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Uma praça em revolução

Prefeitura e governo devolvem à população um dos principais espaços públicos de Rio Branco

 


Carmela Camargo

Inaugurada na década de 20 ou 30 - a data precisa nem mesmo os mais antigos sabem dizer -, a Praça Rodrigues Alves, conhecida popularmente como Praça Plácido de Castro, era considerada o coração de Rio Branco. As acácias e as rosas dos seus belos jardins formavam um cenário perfeito para os passeios de casais apaixonados, mães e filhos, além de grupinhos que após a aula iam cortejar as mais belas naquela época.

Aos domingos, figuras importantes da sociedade e anônimas encontravam-se para ouvir a retreta tocada pela banda de música da Guarda Territorial, no coreto. A fonte luminosa era a atração. Luzes e cores em meio à água que jorrava em várias direções era o espetáculo.

Às 21 horas, um singelo aviso era dado: as luzes se apagavam por um instante, já era hora de a população se recolher, pois às 22 horas em ponto toda a cidade iria ficar às escuras.

Por muitos anos a praça continuou sendo um dos únicos pontos de diversão da população. Mas, a partir da década de 80, o local foi sendo tomado por vândalos, suas calçadas foram ocupadas por pequenos lanches, banquinhas de cigarros e banana frita. Até aves e suínos eram abatidos em plena luz do dia, sem a mínima condição de higiene.

O descaso dos administradores públicos contribuiu para o espaço perder seu encanto. “O que era orgulho dos rio-branquenses virou um dos locais mais temidos”, relatam os jornais da época.

A partir de 1993, quando Jorge Viana assumiu a prefeitura, o espaço passou a ser reordenado. A administração municipal fez uma ampla reforma e negociou a retirada dos ambulantes, instalando-os em outro ponto da cidade.

Nas administrações que sucederam Jorge Viana, tudo voltou a ser como antes: o descaso se instalou.

Ao assumir, em janeiro de 2005, a atual administração elegeu a obra como prioridade. Em parceria com o governo do Estado, encomendou projetos em escritórios de renome nacional para entregar à população uma praça à altura da revolução político-administrativa vivida atualmente no Acre.

É com esse sentimento revolucionário que o prefeito Raimundo Angelim e o governador Jorge Viana devolverão o espaço, agora chamado Praça da Revolução Coronel Plácido de Castro, para a população rio-branquense, na próxima terça-feira, 5, Dia da Amazônia, às 17 horas.

“Essa obra simboliza a revolução acreana e sua nova estrutura é um presente para a população do nosso município e para o Estado”, destaca Raimundo Angelim.

“Com esta obra, sinto-me realizado”, revela secretário

Sexta-feira de manhã, enquanto vistoriava a obra e acompanha os últimos detalhes para inauguração, o secretário municipal de Obras, Wolvenar Camargo, fez uma revelação à equipe de arquitetos que o estava acompanhado: “Com esta obra, me sinto realizado”.

Mineiro de Guaxupé, que escolheu o Acre para morar há 24 anos, Wolvenar Camargo, durante o período em que dirigiu a Secretaria Estadual de Obras, coordenou as principais obras realizadas pela administração estadual.

Sob sua coordenação foram executadas as obras do Parque da Maternidade, Memorial dos Autonomistas, restauração do Palácio Rio Branco, Praça Povos da Floresta e tantas outras.

Segundo o secretário, todas as outras obras executadas no centro da cidade têm a preocupação de resgatar e preservar a história acreana. “Essa segue o mesmo princípio”, garante Camargo.

O que foi feito na praça

Foi feita uma verdadeira revolução na praça. Da obra original, mantiveram-se apenas o coreto, a estátua de Plácido de Castro e as árvores.

As mudanças podem ser vistas a partir do piso em pedra portuguesa, cujas características de desenhos orgânicos se misturam com desenhos de várias etnias indígenas da região.

A praça, que tinha os canteiros em desníveis com o piso, parecia ser bem menor do que sua área de 10.998,30m².

As bancas que estavam deterioradas foram substituídas por bancas metálicas. Os antigos carrinhos de lanche darão lugar a quatro quiosques com oito lanchonetes, onde será a praça de alimentação.

O coreto foi restaurado e ganhou um pergolado em madeira.

A estátua passou por uma manutenção e ganhou um espelho d´água e iluminação decorativa.

