Tião Vitor
Rodrigo Torres

Raimunda Costa dos Santos, 32, e R. S., de apenas 2 anos, vieram momentos de terror quando se tornaram reféns durante uma tentativa frustrada de assalto à casa lotérica Mega Sorte II, na rua Rui Barbosa.
As duas se transformaram em escudo humano quando um menor de 17 anos, tentou fugir com cerca de R$ 300 que retirara dos caixas junto com seu comparsa, um menor que não teve o nome identificado até o fim da tarde de ontem.
Da lotérica, o menor levou mãe e filha, sob a mira de um revólver, até as dependências do Colégio Estadual Barão do Rio Branco (CEBRB), seguido por dezenas de populares acompanhados por policiais que, também armados, pediam que ele se entregasse. Depois de uma tensa negociação, o assaltante se redeu e por pouco não foi linchado pela multidão que se aglomerou no local. Tudo aconteceu por volta das 16h30 e durou até cerca de 17h20, momento em que a maioria dos funcionários públicos está deixando o trabalho.
O assalto começou quando a casa lotérica estava cheia, pois quarta-feira é dia de sorteio da Mega-Sena. O prêmio dessa semana está acumulado e é o maior já registrado no ano, cerca de R$ 23 milhões.
O valor do prêmio atraiu maior número de apostadores às casas lotéricas, o que certamente aguçou a cobiça dos dois assaltantes.
De acordo com testemunhas do fato, logo que entraram, os assaltantes apontaram a arma para todos e determinaram que se deitassem no chão. O mais velho portava a arma e disparou três tiros contra as vidraças de proteção dos guichês de atendimento, provocando pânico em todos os presentes.
Com os vidros quebrados, o outro menor pulou para o espaço de dentro e passou a recolher todo o dinheiro nos caixas. Imediatamente a polícia foi acionada e os primeiros militares que chegaram ao local impediram que os dois fugissem.
De arma em punho, um deles, o de 17 anos, tomou Raimunda e R. como reféns e as levou até as dependências do CEBRB, sendo seguido de perto pelos policiais que exigiam que ele se libertasse as reféns e se entregasse. O pânico se seguiu em uma das salas de aula do colégio, onde o assaltante tentou se abrigar.
Felizmente, depois de uma negociação que durou cerca de meia hora, ele se rendeu. Levado pelos policiais para o lado de fora, eles quase foi linchado. Foi preciso os policiais agirem com vigor para garantir-lhe a integridade física.
O outro menor conseguiu fugir do cerco policial, mas foi capturado por volta das 17h30 com todo o produto do roubo. Ambos foram encaminhados à Delegacia Especializada do Menor, também localizada na rua Rui Barbosa.
Relatos dos funcionários da casa lotérica dão conta de que o menor de 12 anos freqüentava com regularidade o local e pedia dinheiro às pessoas presentes. Eles especulam que essa era a forma que os dois utilizaram para conhecer o local e saber das fragilidades de segurança.
Eles estavam drogados,
diz testemunha
Ronaldo Carvalho, que se encontrava no interior da lotérica na hora do assalto, disse acreditar que os dois menores estavam sob o efeito de droga. Ele trabalha com ressocialização de menores e disse que conhece bem os sintomas apresentados. “Eu vi bem quando ele chegou e foi logo mandando todo mundo deitar no chão e atirou em seguida, sem pensar duas vezes. Percebi que ele estava muito agitado e aparentava estar sob o efeito de drogas. Não tenho dúvida de que ele poderia ter matado alguém aqui”, afirmou.
Tive que me arrastar para fugir dali, relata servidora pública
O momento do assalto foi de tensão para todos os presentes à lotérica na tarde de ontem. Uma funcionária pública que não quis ter o nome divulgado afirmou que ficou com os braços ralados e cheios de luxação, pois teve que se arrastar pelo chão para sair do local.
Foram momentos de muito medo e ela disse temer por sua vida. “Eu estava deitada no chão e sai me arrastando devagarinho, para que eles não percebessem. Meu Deus, não sei como consegui”, disse a senhora, ainda em estado de choque.
Tive medo por mim e por minha filha, diz funcionária da lotérica
Uma das funcionárias da lotérica que se encontrava em um dos guichês atingidos pelos tiros do menor e que também preferiu não ter seu nome revelado, conta que teve medo de morrer e de ver sua filha morta também. Isso porque, no momento em que os assaltantes entraram na casa lotérica, sua mãe também entrava no local com sua filha, de apenas dois anos e que estava ali para lhe fazer uma visita.
Ela disse ter percebido logo que os assaltantes entraram que se tratava de um assalto e, por isso, agiu rápido se abaixando e correndo para o interior da empresa. “Logo que eu me abaixei e saí de lá ele atirou. Se eu tivesse ficado lá, o tiro, ou mesmo os pedaços de vidro, poderia ter me atingido e me ferido. Mas tudo isso não foi nada diante do medo que tive por minha filha e por minha mãe. Elas ficaram lá, no meio de tudo, e eu não pude fazer nada.
Foi o maior medo que já tive em toda a minha vida”, contou a funcionária da lotérica.
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