| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
Florentina Esteves |
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Hosana Ora viva! Santo Antônio lembrou-se de nós. Ou terá sido São João? São Pedro? Perguntar ao Agnaldo Moreno, nosso meteorologista tupiniquim, e uma das pessoas que eu conheço que mais entende de Acre e de acreanices. Bem, mas seja quem tenha sido, tivemos, semana passada, um arremedo de friagem. Durou só dois dias, e logo o sol apareceu, embora nem tão quente. Mas valeu para amainar aquele calor de quse 40 graus, sufocante, a lembrar-nos que estamos nos trópicos. Trópicos que vêm perdendo um tanto de suas características, por conta da ampliação dos espaços urbanos e agrícolas. Já não vemos, hoje, revoadas de papagaios pelos nossos quintais. Quando muito, de periquitos. Tucano? Nunca mais vi, desde que vendi minha colônia, lá no Quinari. Restam-nos somente os passarinhos. Ainda. Mas até quando? Sempre me pergunto aonde nos levara esse desmatamento, que nem Marina, nem Jorge Viana, nem Lula, nem as ONGS conseguem coibir ou restringir. Tudo em razão de interesses comerciais, desde que a agricultura e a pecuária, além da indústria madeireira, vieram substituir nossa atividade extrativista, superada por outros mercados como a Malásia. E agora, que estão cultivando seringais em Belo Jardim, no Rio de Janeiro? Agora é que nossa borracha não terá competitividade para com outros mercados. E o impacto do desmatamento não se sente apenas em nossa produção de borracha. Outros setores acusam a agressão à natureza. Nosso clima, como estamos vendo. Nunca se viu tanto calor e secura. Nossos cursos d’água — rios e igarapés? E nossa fauna e flora? Os animais silvestres cada vez se embrenham mata adentro, rareando, e com riscos de extinção. Foi-se o tempo em que pegávamos um veadinho para criar como animal doméstico, uma paca. E os macaquinhos? Hoje só nos resta um papagaio, arara, talvez um macaquinho. Pouco que nos remeta àquele Acre de nossa infância. No último domingo nos permitimos o lazer de passar o dia na colônia de uns amigos, lá na estrada de Boca do Acre. Foi um remontar às origens. Já no caminho, ao longo das margens da estrada, desfilavam açudes, ponteando a paisagem de espelhos d’água do céu, límpidos, e enfeitados, aqui e ali, de aves. Certamente haveria peixes, mas da distância em que íamos passando, não dava para ver. Também ao longo da estrada via-se a vegetação, lamentavelmente devastada. Somente uma ou outra castanheira, a oferecer sombra para o gado. Mas os horizontes sem limites da paisagem ainda nos davam a sensação de amplitude. Amplitude a nos remeter à este Acre de matas devastadas, campos e queimadas, sem perspectivas de chuva. É . Andamos sabendo que este verão será impiedoso, e que não se espera chuva nos próximos dois ou três meses. Isto é, não se espera chuva no superlativo, a não ser aquela “poagem” que anuncia e antecede as friagens. Porque o verão nosso se caracteriza, realmente, pela estiagem. só que este ano os prognósticos são desalentadores. Que será de nosso rio Acre que abastece de água nossa cidade? Que será de nossos igarapés? E isso em plena região amazônica, onde se situa a maior bacia hidrográfica do planeta. E então só nos resta constatar que os tempos estão mudando. Mas o homem é o maior culpado disso. Daí ele ser considerado o maior predador do planeta. A poluição que envenena nossos mananciais e igarapés é obra do bicho-homem, a jogar lixo nos cursos d’água. Haja vista a Judia, igarapé que de tão limpo era até piscoso. E hoje, chegamos ao ponto de ter de fazer campanha de conscientização para desobstrui-lo, conforme li nos jornais. Tem também o São Francisco, assoreado por entulhos e lixo. E quantos outros igarapés há por nosso município, de que tão agredidos não passam de córregos, hoje. E algo precisa ser feito. E li que já está sendo feito, sendo providenciado, tanto pelo Governo como pela Prefeitura. Hosana! Deus abençoe nossos defensores da natureza. Hosana! * Cronista |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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