COTIDIANO

“Hidrelétricas, Agronegócios, Gás e Petróleo: que desenvolvimento é esse?”

 


O seminário retoma uma discussão que vem ganhando corpo no âmbito da UFAC, desde quando nos demos conta de que o modelo de desenvolvimento predatório, que vem impondo a devastação de parte significativa das florestas dessa região, não atendia aos interesses das populações locais.

O momento histórico que serviu para alguns professores e um grupo de alunos dessa Instituição de Ensino Superior acordarem para os problemas que atingiam milhares de mulheres, crianças e homens do Acre e Sul do Amazonas foi, sem dúvida, o ano de 1977. Nesse ano, de forma caricatural, o grande evento patrocinado pela UFAC foi a realização, com todas as pompas e investimentos públicos, de um Seminário sobre o Centenário da Colonização do Acre. Nada mais grotesco: enquanto centenas de famílias de trabalhadores rurais da Unidade da Federação em que estava assentada essa universidade, eram violentadas em seus direitos e condição humana, a instituição, não apenas, não se dava conta da realidade ao seu redor, como ainda parava para se confraternizar com um modelo de colonização que tinha sido responsável pelo assassinato e tentativas de extermínio de centenas de línguas e povos que habitavam essa região e ainda virava as costas para os novos assassinatos e expropriações que estavam em curso na década de 1970.

Mais recentemente, nos últimos dez anos, enquanto um restrito grupo de professores e estudantes desta IFES passaram a, solitariamente, levantar suas vozes e empenhar seus esforços acadêmicos para desnudar a farsa do “manejo florestal madeireiro”, articulado como referência do “modelo de desenvolvimento” do governo estadual, suas vozes e críticas não encontravam a devida ressonância no interior dessa instituição.

A idéia de realizar este Seminário num momento em que paira toda uma forte propaganda sobre o “progresso” e o “desenvolvimento” para o Estado do Acre e a região amazônica a partir da construção de hidrelétricas e da possibilidade de existência e, naturalmente, exploração de Gás e Petróleo nas fronteiras amazônicas entre Rondônia, Acre, Bolívia e Peru, coloca em evidência a preocupação de ampliar o campo de debates e posicionamentos no interior da Universidade Federal do Acre, como forma de fazer valer o papel de uma Instituição de Ensino Superior preocupada com a produção de saberes e a difusão de conhecimentos articulados com os saberes, a melhoria da qualidade de vida, o respeito às culturas e todas as formas de conhecimentos das populações e comunidades humanas que vivem nessa parte da vasta e heterogênea Amazônia.

Desse modo, a Universidade Federal do Acre, através do Centro de Documentação e Informação Histórica, os Programas de Mestrado em Letras, Agronomia, Desenvolvimento Regional e em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais, têm a honra de convidar a todos e a todas para participar do Seminário: Hidrelétricas, Agronegócios, Gás e Petróleo: que desenvolvimento é esse?, com o objetivo de realizar discussões sobre o modelo de desenvolvimento em curso na Amazônia e seus impactos para as populações locais.

Convidamos ainda, a todos aqueles que desejam colaborar na construção de uma nova alternativa de luta pela América Latina unida, a participar da Mostra Itinerante do Festival Latino Americano de la Clase Obrera, que é um festival de cinema e vídeo dedicado às lutas, realidade e cultura da classe trabalhadora no continente latino-americano.

 

 
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Rio Branco-AC, 3 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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