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Novos sítios arqueológicos podem ter sido descobertos

Evidências encontradas em seringal e em projeto de assentamento podem ser a descoberta de mais dois sítios arqueológicos do Estado


Imagens de satélite mostram a localização dos sítios arqueológicos


Renata Brasileiro

Uma equipe composta por agrônomos e técnicos foi enviada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ao seringal Barro Alto, na Estrada Transacreana, a 25 quilômetros de Rio Branco.

Lá, a equipe faria um levantamento da área para que o órgão realizasse mais tarde uma desapropriação das famílias que habitam a colocação. Mas o trabalho acabou indo além do previsto. É que, segundo o agrônomo Henrique Santana, indícios de geoglifos foram identificados na área, através de satélite, e a providência prioritária deixou de ser a desapropriação para ser uma vistoria mais detalhada dos desenhos circulares encontrados no solo.

“Se for confirmado que os desenhos tratam de geoglifos mesmo, é preciso que o Estado tome uma iniciativa rápida, para evitar que o local seja danificado”, declarou.

Santana é agrônomo, mas tem grande experiência em sensoriamento remoto, tendo ajudado a identificar outros geoglifos no Estado. Pela semelhança, ele diz que a sua conclusão já foi tirada: “É um geoglifo”.

Os agrônomos Helen Ferraz e Jailson Dias estavam junto com o colega no momento da descoberta dos desenhos. Todos acreditam tratar-se de um novo sítio arqueológico no Acre.

Antes de retornar da missão no seringal, a equipe fotografou a região para auxiliar especialistas na pesquisa sobre a colocação. O material associado a uma próxima visita mais específica pode levar ao conhecimento do que teria acontecido naquela área, bem como há quantos anos houve uma habitação por povos antigos que deixaram tais marcas. “Alguns geoglifos são datados de 600 depois de Cristo. Não sabemos se este é tão antigo. É preciso pesquisar”, reforçou Santana.

Semana das descobertas

No domingo, uma descoberta semelhante foi feita em Brasiléia, durante uma visita de uma equipe de pesquisas ao projeto de assentamento Quixadá na associação Senador Kairala José Kairala, BR-317, Ramal do 17.

Segundo informações do geógrafo Eduardo Silva, a visita a campo teve como objetivo a coleta de informações e imagens sobre um suposto sítio arqueológico da Revolução Acreana que pode ser evidenciado dada a presença marcante de uma trincheira formada por pedras retiradas das margens do rio Acre e estrategicamente posicionada em um ponto de aclive com visual tanto para as áreas brasileiras quanto para as áreas de fronteiras com a Bolívia. O geógrafo acredita que a trincheira poderia ter sido utilizada por tropas bolivianas como ponto de defesa para conter o possível avanço do Exército acreano que subia para o Alto do Rio Acre onde ocorreram confrontos marcantes como o do igarapé Baía, em Brasiléia.

Na área de trincheira e nas proximidades foram encontrados um capacete em aço, rifle, partes de munição e tachos em ferro que demonstram a presença de atividades humanas.

 
 
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Rio Branco-AC, 3 de dezembro de 2006
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