COTIDIANO

Ufac começa a sofrer os efeitos da greve

Acúmulo de lixo, biblioteca e restaurante fechados são alguns deles

Marcos Vicentti
Everton Nogueira falou dos prejuízos para a comunidade acadêmica


Val Sales

A aparente tranqüilidade observada no portão de entrada da Universidade Federal do Acre (Ufac) esconde os efeitos de uma greve que já dura mais de um mês. No interior do campus, o resultado é visível nos sacos de lixo acumulados próximo aos corredores, nas trancas das portas da biblioteca e do restaurante e em cadeiras e equipamentos quebrados.

As faixas da greve dos técnicos administrativos continuam expostas, mostrando que a quietude do ambiente traduz mesmo a ausência dos servidores que em dias normais fazem a movimentação e o burburinho dos corredores. Nesse panorama, os estudantes tentam se concentrar nas aulas, apesar de serem uns dos mais prejudicados do setor.

Nos corredores eles caminham confusos diante da imprecisão das notícias da greve. Muitos, que passam o dia na instituição, estão tendo que pagar mais caro pelas refeições fora dos muros da instituição e não têm acesso a material de pesquisa, já que a biblioteca está fechada.

O coordenador de assistência do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Everton Nogueira, disse que os prejuízos da comunidade acadêmica são muitos e também envolvem problemas em cursos como o de Comunicação Social, que já formou a primeira turma, sem que a instituição disponha de um laboratório de rádio e TV. Esses laboratórios serviriam para as aulas práticas dos estudantes.

“O que a gente sabe sobre a greve é muito vago. Eles disseram que encerrariam a paralisação na última sexta-feira, mas ainda aguardam posicionamento nacional, e nós também aguardamos sua convocação para discutir o assunto em assembléia. Enquanto isso, os estudantes estão tendo que se alimentar de salgados no horário do almoço ou pagar caro por uma refeição nos restaurantes próximos ao campos”, frisou.

O representante do comando de greve local, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Superior (Sintest), Jailson Ribeiro Soares, lembrou que a greve continua em 45 universidades do país. Segundo ele, o que ocorre é que até o momento o governo federal não apresentou uma proposta que contemple a categoria, sendo que os eixos emergenciais das reivindicações estão relacionados ao plano de saúde e reestruturação de tabela salarial.

“Temos uma assembléia marcada para o dia dois de julho, quando o comando nacional irá se reunir mais uma vez com a equipe de governo para ver se a negociação evolui”, completou. Enquanto isso, alguns estudantes do interior do Estado reclamam da falta de condições de ensino.

Um dos setores que, segundo eles, não está funcionando é o departamento de Economia. Por outro lado, o coordenador do curso em Rio Branco, Robinson Antônio, disse que na capital o setor está em ordem, sendo que a área do interior está sofrendo adequações referentes aos contratos fixos de professores, o que vem gerando atraso nas aulas.

Carta aberta à comunidade universitária

Em uma carta aberta à comunidade universitária, o DCE afirma que sabe da importância das reivindicações dos servidores, mas também conhece os graves prejuízos que uma greve traz ao desenvolvimento dentro da universidade e para a sociedade em geral. Por esse motivo, acredita que ela só deva ser feita depois de esgotadas todas as possibilidades de negociações.

“Dentro do exposto, nota-se que a greve já provoca vários prejuízos às atividades acadêmicas, principalmente aos estudantes que são obrigados a continuar freqüentando as aulas sem as condições necessárias para o seu desenvolvimento, principalmente pelo não funcionamento do Restaurante Universitário, pois vários alunos carentes não têm condições de pagar refeições em outros locais, que chegam a custar até R$ 10, e também pela falta de funcionários nos laboratórios e até mesmo em algumas coordenações de cursos”, diz o documento.

Na mesma carta, o DCE exige providências imediatas por parte da Ufac para que o problema seja solucionado.

 

 
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Rio Branco-AC, 3 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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