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Luciana Mendes Cavalcante * |
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Água subterrânea: possível solução para a falta de água em Rio Branco É crescente a demanda para o abastecimento público de água na área urbana de Rio Branco, pois vivenciamos a escassez desse bem de maneira preocupante. Há inúmeros problemas enfrentados pela população e órgãos responsáveis pelo abastecimento de água: sazonalidade de recursos hídricos (disponíveis no inverno, escassos no verão), poluição dos principais mananciais, tipo de solo presente na região não propício à infiltração, destruição das matas ciliares (vegetação situada nas margens dos rios), profundas alterações no meio ambiente, desperdício de água e tantos outros já discutidos exaustivamente pela comunidade científica atuante nessa questão. Não obstante, pouca importância se dá para a água subterrânea, pois em todo o mundo suas reservas superam as de águas superficiais. No Brasil, cerca de 50% das cidades são abastecidas por água subterrânea (estão nesse rol Belém-PA, Manaus-AM, Campo Grande-MS, Maceió-AL, Recife-PE, Natal-RN, João Pessoa-PB, Fortaleza-CE, São Paulo-SP, o maior usuário, e outras). Entre as inúmeras vantagens da utilização das águas subterrâneas, destacam-se: o baixo investimento e menor prazo de execução das obras com relação à exploração de água superficial, menor custo de operação e manutenção e menor impacto ambiental que o da estação de tratamento de água (ETA) além da possibilidade de exploração em função do grande pacote sedimentar existente no Estado do Acre (em média 400 m de sedimentos). Atualmente cerca de 60% dos poços de Rio Branco estão secos (levantamento da Secretaria de Meio Ambiente). Só que em sua maioria são poços rasos (cacimbas), o que para os leigos pode significar abastecimento de água subterrânea insuficiente. É comum os poços menos profundos secarem no verão, pois o nível do lençol freático (de água) é rebaixado nessa época. Há que se perguntar quem faz esses poços? Onde? Como? Qual sua profundidade? Pela forma inadequada de exploração da água subterrânea, não é rara a presença de poços próximos a fontes de águas poluídas, o que os torna sujeitos a produzir água contaminada. Normalmente ocorre a interceptação de água de fossas ou de vazamentos de redes de esgoto e mesmo que esses locais se situem à jusante do poço poderão contaminá-lo, pois com o bombeamento ocorre uma inversão do fluxo de água subterrâneo. Nesse sentido, é imprescindível a permanente avaliação da qualidade da água. Em Belém-PA, por exemplo, há dois grandes conjuntos de aqüíferos, um até aproximadamente 160m de profundidade e outro até 300m (o utilizado no abastecimento público e livre de interferências antrópicas superficiais). Apesar da presença de uma camada de ferro nos materiais em subsuperfície que promove contaminação por esse metal estações de tratamento de ferro são utilizadas e ainda assim tornam a exploração mais eficaz e barata que a de água superficial. No Acre, poderíamos ter problemas com a presença de gipsita (talco muito utilizado outrora na fabricação de giz escolar). Estudos realizados pela Embrapa Acre no âmbito do Zoneamento Ecológico-Econômico atestam sua presença de forma disseminada nos sedimentos da Formação Solimões (formação geológica predominante no Estado do Acre). Há também a possibilidade de encontrarmos água salgada, como aponta um poço profundo perfurado no Município de Acrelândia. Apesar desses possíveis empecilhos, nenhuma conclusão pode ser feita baseada em estudos superficiais dos recursos hídricos. Infelizmente nossa cidade carece de informações sobre as formações aqüíferas (obtidas por métodos de prospecção geofísica), levantamentos e ensaios, e técnicas adequadas na execução dos poços. Esse conjunto de iniciativas poderia sanar, ou pelo menos atenuar, o grande problema de escassez de água enfrentado pela cidade. * Geóloga, M.Sc., Pesquisadora Embrapa
Acre. |
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