OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

José Augusto Fontes

 

Futebol acreano em outros campos

1,2,3 o Vila é freguês! É a torcida do Goiás gritando dentro do estádio Serra Dourada, aos 44 minutos do 2º tempo, no domingo, dia 28 de Janeiro, quando o Goiás marca com Johnson o terceiro gol diante do Vila Nova, que não marcou no jogo. Os outros dois gols foram marcados no 1º tempo, ambos por Welliton, aos 6 e aos 46 minutos. O jogo foi em Goiânia, mas também aqui o futebol acreano brilhou.

O melhor do jogo foi ver o acreano Doca Madureira, de 22 anos, vestindo a camisa 10 do Goiás e jogando bem, com participação decisiva no jogo e com várias jogadas de craque, de efeito e de habilidade. No primeiro gol, Madureira avançou pela direita e chutou forte, cruzado, obrigando o goleiro Vinícius a espalmar, e daí adveio o chute de Welliton, com o pé direito, abrindo o placar. Depois, aos 18 e aos 21minutos do 1º tempo, Madureira fez boas jogadas e chutou com perigo para o gol, obrigando o goleiro a fazer boa defesa no primeiro chute. E a rezar no segundo, pois a bola bateu na trave. Aos 39, Doca deixou Johnson livre embaixo da trave, mas este errou o chute. Antes do meio do 2º tempo, Madureira cansou e foi substituído, mas a estrela já havia brilhado. Ele, que já jogou em bons times no Brasil e no exterior, apesar de pouca idade, saiu sorrindo e foi aplaudido pela torcida verde (maioria dos 15 mil presentes), com destaque para um grupo de uns sete acreanos, no qual me incluo.

Nós que no domingo anterior vimos o Vila Nova do bom Alex Oliveira brigar até empatar com o Atlético Goianiense no último minuto de jogo, esperávamos muita dificuldade para o Goiás, mas o acreano facilitou as coisas. Doca batia os escanteios, chamava as jogadas e organizava os ataques, empolgando os acreanos sentados nas cadeiras, que vibravam emocionados. Toda a torcida verde viu ali a promessa de um novo ídolo. No dia seguinte, os jornais de Goiás o elogiaram.

Nós que o vimos em ação com a camisa 10 esmeraldina, podemos afirmar que Madureira é um craque. Em breve, aquela camisa 10 deverá ser usada por Petkovich, mas não é difícil prever que a juventude e a técnica do craque acreano vão ser destaque na linha de frente esmeraldina. Das tribunas, Pet viu Madureira em ação e deve ter sentido uma invejazinha. Que sabe, o verde dessa esperança pinte grandes lances em outras serras, levando-o à comissão de frente do futebol. Quem sabe...

Assim como Doca Madureira, outros acreanos já brilharam em grandes centros do futebol brasileiro e internacional. Agora, que nosso futebol ganha grande incentivo com a participação importante de equipes do interior no campeonato acreano (o atual campeão é a Adesg, do município de Guiomard Santos) e com a construção de dois novos e bons estádios, resta torcer para que o Acre revele ainda mais cedo muitos outros grandes talentos nesse esporte que sempre nos causou alegrias e orgulho.

Foi assim quando Juventus e Rio Branco foram campeões em torneios como o Copão da Amazônia e Copa Norte. Como quando o Dadão esteve no Fluminense do Rio de Janeiro. Ou quando o Arthur jogou em vários bons times do futebol brasileiro e mundial. Agorinha mesmo, há vários acreanos correndo atrás da bola do mundo. Nossa vaidade espera, nossa categoria vai driblando, com efeito. E enquanto mais revelações não chegam em grande escala, vamos torcer para que o Doca Madureira suba às alturas do Serra Dourada e de lá ganhe o mundo, a grande bola do mundo.

 

 
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Rio Branco-AC, 4 de fevereiro de 2007
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