WHILLEY ARAÚJO

Na véspera da data de comemoração dos 98 anos de fundação de Brasiléia, o município e o Vale do Acre receberam um grande presente. O governador Binho Marques inaugurou na manhã de ontem o Complexo Agroindustrial de Aves, empreendimento que terá capacidade inicial de abater 7,5 mil frangos por dia. Nesse primeiro momento, toda a produção da fábrica será destinada ao abastecimento do mercado local, que representa 50% do atual consumo interno do produto no Estado.
Mais de 130 famílias de agricultores familiares das cidades de Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri, todas inseridas na cooperativa Agro Aves, trabalham na criação de frangos, do tipo caipira e industrial, para abate no frigorífico que integra o Complexo Agroindustrial de Aves de Brasiléia. Essa é a primeira fase do projeto, que inclui frigorífico e fábrica de ração. A central de incubação começará a operar em agosto. Já o matrizeiro será concluído na segunda etapa, que terá início em 2009. A cadeia produtiva envolve, além da criação, abate e comercialização de aves, o cultivo de grãos para a produção de ração.
O governo do Acre, por meio do programa Pró-Florestania, investiu cerca de R$ 23 mil na compra de madeira e equipamentos para a construção dos 130 aviários dessa primeira fase. As aves têm um ciclo de 42 dias para estarem prontas para o abate, quando atingem o peso de 3,2 quilos. Cada criador terá uma renda mensal média de R$ 800.
O programa de Avicultura do Alto Acre foi criado em 2004 com o planejamento inicial de abate de 500 aves/dia para atender somente o mercado local. No ano seguinte, foi redirecionado para atuar no mercado nacional e internacional, com previsão de abate entre 3 mil e 4 mil aves.
A partir da seleção da empresa gestora do empreendimento, em 2006, quando foi selecionada a AcreAves Alimentos, o projeto ganhou fôlego possibilitando que antes mesmo de sua inauguração a capacidade de abate fosse ampliada para 7,5 mil aves.
De acordo com o governador Binho Marques, a obra ficará na história do Acre, pois o Estado vive um novo momento extremamente promissor. Ele acrescentou que a região do Alto Acre é uma área que está se desenvolvendo bastante e é uma das mais propícias para um crescimento bem distribuído, tendo em vista que o novo empreendimento conta com a presença de pequenos produtores e empresários. O projeto é resultante do Pacto Agrário.
Binho ressaltou que não se trata de um simples abatedouro de frango, e sim um complexo que envolveu um investimento de quase R$ 10 milhões, até o momento. Desse total, R$ 4 milhões foram oriundos do governo Jorge Viana, 4,6 milhões foram destinados pela atual administração do Estado e mais R$ 1 milhão foi disponibilizado pela prefeitura de Brasiléia para a construção de uma incubadora.
“É um investimento significativo, porém, bem mais que isso é o fato de o desenho desse empreendimento propiciar a inclusão social. Aqui poderíamos muito bem trabalhar com três grandes granjas, mas estamos trabalhando com 130 pequenos produtores no começo e vamos envolver muito mais. Além do emprego gerado, temos aqui uma cadeia produtiva que vai desde as granjas comunitárias até uma estrutura industrial que não existe igual nessa envergadura em toda a Amazônia”, enfatizou o governador.
O secretário de Produção e Extensão Familiar do Acre, Nilton Cossons, salientou que o Complexo é fruto de todo um processo que o governo vem desenvolvendo no Estado, dando consistência para a economia a partir de sua ação primária. “Estamos envolvendo aqui pequenos agricultores, além de outros produtores de todo o Estado que produzirão a matéria-prima para a criação de frango nessa região. É importante destacar a ação do governo em cadeias produtivas, pois se trabalha desde a industrialização e também o que não vemos no dia-a-dia, que é a produção de grão em cada propriedade e de cada produtor rural do Acre”, pontuou.
Ampliação da capacidade de produção e geração de emprego
De acordo com o proprietário da Acre Aves, Vander Luis, o Complexo gere cerca de 50 empregos diretos inicialmente. Quando estiver plenamente instalado, até 2014, deverá envolver 340 produtores familiares na criação de frangos e gerar em torno de 200 empregos diretos e abate de 50 mil aves por dia.
“Já no mês seguinte deveremos ampliar o abate para 15 mil aves, por conta do aumento da demanda”, afirmou o dono da empresa.
