OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

Florentina Esteves *

 

Eleiçoes

Eis chegado o dia de se definir o futuro político de nosso Acre. Inseguro ou confiante, cada candidato aguardará com ansiedade o resultado das urnas, hoje, eletrônicas, abreviando o prazo de espera do veredicto do povo. E acabou-se a euforia da propaganda nas ruas, bandeiras agitadas, cantorias, santinhos, e aquele “já ganhou” traduzido na expressão confiante dos cabos eleitorais. E a quem caberá a vitória?

A quem caberá? Temos três candidatos a prefeito, cada um com suas qualidades, sua plataforma eleitoral, prometendo, prometendo. Prometendo melhorias na cidade e para o povo. Fáceis de cumprir? Inviáveis? Só o futuro dirá. Também dirá a quem o povo escolheu para vereador, em função de suas promessas, ou porque é amigo ou compadre do eleitor, quem sabe se também em razão de seu partido, da oposição ou da situação. uma incógnita? Nem tanto. Nesta nossa cidade de muros baixos, o que não se sabe? Ainda somos quase uma província, e por tradição de família, ou por laços de amizade, não é difícil adivinhar em quem aquele nosso conhecido vai votar.

E o voto ético? Aí. esta o nó. Nem todos entendem, que votar não é troca de vantagens, não é barganha, mas dadas as dificuldades de vida daquele eleitor da periferia ou de colônias, que mora em barracos pendurados na beira de barranco, ou à margem de dejetos, ruas intransitáveis, sem água nem esgoto, infestadas de mosquitos e de lixo ou lama, pode-se esperar que ele entenda e pretenda alguma vantagem em troca de seu voto. Ate aquele eleitor de melhor situação social ou financeira, mais estudado, pensa em algum benefício ou proveito também, em troca de seu voto! Adianta escamotear essa realidade? Pois de tal forma essa mentalidade se instalou, que os próprios candidatos admitem oferecer aquela madeira, o emprego pretendido, cesta básica, consulta médica ou odonto1ógica, uma tal gama de favores que nem daria para citar todos aqui. E o que deduzir desse estado de coisas? Acho que deduziríamos duas premissas: 1) ainda não somos um povo politizado; 2) nosso país não superou aquele estágio de subdesenvolvimento que o eufemismo chama de país em desenvolvimento. E vamos em frente, lutando para melhorar nosso nível de vida, através dos meios que estejam a nosso alcance.

Agora chegou nossa vez de levantar nossa bandeira. Entendemos que para melhoria de vida de um Estado e de um povo, são necessárias muitas condições, dentre elas aquelas relativas à saúde, saneamento básico, moradia, transporte, alimentação, trabalho, lazer e educação. Então vou escrever a palavra conforme entendo sua importância: EDUCAÇÃO. Tudo aquilo que se pretenda oferecer ao povo esbarrará nessa premissa, caso ele não tenha tido acesso a ela. E este é um processo lento. Embora já tenhamos superado aquele estágio vexatório de alto percentual de analfabetos, ainda nos falta vencer muitas barreiras. Analfabeto não é apenas aquele que não sabe ler nem escrever. É mais que isso. Existe o analfabeto que apenas sabe ler, mas não interpretar o que soletra, o que gagueja. Então é preciso que se ofereça uma boa educação ao povo. E que não aconteça o que vi, o que eu mesma experimentei ao oferecer um de meus livros a uma adolescente, aluna da 4ª ou 5ª série: ela não sabia traduzir, interpretar o que estava escrito, e de tal forma essa sua deficiência era gritante, que ela jamais leu o livro, apesar de minha insistência. Que tristeza! E qual foi seu destino? Abandonou a escola; aquela escola que não logrou iniciá-la nas artes da leitura, aquela leitura que defendi em outra crônica, e veio engrossar a estatística daquelas adolescentes que engravidam cedo e caminham para a prostituição.

* Professora e Escritora

 

 
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Rio Branco-AC, 3 de outubro de 2004
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