ESPECIAL
   ENTREVISTA
Urnas acreanas revelam um campeão da política nacional

Tião Viana se torna o político mais votado da história do Acre e já está em campanha por Lula no segundo turno

Marcos Vicentti


Tião Maia e Flaviano Schneider

Reeleito com o terceiro maior percentual de votos na história do país, o senador Tião Viana (PT-AC), atual vice-presidente do Senado, já estava ontem, 24 horas após as eleições, em plena atividade. Sua agenda previa viagens aos municípios do Alto Acre e ao Vale do Juruá para, como o próprio senador anunciou, agradecer pessoalmente os votos dados a ele, ao governador eleito Binho Marques e aos deputados federais e estaduais da Frente Popular. No Juruá, o senador também vai se juntar à equipe que luta há meses no combate à malária na região. “Nossa luta é para que cheguemos ao mês de dezembro com a malária fora do núcleo urbano e com os índices na zona rural dentro de padrões aceitáveis”, disse. “Para mim, política é isso: é renovação de compromissos e debates intensos dos problemas da população fora do período eleitoral. Eu não falo de malária e da luta pela melhoria da saúde apenas dentro do período eleitoral. Saúde para mim é uma causa de vida.”

O senador também fala sobre o resultado da última eleição: “Agradeço em meu nome e em nome do Binho e dos nossos companheiros eleitos que disputaram cargos proporcionais porque essa será a essência do nosso mandato: o trabalho em conjunto com os parlamentares federais e estaduais em apoio ao futuro governo do Estado para que o Acre possa, cada vez mais, diminuir sua dependência dos repasses da União”, disse o senador, ao falar sobre as metas de seu segundo mandato. Para o senador, a campanha ainda não terminou - nas próximas horas, começa a luta pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, contra Geraldo Alckmin, do PSDB. Para Tião Viana, agora é o momento de os acreanos darem uma demonstração de força e agradecerem a Lula e ao governador Jorge Viana por toda a ajuda que o Acre e seu povo obtiveram ao longo dos últimos anos.

A seguir, os principais trechos de entrevista concedida ontem, no gabinete de trabalho da rua Chile, no Conjunto Habitasa.

Senador, como o senhor recebe essa votação que o coloca numa condição histórica do terceiro senador mais votado do país, perdendo apenas para Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, e João Vicente, do PTB do Piauí?

Tião Viana - Nesta festa democrática aqui no Acre, um momento de reconhecimento a este momento histórico que o Acre vive, em que todos somos irmãos e os desafios de manutenção da coerência e a responsabilidade na defesa dos interesses da sociedade e de defesa do Acre como um Estado do Brasil e não como um Estado de políticos egoístas e gananciosos. Eu tenho certeza de que os grandes desafios serão superados. Quanto a ser eleito com essa votação expressiva, penso que o povo acreano compreendeu o significado dessa grande união a favor do interesse da sociedade.

Qual o fator decisivo para as votações expressivas do senhor, do governador eleito Binho Marques e dos candidatos proporcionais da Frente Popular?

Tião Viana – Compreendo que isso se deve à maturidade política do povo acreano. Nosso povo demonstrou que está compreendendo o momento histórico que vivemos e os desafios que temos pela frente como também em relação às conquistas já estabelecidas. Penso que, aliado a isso, também tivemos o entendimento de que representamos um projeto político bem apresentado e que, por isso mesmo, faz bem à sociedade. Penso que foi esse reconhecimento que favoreceu a Frente Popular, que se apresenta como um projeto democrático, um projeto de Estado e que visa à redução das desigualdades e de prestação de serviço comunitário no seu sentido mais elevado.

O que decidiu a eleição?

Penso que a união entre Jorge Viana, que deu sua vida por este projeto, e o Binho, para fazer a transição com as mudanças necessárias, e a articulação de ampliação política sempre no campo ético da Frente Popular, caracterizada ainda pela entrada do César Messias e outros nomes que contribuíram efetivamente. Essa conjunção de fatores nos permitiu um avanço definitivo na democracia. Isso nos permitiu, ao mesmo tempo, derrotar aqueles que imaginavam poder vencer uma eleição no Acre com base no ódio, com a arrogância, com a ganância e com o abuso do poder econômico. Esses fatores foram, portanto, determinantes.