Na última etapa do processo serão necessárias 15 mil hectares plantados de grãos para a produção de 53,7 toneladas de ração. Nessa primeira fase já são necessário 2.250 mil hectares plantados de grãos para a produção de 8,1 mil toneladas de ração. A movimentação financeira mensal em toda a cadeia é de aproximadamente R$ 19 milhões.
A gestão do frigorífico será no módulo público-privado-comunitário (PPC). Neste tipo de parceria os produtores não serão meros entregadores de matéria-prima. A cooperativa Agro Aves irá repassar 6% do faturamento líquido da empresa para os produtores.
Vander garante também que já iniciou conversas em visitas feitas ao Peru e a Bolívia. A idéia é exportar parte da produção do Complexo de Aves para os países da América Latina. “A planta industrial do complexo já foi construída visando esse objetivo”, revelou o proprietário.
“Esse é o melhor presente que Brasiléia poderia receber”, diz Leila Galvão
Durante a solenidade de inauguração do Complexo de Aves, a prefeita de Brasiléia, Leila Galvão, assegurou que a meta projeto da fábrica é ousada e servirá para impulsionar a economia de todo o Vale do Acre. Ela lembrou que desde 2004 foi implementado no município a idéia de construir e investir em alguns empreendimentos que pudessem gerar renda e emprego para os produtores familiares da região.
“Esse é o maior presente que a cidade poderia receber. Brasiléia completando 98 anos e estamos todos reunidos no Alto Acre, entregando um complexo que é fruto de uma luta de quatro anos, iniciada pelo ex-governador Jorge Viana. Agradecemos a continuação por parte do Binho, que investiu mais de R$ 4 milhões para finalizar o projeto”, ressaltou.
“Acreditamos que esse é um investimento que realmente fortalece toda uma cadeia produtiva, por isso agradecemos ao presidente Lula, ao ex-governador, Jorge Viana e ao Binho por terem acreditado e potencializado essa alternativa e essa esperança que chega ao Vale do Acre.”
Uma renda a mais para
os produtores
O produtor rural Juarez Coelho da Silva, presidente da Agro Aves, cria aproximadamente 500 frangos da raça label rouge em seu aviário que mede em torno de 30 por 8 metros. Ele diz que a expectativa de todos os trabalhadores do ramo é grande e que as famílias esperam obter um bom lucro.
“Isso significa a realização de um sonho para nós produtores. Esse complexo de aves ajudará bastante para que tenhamos uma renda a mais no final do mês para ajudar no sustento da família”, declarou.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, Rozildo Rodrigues, que também é criador de aves, os investimentos feitos pelo governo na região representam uma grande satisfação para toda a população. “Os produtores do Vale do Acre acreditaram nesse projeto e agora fazemos parte de um empreendimento que melhorará nossa qualidade de vida”, completou.
Dados do complexo agroindustrial
Produto: Frango Industrial congelado inteiro e em cortes
Frango Caipira congelado inteiro em cortes, dente outros.
Capacidade de abate instalada:
1ª fase – 7.500 aves/dia – ago/2008
2ª fase – 15.000 aves/dia – dez/2009
3ª fase – 20.000 aves/dia – dez/2010
4º fase – 50.000 aves/dia – dez/2014
Número de empregos direto
1ª fase – 50 – ago/2008
2ª fase – 80 – dez/2009
3ª fase – 120 – dez/2010
4º fase – 200 – dez/2014
Área cultivada de grãos necessária
1ª fase – 2.250 ha – ago/2008
2ª fase – 4.500 ha – dez/2009
3ª fase – 6.000 ha – dez/2010
4º fase – 15.000 ha – dez/2014
Consumo Ração/Ano
1ª fase – 8.100 t – ago/2008
2ª fase – 16.100 t – dez/2009
3ª fase – 21.500 t – dez/2010
4º fase – 53.700 t – dez/2014
Famílias envolvidas na produção de frango
1ª fase – 130 famílias – ago/2008
2ª fase – 180 famílias estimadas – dez/2009
3ª fase – 220 famílias estimadas – dez/2010
4º fase – mais de 340 famílias estimadas – dez/2014
Investimentos totais
1ª fase – já realizado R4 9 milhões – ago/2008
2ª fase – + R$ 3 milhões para ampliação da produção – dez/2009
3ª fase – + R$ 3 milhões para ampliação da produção e equipamentos – dez/2010
4º fase – + R$ 15 milhões para ampliação da produção e do frigorífico – dez/2014
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