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| Show de bola Zinho, craque de futebol, campeão de muitos títulos, vem ao Acre para uma jogada de mestre: a solidariedade |
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Dono de um dos currículos mais vitoriosos do futebol brasileiro, recordista nacional em número de jogos em campeonatos brasileiros e de títulos - entre os quais o de tetracampeão do mundo, em 1994, o jogador Crizam Cezar de Oliveira Filho, o “Zinho”, está em Rio Branco desde ontem. Ele participou do lançamento do programa “10 na Bola, 10 na Escola”, uma iniciativa do pastor Aldemarcos da Silva Maciel, o “Marcos Bombeiros”, um jogador de futebol que também está se despedindo dos gramados profissionais para se dedicar a causas sociais. “Zinho” é, na atualidade, uma espécie de jogador e dirigente do Nova Iguaçu (RJ), time de sua cidade natal que acaba de subir para a primeira divisão do campeonato carioca. O projeto de apoio a menores carentes em Rio Branco será lançado com uma partida de futebol no Estádio José de Melo, na qual estarão em campo “Zinho”, “Marcos Bombeiro” e outros atletas em fim de carreira, cuja renda será revestida para o programa que vai atender pelo menos 32 meninos com idade de 8 a 16 anos. Eles passarão a ser socialmente assistidos sob orientação esportiva, educacional e ética. O programa tem o apoio da igreja Batista Memorial, da qual são membros tanto “Zinho” como “Marcos Bombeiro”. “Antes eu era uma espécie de crente Raimundo”, disse Zinho, ontem pela manhã, momentos antes de ser recebido pelo governador Jorge Viana, falar de sua relação com o futebol e com a religião evangélica. “Crente Raimundo”, explicou, é aquele que vive com um pé na igreja e o outro no mundo. Zinho contou que sua relação com a religião passou a começou a ficar mais forte a partir de 2001, quando, ainda no auge da carreira, logo após ter sido campeão da Copa do Brasil pelo Grêmio, foi demitido pela direção do time gaúcho. “Demitido por quê, se eu havia acabado de ser campeão, se estava no auge, por que me demitiram, eu quis saber na época. “Os caras alegaram que não poderiam me pagar, mas em seguida eu descobri que aquilo foi um plano de Deus, porque eu vinha de muitas vitórias, campeão desde muito cedo, cheio de segurança. Eu pensava que aquilo tudo era mérito meu e Deus precisou me chamar à atenção”, disse o jogador. Nascido em Nova Iguaçu (RJ), filho de uma família modesta - um motorista de caminhão e uma dona de casa -, o futuro craque do Flemengo foi descoberto, aos 10 anos de idade, numa pelada de rua. Levado à escolinha do Flamengo, o menino que, no final da década de 70 vivia na porta da Gávea a pedir autógrafos da geração de craques do Flamengo comandada por Zico e Júnior, em 86, viu-se, de repente, dando uma volta olímpica em pleno Maracanã como campeão carioca, ao lado dos seus antigos ídolos. “Foi uma coisa louca, eu quase nem acreditei”, contou. Os títulos foram se repetindo: pelo Flamengo, além do Carioca de 86, vieram os campeonatos de 91 e 2004, a Copa do Brasil em 90, o campeonato brasileiro de 87 e 1990 e a Taça Guanabara em 88, 89 e 2004. Pelo Palmeiras, ele foi campeão paulista em 93 e 94, campeão do torneio Rio/São Paulo em 1993, campeão brasileiro em 93 e 94, campeão da Copa do Brasil em 1998, Campeão da Mercosul em 1998 e Campeão da Taça Libertadores, em 1999. Em 1995, na sua experiência como jogador no exterior, foi campeão da Ásia, pelo Yokohama Flugues, do Japão. Pela Seleção brasileira, em 1994, conquistou a suprema glória de um jogador de futebol: ser campeão do mundo. Zinho jogou ainda em 2001 pelo Grêmio, quando foi campeão gaúcho e da Copa do Brasil, foi campeão brasileiro pelo Cruzeiro, em 2003, e, em 205, foi campeão carioca da segunda divisão pelo Nova Iguaçu, time pelo qual o jogador pretende encerrar a carreia, no máximo em abril de 2005. Aos 38 anos de idade, ele acha que tem vigor físico e futebol para permanecer mais tempo nos ramados, mas diz que não vai correr o risco de desgastar sua imagem jogando até cansar. “Levei 20 anos jogando para consolidar uma imagem e não posso correr o risco de, numa partida, num lance estragar tudo isso. Futebol é emoção, é paixão e o torcedor, com razão, cobra muito. Se o jogador, que já não é mais um garoto, vacilar, aquela imagem que ele construiu ao longo dos anos, se acaba num piscar de olhos”, ensina. Foi sobre sua experiência profissional e seus projetos sociais para ajudar no combate à exclusão que o atleta conversou com o governador Jorge Viana numa audiência privada, ontem pela manhã. “O Zinho é um vencedor, e um campeão e um exemplo, por seu referencial profissional e de cidadão, para a nossa juventude. Fiz questão de recebê-lo aqui porque sei de seu trabalho e de sua solidariedade em relação aos jovens desasistidos”, disse o governador. “Eu fui muito bem recebido aqui no Acre e estou muito feliz pelo carinho que os acreanos nos dispensaram. Nosso intuito é dar nossa contribuição, ainda que pequenas, para que possamos fazer coisas boas”, acrescentou o jogador. |
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