E como o senhor analisa o fato de o presidente Lula não ter vencido no primeiro turno, como apontavam as pesquisas?

Tião Viana – Para nós, isso foi um problema de natureza leve com o fato de o Lula não ter sido o mais votado no Estado, mas, com certeza, vamos ganhar com ele no segundo turno porque os acreanos hão de compreender que o melhor momento que o Acre vai viver será com Binho governador, com essa bancada federal eleita junto comigo e uma bancada estadual que dará sustentação tranqüila ao governo e com Jorge Viana ao lado do presidente Lula fazendo mais pelo Acre. Agora, será o voto de reconhecimento definitivo a tudo o que Jorge Viana fez e tudo o que ele ainda poderá fazer pelo Acre com o presidente reeleito. A eleição agora será de Jorge Viana contra as forças do atraso e de tudo de ruim que o Acre viveu.

Nesse segundo mandato, como será sua atuação?

Tião Viana – No primeiro mandato, o que mais favoreceu o Acre, através da minha atuação, foi o financiamento público. Ou seja, a vinda de recursos da União para ajudar o Acre na BR-364, para as obras estruturantes no setor de saúde, nos setores da educação e do desenvolvimento rural. Agora, com o apoio da bancada que elegemos, assim como fizemos no primeiro mandato, eu irei acelerar ainda mais esse desafio. Nós temos pela frente o desafio de implantação aqui no Acre do Hospital Sarah Kubitschek, a implantação da universidade em todo o Estado dentro deste programa de interiorização, da integração da BR-364 e a presença da industrialização definitiva do Acre para gerar empregos capazes de absolver a mão-de-obra da juventude acreana. É claro que vamos vincular a defesa desses interesses com o debate dos grandes temas do Brasil, como saneamento básico, ética na política e atualização da legislação brasileira para servir à sociedade e não aos políticos. A campanha vai entrar agora numa fase de intenso debate nos municípios, junto da população, para que o povo do Acre, com a maturidade que demonstrou no primeiro turno, possa dar uma vitória consolidada ao Lula. Eu acredito que, no segundo turno, ele vai passar dos 70%.

Com o senhor reeleito e com a eleição do governador Binho Marques, quais os avanços e em quais áreas a população pode esperar melhorias? Aliás, onde e como o senhor pretende avançar?

Tião Viana – Nós reconhecemos que no primeiro mandato os avanços foram fortíssimos como no caso do sangue e dos hemoderivados; no índice de cobertura vacinal, o Brasil tem 71%, a Região Norte tem 70% e o Acre, 72%. É claro que devemos avançar mais tanto na redução da mortalidade infantil, da mortalidade neonatal, em que o Acre avançou tanto. Temos o Hospital da Criança, do Câncer, Idoso, as novas UTIs, as reformas da nova Fundação Hospitalar, a inauguração do Hospital do Juruá, pronto e arrumado como o melhor da região, além dos hospitais nos municípios. Todos esses foram fatores determinantes para o reconhecimento da população materializado em tantos votos e em tanto apoio. Mas é claro que a população também sinalizou - e os gestores do sistema de saúde sabem disso - que nós temos que melhorar muito o atendimento humano a fim de garantir mais dignidade para as pessoas mais necessitadas. Para isso, vamos ter que melhorar a atenção básica, que é uma responsabilidade dos municípios, e melhorar o atendimento definitivo tanto nos centros e postos de saúde e nas unidades da família, bem como na rede hospitalar.

Na área de saúde, qual será sua meta para o segundo mandato?

Tião Viana – Da minha parte quero, além da melhoria acelerada e intensa na qualidade do atendimento, dois compromissos: a implantação do Hospital Sarah Into, que é o modelo Sarah Kubitschek de reabilitação, fisioterapia e procedimentos traumata-ortopédicos, e, paralelo a isso, implementar o programa de saúde da família rural. Penso que será um programa inovador no Brasil, que vai se somar ao Saúde Itinerante, que já está consolidado com mais de 200 mil procedimentos durante esses anos todos.

 

 
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Rio Branco-AC, 3 de outubro de 2006
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