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Da música para a literatura: o pai Kledir Ramil |
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Andréa Zílio
Com o novo livro “O Pai Invísivel”, editora Objetiva, ele é o convidado do projeto Sempre Um Papo, para conversar com o público acreano nesta terça-feira, na Uninorte, a partir das 19 horas, e lançar a obra, que relata divertidas histórias com muita criatividade e, de quebra, ainda ajuda outros pais invisíveis. Kledir também relembra sua infância, comparando os padrões de comportamentos de sua geração, que tentou romper com as estruturas sociais na década de 70, e os modelos dos adolescentes de hoje. Em uma troca de e-mails, ele concede uma entrevista ao Página 20, na qual fala de seu livro. Confira! Você é conhecido nacionalmente como músico, ao lado de seu irmão Kleiton. Quando decidiu se dedicar também à literatura? Aprendi a escrever de ouvido. Minha relação de amor com as palavras vem da infância. Eu adorava histórias e tinha uma curiosidade especial pela maneira como elas eram contadas. A partir da adolescência comecei a fazer canções e essa foi minha escola. Escrever letra de música popular é um bom exercício de rigor literário. É preciso respeitar métrica, prosódia, rima... E mais, a coisa toda ainda tem que fazer algum sentido e ter um mínimo de beleza. Há alguns anos, comecei a escrever prosa e foi uma descoberta agradável, pois eu podia contar histórias sem muita preocupação com regras. A não ser as de gramática e de concordância. Talvez isso explique o bom humor e a despretensão do meu texto. Eu me divirto escrevendo. O livro traz diversas situações engraçadas que você viveu com seus filhos e sua mulher. Você acha que muitos outros pais vivem situações semelhantes e podem se identificar com sua experiência? Acredito que sim. Eu me vejo como um cara comum, tentando acompanhar o ritmo acelerado do nosso tempo. Um artista brasileiro às voltas com a família, o trabalho, as lembranças de infância e, principalmente, os filhos adolescentes. O Pai Invisível é um relato divertido desse meu cotidiano que, no fim das contas, é igual ao de todo pai que precisa criar filhos adolescentes nos dias de hoje. A diferença de gerações é um dos temas principais do livro. Na sua opinião, o que melhor caracteriza os adolescentes de hoje? Acho que é a capacidade que eles têm de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Eu só consigo me concentrar em uma coisa de cada vez. Considero esse detalhe um avanço extraordinário da capacidade cerebral do ser humano e tenho certeza que essa garotada vai conseguir construir um mundo muito mais plural, aberto e cheio de soluções interessantes. O que é mais difícil: ser cantor e escritor ou ser pai? Nada se compara à experiência de ser pai. É difícil, mas não no sentido de ser pesado. É difícil, porque não existe escola que ensine e o grau de responsabilidade é muito maior. Ao mesmo tempo, é uma realização de vida de valor incalculável. Qual o seu conselho para os pais que desejam deixar de ser “invisíveis”? Não façam isso! Não acho que seja um bom negócio ficar “visível”. Meu livro sugere exatamente o contrário, aproveitar a situação e entender que essa é uma fase que os filhos estão passando. “Nessa fase nebulosa, chamada de adolescência, você fala e eles não escutam. Passam por você e nem olham. Se olham, não vêem. Você desapareceu, ficou invisível. Virou o pai invisível. Ninguém sente a sua falta. Ou pior, só lembram de você quando precisam de dinheiro ou de carona”. Invisibilidade não é ausência. Você está ali, o tempo todo, só não é notado. Em vez de sofrer com isso e ficar me lamentando, usei o bom humor como “mecanismo de defesa” e aprendi a tirar partido da situação. “A vantagem da invisibilidade é que você pode observar sem ser observado. Para quem escreve, é um bom negócio. Para quem se preocupa em cuidar dos filhos, também. Pode-se estar presente, sem dar muito na vista”. É uma maneira discreta de estar sempre por perto e passar segurança pra eles. Acho que é isso que eles esperam de nós. Além do dinheiro e da carona, é claro. |
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