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| Cursos do Sebrae no Juruá atraem freiras empreendedoras do Amazonas |
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As religiosas vendem plantas e ervas medicinais nas cidades amazonenses de Eirunepé e Envira. Irmã Raquel, a mais jovem, conta que ouviu falar no curso “Vender Mais e Melhor”, ministrado no Sebrae de Cruzeiro do Sul no Acre e convidou a colega, a irmã Francisca Maria, que trabalha em Envira, para participar. As horas de viagem de embarcação pelos rios até Cruzeiro do Sul, não desanimaram as duas freiras empreendedoras. Na sala de aula com mais 30 colegas, no Sebrae de Cruzeiro do Sul, as freiras chamam atenção. Irmã Raquel diz que entre outras coisas, aprendeu a formar preço e a valorizar e organizar adequadamente a variedade de itens que tem na loja de Eirunepé. E o mais importante: o bom tratamento dispensado ao cliente é fundamental para o sucesso do nosso negócio porque as plantas e remédios caseiros ainda não são 100 por cento aceitos. “O que aprendi posso repassar para as mulheres que trabalham conosco”, explica. E como o curso também desperta as idéias empreendedoras dos participantes, irmã Raquel, já decidiu: em 2007 vai abrir um ateliê de costura para empregar as mulheres da comunidade e vender roupas mais baratas para a população carente de Eirunepé. “Lá não tem comércio de roupa popular, então é a oportunidade de começar um negócio sem concorrência e que beneficie muita gente”, planeja a religiosa. Artesanato “para o futuro” Na sala de aula, um garoto franzino de 15 anos de idade é o mais jovem do curso “vender mais e melhor”, ministrado pelo Sebrae para artesãos do Vale do Juruá. José Roscele Oliveira, mora no bairro do Remanso em Cruzeiro do Sul e faz parte da Pastoral da Criança. Junto com outras três pessoas e a mãe, José Roscele, aprendeu a fazer artesanato de sobras de papel, fibra da bananeira e sementes. Eles foram financiados pela Lei de Incentivo à cultura do governo do Estado. Hoje as agendas, porta retratos, álbuns de fotografia e outros itens, são comercializados em livrarias de Cruzeiro do Sul. Às terças-feiras, os produtos são expostos no Campus da Universidade Federal do Acre. O garoto leva a atividade á sério. “Quando fiz o primeiro objeto e consegui vender nem acreditei. Mas hoje sei que o artesanato é meu futuro e de minha família. Podemos viver disso, fazer nossa vida vendendo o artesanato sem ter que pedir, ver meus irmãos passarem necessidade. Não é um passa tempo, é um trabalho sério que dá dinheiro pára nosso sustento”, argumenta o jovem artesão cruzeirense José Roscele Oliveira, de 15 anos de idade. BIOJÓIAS SÃO VENDIDAS EM BUTIQUES Com a profissionalização do artesanato do Vale o Juruá, as peças, principalmente as bijuterias, ganharam status de biojóias e hoje são vendidas em butiques chiques do Acre. É o caso das peças da artesã Silvângela Maria da Silva. Os vestidos, camisas e camisetas de grifes mundialmente famosas da butique Íris Tavares de Cruzeiro do Sul, ganham toque especial com colares, pulseiras e brincos de sementes de açaí, mulungú, paxiubão, mucuna e fibra de buriti. O rústico e o elegante que se completam. “Nosso artesanato era visto como uma coisa de hippies, que poucas pessoas usavam”, lembra ela. Acreditando no próprio potencial e criatividade Silvângela passou a buscar cursos para melhorar a qualidade das peças que fazia. No Sebrae encontrou o que procurava: peças mais delicadas e elegantes. “Para a Íris faço peças exclusivas e mais chiques. Sinto-me orgulhosa de ver meus colares e brincos junto com estes vestidos de grife. O que antes era bijuteria de semente agora é biojóia e valorizado como tal”, relata Silvângela. RESPEITO AO MEIO AMBIENTE As fibras, sementes, galhos, o que a natureza não aproveita, se perderia na mata. Mas é nos colares, pulseiras, fecho de agendas que todos os resíduos da mata são aproveitados, gerando emprego e renda para centenas de famílias no Juruá. As mulheres artesãs do Rio Crôa, são exemplo de aproveitamento da natureza com inteligência. Por meio de cursos do Sebrae, aprenderam a utilizar as fibras do carrapicho, uma erva considerada praga nos campos, e do buriti. As cores para as peças são retiradas de pigmentos naturais da mata, como a casca do cedro, o urucum e outros. “Não destruímos nada da floresta para fazer nossas peças, usamos o que se perderia”, explica dona Francisca Nazaré Teixeira, artesã do Rio Crôa. SEBRAE E O ARTESANATO O projeto de artesanato do Sebrae trabalha com cerca de 100 artesãos em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves e localidades do Rio Crôa e Nova Cintra. Há o grupo de fibras e o de sementes. Os artesãos do Rio Crôa se destacam pela produção de cestaria, capa de almofadas e outros utensílios feitos com fibras de buriti e carrapicho. Com biojóias de sementes há vários grupos trabalhando. Hoje todos trabalham em forma de associação. A gestora do projeto de artesanato do Sebrae de Cruzeiro do Sul, Láis Mappes, diz que além da beleza e elegância que o artesanato ganhou por meio da capacitação constante dos artesãos, outro pronto forte do projeto é o associativismo. Três associações foram formadas depois do início do projeto “Eles entenderam que juntos são mais fortes para comprar mais e mais barato, participar de feiras, buisacr crédito e projetos. A cada dia mais artesãos nos procuram querendo fazer parte do grupo”, explica Laís. Em 2007, novos grupos deverão ser formados. |
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E x p e d i e n t e : |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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