COTIDIANO

Banco da Amazônia inova na avaliação de impacto ambiental

 


Ao longo deste ano, o Banco da Amazônia (Basa) deverá ampliar ainda mais a atenção que confere à parte ambiental dos projetos financiados pela instituição na área rural, com a implantação do Sistema de Análise de Impacto Ambiental (Sisimpacto), que funcionará como um instrumento de apoio à gestão empresarial no quesito respeito ao meio ambiente.

O Sistema não vai interferir na parte das exigências legais na área ambiental, que continuam a ser as mesmas, com a obrigatoriedade de licenciamento ambiental pelas Secretarias Estaduais de Meio Ambiente (Sectam) ou do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), segundo a peculiaridade do projeto. “O objetivo é outro: orientar os empresários a atingir a excelência na gestão ambiental, de modo a tornar a produção mais eficiente e também melhorar a rentabilidade dos empreendimentos”, explica o engenheiro agrônomo Walter Cassiano Ferreira, mestre em Economia Rural/Agronegócios, consultor especial da presidência do banco e coordenador do grupo técnico que elaborou o Sistema.

O trabalho de análise ambiental dos projetos será feito pelos técnicos encarregados pelo banco para fazer a análise econômica dos empreendimentos. “Eles serão treinados para avaliar, igualmente, os procedimentos adotados para melhorar, por exemplo, o aproveitamento de resíduos, a redução da emissão de poluentes e a melhor utilização da matéria-prima”, salienta Walter Cassiano.

A adoção de tais procedimentos pelas empresas terá que começar ainda na elaboração dos projetos, por técnicos credenciados na área privada ou por órgãos estaduais de assistência técnica e extensão rural e pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). Com isso, acentua o consultor especial do banco, a variável ambiental passará a ser ainda mais valorizada e os empreendedores estimulados a aumentar seus investimentos na sustentabilidade do processo produtivo.

Além disso, o Sistema de Análise de Impacto Ambiental propiciará ao Banco da Amazônia condições de desenvolver estudos para definir mecanismos de incentivo a tais empreendimentos, envolvendo redução de juros, aumento dos limites de financiamento e outras condições operacionais atraentes.

Aliás, destaca Walter Cassiano, o banco há vários anos, como signatário do Protocolo Verde, deixou de financiar empreendimentos que adotam práticas consideradas prejudiciais ao meio ambiente. É o caso, por exemplo, de projetos que pratiquem desmatamento, mesmo dentro do limite legal de 20% da propriedade. Em contrapartida, o reflorestamento e manejo florestal sustentável ganharam linhas de crédito específicas no banco.

Outro exemplo de atividade não mais financiada pela instituição é a pecuária extensiva, a qual exige grandes extensões de terra para a formação de pasto. Por outro lado, tem crédito assegurado a pecuária intensiva, que adota tecnologias ambientalmente compatíveis e que possibilitam o reaproveitamento de áreas já alteradas ou degradadas, como é o caso do sistema de pastejo rotacionado, que permite, com ganhos de produtividade e melhor controle nutricional e sanitário, uma densidade muito maior de animais por hectare.

 

 
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Rio Branco-AC, 4 de fevereiro de 2005
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