COTIDIANO

Capital social é vital para o êxito dos Arranjos Produtivos Locais

 


O desenvolvimento de capital social é a chave para o sucesso de Arranjos Produtivos Locais (APLs), modelos localizados de cooperação dentro de um segmento produtivo que atualmente orientam a política de crédito do Banco da Amazônia, que promoveu o seminário “Capital social e governança nos Arranjos Produtivos Locais”, em parceria com a Rede Norte e Nordeste de Inclusão Social e Redução da Pobreza (Rede Nós), organismo ligado ao Banco Mundial.

O seminário realizado na sede do Banco da Amazônia em Belém foi transmitido através de videoconferência para todas as capitais do Norte e também para Santarém (PA), Brasília e Washington (EUA) e por teleconferência para outras cidades da região onde a instituição possui agência. Representantes de órgãos públicos, comunidade técnico-científica e de entidades do setor produtivo participaram do debate, que foi mediado pelo gerente executivo do Banco da Amazônia Oduval Lobato Neto e pela representante do Banco Mundial, Mônica Amorim.

O conceito de capital social foi abordado pela socióloga e professora da Universidade Federal do Ceará Vilma Moreira, que identificou seis pontos indispensáveis para a formação de capital social para Arranjos Produtivos Locais: organização, participação, solidariedade, confiança, cooperação e iniciativa. Tais elementos, disse ele, fazem a diferença e explicam por que em alguns casos regiões que dispõe de outros tipos de capital (financeiros, econômicos, de mão-de-obra, equipamentos físicos ou recursos naturais, mesmo com abundância) não conseguem atingir o desenvolvimento. “A boa governança é o elo que transforma os outros tipos de capital em capital social”, acentuou a socióloga.

Depois de Vilma Moreira falou o ex-prefeito do município paraibano de Cabaceiras, Arnaldo Doso, que apresentou um exemplo prático de sucesso em APL, o de caprinos e ovinos no Vale do Cariri, mapeada como das regiões mais pobres da Paraíba, que hoje detém o 8º melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) daquele Estado. Cabaceiras aproveitou a vocação natural para a criação de carneiros, bodes e cabras e desenvolveu duas cooperativas: a de artesãos, que passou a fabricar artigos mais elaborados que os chapéus de couro e selas para montaria, tais como bolsas e cintos; e a de produtores de leite, que deu origem a agroindústrias de iogurtes, queijos e leite pasteurizado. A incorporação de tecnologia, explicou Arnaldo Doso, foi fundamental nesse processo. Como exemplo, citou o caso do rebanho caprino, que antes era exclusivamente de corte e que, com melhoramento genético, se tornou leiteiro. Hoje, o Vale do Cariri produz 10 mil litros de leite de cabra por dia, sendo 500 litros somente em Cabaceiras. Tal sucesso, acrescentou o ex-prefeito, motivou outro tipo de negócio, o turismo. A Festa do Bode Rei se tornou um dos eventos turísticos mais famosos da Paraíba e já atrai até visitantes estrangeiros.

O consultor especialista em organizações João de Paula Monteiro Ferreira encerrou a série de conferências com uma análise do ponto de vista econômico do desenvolvimento do APL de caprinos e ovinos em Cabaceiras, ao traçar um paralelo entre o tipo de governança hierarquizada, aquela que é organizada espontaneamente pelo mercado, com o modelo que privilegia o capital social.

 

 
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Rio Branco-AC, 3 de setembro de 2005
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