Uma nova escultura do Herói Anônimo embelezará ainda mais o espaço.

A praça ganhou também 93 bancos de madeira com encosto, 21 unidades de madeira sem encosto, 36 lixeiras, 145 árvores, 143 postes e 223 pontos de iluminação indireta.

Um pouco de história

O local da praça era uma enorme capoeira onde a guarda territorial fazia treinamento de combate ficando uma turma de cada lado.

Onde hoje é a prefeitura havia uma penitenciaria e, onde antes existia um antigo posto de gasolina (frente a casa Zeque) era um igarapé que o população atravessava para ir ao Palácio do Governo que estava sendo rebocado. Não havia ruas, só caminhos por dentro do mato.

A planta da praça foi feita por um engenheiro argentino que encontrava-se em Rio Branco, como refugiado. Foi construída por exguardas territoriais, que trabalhavam dia e noite carregando barro em padiolas.

Os tijolos utilizados por eles eram feitos na cerâmica do governo, que ficava no hoje, bairro aeroporto velho.

“Nós plantamos uma carreira de palheiras de Jaci, mas morreram boa parte delas; plantas Pau D´Arco, Aguano. Depois veio o velho Tinoco, plantou mais um bocado. Quando foi inaugurada vieram as autoridades da época, o governador Guiomard Santos, fizeram discurso, apresentações. Naqueles tempos sentia-se a alegria nos rostos das pessoas; a Escola Normal ali em frente tinha sido recém-inaugurada e as normalistas enchiam a praça de azul e branco, a banda de música tocava as quintas-feiras e todo mundo sentia aquela confiança de estar guarnecido”, relata Sr. Anacleto Batista Barbosa, dono da barbearia no térreo da prefeitura, aos jornais da década de 80.

Jorge Viana e secretário inspecionam a obra

Para recuperar o principal espaço público do centro de Rio Branco, o governo do Estado e da prefeitura de Rio Branco investiram R$ 3.778.323,20, com recursos próprios.

Ontem, o governador Jorge Viana e o secretário municipal de Obras, Wolvenar Camargo, que representou o prefeito Raimundo Angelim, fizeram a última vistoria antes da inauguração. As obras começaram no último dia 2 de fevereiro.

O projeto foi concebido pelo escritório de Burle Max. Em declarações anteriores, o prefeito Raimundo Angelim classificou a construção como “o símbolo de todos os ícones acreanos” e de um “movimento incessante em favor do desenvolvimento sustentável de nossas florestas”.

Ao falar da praça, o prefeito costuma lembrar o passado de luta dos heróis acreanos, sempre citando Chico Mendes e a saga dos Autonomistas.

Durante a inspeção, o governador Jorge Viana voltou a comentar com Wolvenar que a obra faz parte de todo um conjunto de muitas outras que valorizam o sentimento de acreanismo. Como a Praça dos Seringueiros, ao Parque da Maternidade, à Praça Chico Mendes e outros conjuntos arquitetônicos que deram nova vida à cidade -alguns dos quais tiveram de ser construídos novamente por causa da destruição imposta pelos maus gestores que passaram pela Prefeitura depois de Jorge Viana e antes de Angelim assumir os destinos da cidade.

Plácido de Castro é nome adotado pelo uso popular

O fator mais importante da história da praça é de fato o “batismo” recebido da população: no momento em que o governador José Augusto mandou instalar a estátua do revolucionário gaúcho, o local foi espontaneamente denominado Praça Plácido de Castro. Em seus 11 mil metros quadrados que fazem parte da praça foram colocados 143 postes, 36 lixeiras, 223 pontos de iluminação indireta, 114 bancos e também foram acrescentadas mais de 200 espécies de árvores e arbustos.

A iluminação foi projetada pela arquiteta Ester Stiller, pioneira na arquitetura luminotécnica e responsável pela bea iluminação da Praça da Bandeira e do Mercado Velho, além das fachadas das lojas da Epaminondas Jácome. O sistema é programado por computador e parte das luminárias estará acesa das 18 à 1 hora da manhã e outra das 18 às 6 horas. Os postes muito altos foram retirados de modo que as plantas não receberam carga de luz vinda de cima. Os postes são menores que as árvores e recebem a contribuição de luminárias no piso e leds para ampliar a iluminação.

 
 
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Rio Branco-AC, 3 de setembro de 2006
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