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| Ensino superior chega às comunidades mais isoladas Parceria entre governo do Estado e a Ufac permitirá formação universitária para professores da zona rural, inclusive em municípios como Santa Rosa e Jordão |
![]() Governador Jorge Viana disse que a assinatura dos convênios talvez tenha sido o ato mais importante de todo o seu governo |
Mais 3.200 professores das redes municipal e estadual que trabalham na área rural e em localidades de difícil acesso terão a oportunidade de cursarem o terceiro grau, o chamado ensino superior, lá mesmo nas comunidades onde atuam. A medida faz parte do programa especial de formação de professores para a educação básica da área rural de municípios de difícil acesso, uma iniciativa do Governo do Estado em parceria como a Universidade Federal do Acre (Ufac), que visa melhorar a qualificação dos professores da área rural. Trata-se de um investimento da ordem de R$ 15 milhões que permitirá que em quatro anos os professores possam se formar em Biologia, Letras/Espanhol e Matemática. No caso do curso de Economia, 80% das vagas estarão destinadas a jovens que estão saindo do segundo grau nas escolas públicas dessas localidades. O anúncio foi feito ontem, no Palácio Rio Branco, pelo governador Jorge Viana ao reunir o reitor da Ufac, professor Jonas Filho, e o secretário de Educação e vice-governador do Estado, Arnóbio Marques, o “Binho”, para a assinatura do convênio a partir do qual o programa entrará em funcionamento. A previsão é de que o vestibular para os cursos de Biologia, Letras/Espanhol e Matemática ocorra ainda este mês e as matrículas para os aprovados, em março. Para o curso de Economia, o vestibular deverá ser realizado em agosto porque o Conselho Universitário ainda está estudando mecanismos para permitir que a maioria das vagas do curso seja acessada por jovens recém-saídos do ensino médio. A partir do convênio a Ufac terá presença em todos os municípios do Estado, inclusive naqueles de difícil acesso como é o caso de Marechal Taumaturgo e Porto Walter, no Alto Juruá, Santa Rosa, Jordão e Manuel Urbano, no Vale do Yaco, e Assis Brasil, no Alto Acre. O programa faz parte de um plano de melhoria da qualidade da educação que vem sendo desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação (SEE) desde 1999, que começou com o programa “Pro-formação” e que capacitou 1.600 profissionais do magistério. Em 2001, o programa expandiu-se para o curso de formação de professores para a formação básica de zona urbana, que formou dois mil docentes em 2004, em diversas áreas do ensino. Na terceira etapa do programa, agora em março, a formação em Pedagogia vai graduar 2,8 mil docentes de Rio Branco e do interior. “O que está acontecendo aqui é segunda revolução no Acre. A primeira, aquela de 100 anos atrás, quando os acreanos lutaram, com a força das armas para estabelecer seu destino, e esta agora, pela força do conhecimento e do ensino”, disse o professor Jonas Filho durante a concorrida solenidade de assinatura do convênio. A solenidade reuniu pelo menos 600 pessoas no Palácio Rio Branco. Eram, além dos professores e outras autoridades da área educacional, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores que vieram de todos os municípios testemunhar aquilo que foi saudado inclusive pela presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), Alcilene Gurgel, como a maior obra social do atual Governo. “Esse programa atende às reivindicações do nosso Sindicato e de todos os trabalhadores em educação. A formação é importante porque os professores, além de ampliar seus conhecimentos, podem adquirir melhores salários”, disse Gurgel. “A faculdade para a zona rural sempre foi um sonho antigo para os trabalhadores que atuavam em locais de difícil acesso e com isso todos saímos ganhando. A população, que terá mais oportunidade de conhecimento, o nosso Sindicato, que tem sua luta reconhecida, e o próprio Governo do Estado, que foi sensível ao problema e que está concedendo mais essa oportunidade para que os trabalhadores em educação tenham uma formação melhor”, acrescentou a presidente do Sinteac. “Nenhum Estado ou país muda se a educação não for uma prioridade”, diz Jorge Viana O governador Jorge Viana chegou a se emocionar ao falar da implantação do programa. Lembrou que, ao assumir o Governo, em 1999, em pelo menos nove municípios do Estado não tinha o ensino de segundo grau, o ensino médio, nem mesmo nas sedes dos municípios. “E agora, depois de implantar o segundo grau em localidades como Restauração e Foz do Breu, as comunidades mais isoladas do Estado, nós estamos chegando com o ensino de terceiro grau, com curso superior, nessas localidades”, disse o governador ao lembrar que esse programa pode ter sido pensado de alguma forma muito antes de sua eleição para o Governo, em 