RENATA BRASILEIRO
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Acre (Ufac) teve sua lendária sala de jogos fechada há alguns dias pelo novo presidente da entidade, Luis Felipe Lima, após a realização de um plebiscito, no qual 1.017 alunos contra 369 concordaram com a retirada da mesa de sinuca e outros jogos que havia nela há pelo menos 15 anos.
Segundo o presidente, a sala havia virado ponto de “orgias” de alguns estudantes, que matavam aula também para beber e usar entorpecentes dentro do ambiente. “Eu mal podia atender as pessoas que procuravam para discutir assuntos que dizem respeito ao diretório por conta da bagunça que sempre está no local”, argumentou.
Diante disso, Felipe decidiu propor aos estudantes da universidade que a sala de jogos saísse do diretório e fosse para o Centro de Convenções e Conveniências e que no lugar dela fosse montada uma biblioteca virtual para os universitários. A proposta foi bem aceita, tanto que recebeu muitos votos favoráveis.
Entretanto, um grupo de estudantes dos cursos de História, Geografia, Agronomia, Ciências Sociais e Jornalismo não gostou muito da idéia e pretende fazer um protesto na universidade contra a mudança.
“Esse resultado do plebiscito nem foi divulgado para nós nem sabemos se é verdade mesmo. O que esse presidente fez não existe, ele não pode tirar dos alunos essa opção de diversão, já que muitos alunos que fazem curso em período integral costumam ir passar o tempo lá durante o intervalo”, disse a universitária Isabelle Oliveira, do curso de Geografia.
Segundo ela, os estudantes desconhecem o fato de que os jogos serão transferidos para o Centro de Conveniência e que essa, na verdade, foi uma justificativa dada pelo presidente para ganhar votos no plebiscito.
“Essa mesa de sinuca tem história aqui na Ufac, tem pelo menos vinte anos. Desde que minha mãe estudou aqui que ela existe. Era um jogo divertido para os estudantes”, disse a estudante Carolina Cabral.
O grupo de estudantes dos diversos cursos deverá se reunir nos próximos dias para definir o dia em que irão protestar contra o fechamento da sala de jogos. Enquanto isso, o presidente diz que está ciente de que não fez nada errado nem sem o consentimento de uma maioria e que a medida faz parte de uma política de trabalho que ele encabeçou desde a campanha, quando seu lema era “Abaixo a Hipocrisia”.
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