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Boteco vira pub com investimentos gerados com a venda de buchada Bar dos Papudos funcionava há 13 anos em casa de madeira no Bosque |
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A nova casa tem o pé direito de três metros, o que mantém longe da cabeça o calor do telhado de eternit e deixa a brisa circular mais à vontade. O balcão em formato de L esticou e ganhou novos tamboretes. É uma versão acreana dos pubs britânicos com direito a mesa de sinuca e duas TVs – com a necessária divisória - para evitar choque entre flamenguistas e tricolores. Os banheiros, coisa rara nos botecos de todo o Brasil, continuam limpos e perfumados. Da casa antiga, os Papudos não esqueceram de trazer os três par de chifres, um de boi e dois de veado-mateiro, decoração tripudiada pela diversificada freguesia que não arreda pé no balcão de domingo a domingo. A transferência para casa própria tem o significado de um diploma de persistência para o trio que comanda o bar – Maria Divina Araújo dos Santos, a Divina, Maria das Graças Maciel, a Papuda e Gelcimar da Cunha, o Gel. Divina, neta de um seringueiro que veio ao Acre no início de sua história, nasceu em Ituiutaba (GO). Ainda criança, mudou com o pai para a cidade dele, Angico (RN), onde trabalhou como bóia fria. Veio com o pai conhecer o avô no Acre nos anos 70 trazendo dois filhos e foi ficando, sempre fazendo serviço pesado. Trabalhou em um matadouro lavando bucho e, mais tarde, junto com a Papuda, montou banca no Mercado Novo para vender peixe, mais precisamente, bodó. Não imaginavam que a pensão, que abriram em 1994 para vender caldos e prato-feito, fosse se transformar no prestigiado Bar dos Papudos. “Eu comecei a chamar o pessoal de papudo e eles davam o troco me chamando de papuda. Aí ficou bar dos papudos”, conta Papuda. O movimento começa no café da manhã quando Divina e Papuda, além de pilotar o fogão, passam roupas para uma extensa freguesia dos arredores. A clientela quebra o jejum enquanto Gel esfrega o chão. Feita a faxina e dispensados os fregueses do café, é hora de começar a preparar os salgadinhos. A equipe se divide entre o balcão, o fogão e a massa. A partir das 11 horas, o almoço começa a ser servido. Além do trivial filé com saladas ou galinha, o bar serve diariamente panelada, rabada e buchada de bode. A clientela é das mais variadas. Em 2006, a diretoria do Atlético Acreano encomendou uma dieta especial para nove craques que trouxe de fora e que não engrenavam. O presidente Humberto achava que era a barriga vazia, mas verificou-se depois que o problema era nas pernas mesmo. Depois de pronta, às 11 horas, a comida é servida até acabar. “A cozinha não fecha nunca. É só pedir que a gente esquenta o feijão com arroz”, informa Gel. Divina, com sua extrema simplicidade, costuma dizer que jamais conseguiria comprar um imóvel para o bar se não contasse com a contribuição dos amigos. “Recebi muita ajuda, graças a Deus tenho amigos”, festeja. Mas, um dos contribuintes minimiza. “Os amigos não entraram nem com 10%. O mérito é do trabalho deles”. Onde Fica – Entre a Eletroacre e o 4º BIS |
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