1998. Jorge Viana contou que, naquela época, provavelmente inspirado no então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que percorria o Brasil com as chamadas caravanas da cidadania, ele, candidato a governador do Acre, resolveu percorrer as regiões mais isoladas do Estado, como a do Icuriã, uma faixa de terra habitadas por seringueiros entre os municípios de Sena Madureira e Assis Brasil, e nas cabeceiras de Tejo, a um dois dias de viagem de barco acima do município de Marechal Taumaturgo. “Chegaram a dizer que eu era doido. Um candidato a governador que, ao invés de se reunir nas cidades, onde havia muitos votos, se meter nas entranhas do Acre, onde havia poucas pessoas e muitas delas que nem mesmo votavam, só sendo uma loucura”, detalhou Jorge Viana. “Só que foi numa dessas viagens que eu encontrei a Márcia, uma moça lá do Icuriã, que me contou que repetia, pelo terceiro ano seguinte, a quarta série do ginásio porque lá não havia ensino além disso. Ela me disse: eu repito porque não posso e não quero parar de estudar. Foi ali que eu decidi que, se chegasse ao Governo, levaria o ensino de grau a essas localidades. E hoje, olhem só o que estamos fazendo? Estamos levando o ensino superior para até essas áreas”, afirmou. Jorge Viana afirmou ainda que, das grandes obras de seu Governo, o lançamento deste programa é a maior delas. “Penso que, daquilo que planejamos de desenvolvimento para o Acre, esta é a ação mais importante que a gente está conseguindo realizar e tornar realidade porque se tratam de investimentos na área de educação. Nenhum município, nenhum Estado ou um país muda párea melhor se a educação não for uma prioridade”, disse. “E nós não estamos apenas dizendo que a educação é uma prioridade. Nós estamos mostrando que a educação está sendo priorizada. Para nós, a educação é tudo, como diz a mensagem de uma emissora de TV. E nós estamos procurando fazer tudo pela educação. Um exemplo é o fato de que o Acre hoje tem o melhor salário de professor do país e tem o mais ousado programa de formação de professores e de professoras do Brasil. Nós temos também um forte programa de erradicação do analfabetismo”, acrescentou. O governador lembrou que isso só está sendo possível porque a gente tem apoio dos sindicatos, dos deputados estaduais e da bancada federal e dos nossos senadores, que está fazendo da educação uma prioridade. “Mas temos também o apoio da sociedade. Então, envolvendo prefeitos, vereadores e todas as pessoas que querem um Acre melhor, nós estamos vencendo. Hoje, eu estou anunciando algo que não muda só o nosso Governo. Muda a história do Acre, Definitivamente, depois disso, o Acre não será mais o mesmo. E não será por conta da formação do nível superior e da faculdade que a gente está implantando com essa parceria que tem sido fundamental, que é a Universidade Federal do Acre”, disse. Para o governador, a transformação de uma sociedade só vem com o conhecimento. “A maior e melhor herança que um pai sonha em deixar para um filho é a educação. Eu tenho duas filhas e também sonho isso. Todo pai sonha isso e aqui era até proibido um pai sonhar em poder passar educação para seus filhos no interior do Acre. Com muito esforço, nós vamos passar a ser o primeiro Estado do Brasil a ter faculdade em todos os municípios. Vamos abrir 700 vagas para que nossos jovens, aqueles saídos do segundo grau, possam estudar Economia. Isso é uma verdadeira revolução”, disse o governador. Tião Viana afirma que programa faz parte de uma revolução silenciosa O programa que levará ensino superior às comunidades rurais mais isoladas traduz a maior marca do governo Jorge Viana, a de um novo paradigma de que a vida pode ser transformada a partir da política. A avaliação foi feita pelo senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, ao ressaltar que a política é uma atividade bonita quando feita com base em valores éticos. “O novo paradigma no Acre é que a política chegou de forma bonita. Este é o melhor aprendizado que a gente pode ter deste Governo”, afirmou o senador. Segundo ele, para um cidadão de bom juízo, o momento de maior alegria é quando nasce um filho. “Aqui no Acre, como programas como este, estão nascendo gerações. “O que está acontecendo aqui é uma revolução sem armas. Em muitas partes do mundo, vários povos tiveram que pegar em armas para tentarem implantar programas como este, que estamos criando com a solidariedade e as parcerias necessárias”, acrescentou. De acordo com o senador, o programa do governo do Estado tem conexão com o projeto educacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acaba de criar mais nove universidades públicas no país, inclusive a Universidade da Floresta, no Acre. “Um governo que alfabetizou 2 milhões de pessoas mostra que muita coisa está mudando. O Brasil, antes do governo Lula, não era um país para