almiro Felício, que faleceria em 2000. Como não teve filhos naturais, praticamente adotou os sobrinhos. “Ela era um pouco de tudo: de amiga, de mãe, de exemplo”, disse um dos sobrinhos, José Alexandre.
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