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José Cláudio Mota Porfiro * |
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A multidão contra a violência Assim como tem o momento exato da reflexão, assim como toda hora é boa para meditar acerca dos nossos atos e projetos, a razão admite que assumamos as nossas responsabilidades e compromissos também com a prática, com o fazer real. E foi assim ontem. Testemunhei o que pode fazer gente que se une ao redor de um propósito comum. Tinha ao redor de mil e quinhentas pessoas. Professores e alunos dos três turnos do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, o antigo Ceseme, saíram em passeata gritando palavras de ordem contra a violência e a favor da paz em todos os sentidos, principalmente, no âmbito escolar e no âmbito doméstico. Só há muito tempo vi manifestações estudantis tão vibrantes. Envaideço-me, hoje, ao dizer que participei de muitas delas, talvez apenas fazendo número. Era aquela uma época em que íamos para a praça pública gritar contra os casuísmos da extrema direita que prendia ou matava os que se insurgiam contra o regime militar pós 1964. Atendendo convite deste escriba de parcas letras, lá estava o Dr. Fernando Melo, Secretário de Estado da Segurança Pública. Enquanto caminhávamos, falava-me ele sobre um projeto sonho seu que se coaduna perfeitamente à circunstância atual e ao momento que estávamos vivendo. Foi mais ou menos o que eu próprio disse a um repórter televisivo. Toda e qualquer ação que vise inibir ou conter a escalada da violência no âmbito da sociedade deve ter como ponto de partida a conscientização das células sociais mais importantes, como sejam a escola e a família. Chegamos, então, a um entendimento segundo o qual a escola deve propiciar uma convivência harmônica, uma vez que é lá onde o estudante vive parte significativa do seu tempo. O que ele não vivencia no lar pode encontrar na sua outra casa, a escola. Por que não tornar esse um ambiente harmônico, agradável, lócus da resolução dos conflitos que naturalmente se desencadeiam em todos os lugares? Obviamente, teríamos que contratar bons psicólogos e assistentes sociais, o que seria despesa saudável se for feita comparação com os dividendos sociais advindos de uma ação como esta. Há inclusive soluções bem simples. Por que não virem os alunos e suas famílias compartilhar o espaço, quem sabe, até aos domingos? Há uma videoteca, há uma quadra de esportes e há boa vontade. Aplaudo solenemente o projeto do Sr. Secretário de Segurança. Sensível! Há vínculo estreito com a responsabilidade minha no trato com uma disciplina imprescindível denominada Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Segundo o projeto de Fernando Melo, seriam promovidos concursos anuais de redação para todos os alunos do ensino médio e da oitava série do ensino fundamental acerca do tema antiviolência. Os autores dos melhores trabalhos receberiam prêmios e menções honrosas previamente estipuladas por um órgão do Estado que muito bem poderia ser a Secretaria de Educação. Com isto, estaríamos impregnando a paz entre os mais jovens que, por não encontrarem tantas saídas para os seus dilemas pessoais, frustram-se, deprimem-se, buscam válvulas de escape que não existem, e passam a agredir aqueles que lhes estão mais próximos. Devo admitir que tudo me deixou um tanto extasiado. Desde a multidão reunida em torno de um problema de difícil solução, até a organização, a mobilização e o senso de compromisso social demonstrados pelos dirigentes da escola, tudo me pareceu irretocável, sem sombra de dúvida. Vi muitas demonstrações de otimismo pleno. E isto me deixou feliz porque sou dos que acreditam que a minha terra e a minha gente ainda vão cumprir seu ideal. Parabéns! * Doutor em Filosofia e História da Educação pela Unicamp |
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