pobre”, afirmou. “Eu tenho muito orgulho de fazer política neste Estado junto com meus companheiros de bancada federal e de ter podido contribuir para que programas como este se tornassem realidade”, afirmou Tião Viana. Prefeitos se preparam para novos tempos no interior “Hoje eu me sinto um astronauta. Estou no topo do mundo”, disse ontem, no Palácio Rio Branco, o prefeito de Jordão, Hilário Melo (PT), ao falar, visivelmente emocionado, em nome dos prefeitos dos municípios isolados, sobre o programa de ensino superior nas regiões mais distantes do Estado. “Seu” Hilário, de 63 anos, tem a exata medida do que significa o acesso ao ensino, principalmente em nível superior, em municípios como o seu, onde a grande maioria da população é composta por índios que não tiveram acesso à escola regular. O prefeito vem a ser pai do procurador estadual Francisco Armando de Figueiredo Melo, recém-empossado, que passou em primeiro lugar num concurso em que as vagas foram disputadas por candidatos de todo o país. “Meu filho sempre estudou escola pública e chegou a uma posição importante. O meu desejo é que, a partir de agora, outros jovens de Jordão possam sonhar em seguir o caminho do meu filho”, disse o prefeito. A prefeita de Brasiléia, Leila Galvão (PT), professora de profissão, disse que o programa contempla as aspirações do conjunto dos trabalhadores em educação. “No Acre, na área de educação, temos salários dignos e boa estrutura. Só faltava este programa de formação continuada que agora nos permitirá a sonhar com formação universitária”, afirmou. O prefeito de Porto Walter, Neuzari Pinheiro (PT), também lembrou que programas como este só estão sendo possível em função da responsabilidade política do atual Governo. “Governos anteriores pareciam querer o povo cada vez mais analfabeto. Era uma forma de manter o povo no cabresto, como massa de manobra. O atual Governo age diferente: defende e pratica a liberdade à medida que busca meio de homens e mulheres se libertarem da escuridão do não-saber”, afirmou. O prefeito de Santa Rosa do Purus, José Altamir de Sá (PT), diz que retornará a cidade, neste final de semana, muito orgulhoso. “Vou poder dizer a minha comunidade que seus filhos terão oportunidades que eu nunca tive: a de poder fazer um curso superior lá na cidade onde vivemos”, afirmou. Deputados que integram a bancada da educação na Assembléia têm trabalho reconhecido A deputada Naluh Gouveia (PT), outra professora de profissão e ex-presidente do Sinteac, emocionou-se ao lembrar de antigos companheiros de seu partido e de atuação profissional que tornaram possível a criação de programas como este. Ela elogiou o programa porque, como disse, as pessoas da cidade não têm a dimensão do que é viajar até 80 quilômetros por dia, nas piores condições possíveis, só para estudar. “Poder estudar no lugar em que vive, ainda que seja numa comunidade distante e isolada, é algo que a gente só pode sonhar porque estamos no Governo”, afirmou. Os deputados Moisés Diniz e Edvaldo Magalhães, ambos do PC do B, também integram na Assembléia a chamada bancada dos que lutam por melhores condições na educação. “É claro que a nossa bancada de apoio na Assembléia nos ajudou muito, mas é preciso reconhecer que esses três deputados, Naluh Gouveia, Edvaldo Magalhães e Moisés Diniz, botaram suas vidas neste projeto da educação. E isso não é pouco”, reconheceu Jorge Viana. Depoimentos “Eu, que me formei pela Ufac e agora estou me
preparando para fazer mestrado na instituição, trabalhei,
de forma dura, com o apoio do Tião Viana e dos deputados federais
que nos ajudam para colocar dinheiro na Ufac que permitisse a criação
de programas como este. É por isso que, nos futuros embates políticos
e eleitorais, nós não temos medo de enfrentar quem quer
que seja porque temos história como esta para contar.”
– Sibá Machado, senador da República (PT). “Sou de Porto Walter, um dos municípios mais isolados do Acre. Sou testemunha de que muitas moças, se queriam fazer o segundo grau ou sonhar com alguma condição mais elevada, tinham que sair dali, deixar a família para trás. Muitas iam ser empregadas domésticas em Cruzeiro do Sul. Histórias assim aconteciam em outros municípios. As famílias eram apartadas por conta dos estudos. E agora, saber que os jovens, que já tinham o segundo grau, vão ter acesso ao ensino superior, me enche de orgulho em saber que pude contribuir um pouco com isso. Estou muito feliz” – Perpétua Almeida, deputada federal (PC do B). “Eu não tive oportunidade de prosseguir nos estudos exatamente por falta de um projeto como este em Brasiléia, onde nasci. Saber que os filhos da minha geração não terão essa dificuldade me traz não só alegria como a certeza de que valeu a pena participar deste projeto.” – Zico Bronzeado, deputado federal (PT-AC) |
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