COTIDIANO

“Caos” no trânsito de Rio Branco

Ruas e avenidas da capital acreana parecem não mais comportar o grande fluxo de veículos

 

Whilley Araújo

Quem trafega diariamente pelo centro de Rio Branco, principalmente nos horários de pico, já percebeu a grande dificuldade que se tornou transitar pela cidade, seja de carro, moto ou a pé. Com uma frota de veículos que cresce em média 13% ao ano, as ruas da capital acreana parecem não mais comportar o grande fluxo.
Na Floriano Peixoto, por exemplo, entre 11h30 e meio-dia e meia, os condutores enfrentam longos e demorados congestionamentos nas proximidades do Instituto São José. Além da grande quantidade de veículos na pista, motos e carros mal estacionados prejudicam a passagem de motoristas e pedestres no local. Lá, muitos automóveis permanecem dezenas de minutos para se deslocarem da distância de um semáforo a outro, especialmente em dias de semana.

Outro ponto crítico está localizado próximo ao Senadinho, principalmente por conta das obras que estão sendo feitas na avenida Benjamim Constant. Vale ressaltar que apenas uma das pistas da via está funcionando, e a área congrega várias secretarias do Estado, escolas, inúmeros estabelecimentos comerciais e os dois parlamentos: municipal e estadual.

A Marechal Deodoro, avenida que é passagem obrigatória para os veículos que se deslocam do Segundo para o Primeiro Distrito da cidade, assim como os que circulam no centro da capital, também é um ponto que causa transtorno nos horários de grande movimento.

Nessa área o fluxo é intenso a todo momento, onde o principal agravante acaba sendo a falta de consciência dos condutores. Eles insistem em parar em cima da faixa de pedestre e usar a calçada como estacionamento, o que irrita a população.

O desrespeito ao Código Brasileiro de Trânsito já se tornou algo comum em Rio Branco, e os cidadãos se sentem impotentes, cobrando mais empenho por parte dos órgãos responsáveis pela fiscalização do trânsito.

“Além de não termos ruas bem planejadas para que o tráfego flua de uma forma melhor no centro, os motoristas e motociclistas ainda trafegam com muita imprudência, desrespeitando sinais vermelhos, parando em faixas destinadas à passagem de pedestres e andando acima da velocidade permitida para as vias”, argumenta o advogado André de Souza.
“Praticamente um veículo para cada duas pessoas”

Uma das principais causas apontadas pelo “caos” no trânsito de Rio Branco é o grande crescimento na frota de veículos da cidade. De acordo com o comandante da Companhia de Trânsito do Estado (Ciatran), capitão Francisco Alberto Espíndola, a quantidade de meios de transporte motorizados cresce pelo menos 13% ao ano no Acre. “Hoje temos praticamente 100 mil veículos em Rio Branco, sendo que a contagem da população aponta que o número de residentes nesse município ainda não passou das 200 mil pessoas, o que significa que temos praticamente um veículo para cada duas pessoas, um índice bastante expressivo”, revela Espíndola.

O capitão não descarta a possibilidade de se chegar a um ponto em que se tornará necessário a criação de um sistema de rodízio de veículos na cidade, a exemplo do que já acontece em São Paulo. “Temos que buscar alternativas que melhorem o fluxo de veículos, seja otimizando os meios de transporte coletivo ou ate mesmo criando outros hábitos, como utilizar a bicicleta com maior freqüência”, ressalta. “Isso iria diminuir o fluxo de veículos nas ruas, proporcionar uma atividade saudável à população e reduzir a emissão de gases poluentes no meio ambiente.”
Efetivo reduzido de agentes de trânsito

Outro fator que prejudica o bom andamento do tráfego nas vias centrais de Rio Branco, segundo o capitão Espíndola, é o reduzido número de agentes de trânsito no quadro da Ciatran. Atualmente, apenas dez guardas de trânsito estão nas ruas diariamente para fiscalizar e coibir as irregularidades cometidas pelos motoristas.

“Por conta disso os condutores não têm tido muito cuidado em respeitar às normas de trânsito, pois podemos observamos com freqüência veículos estacionados em locais proibidos, em cima de calçadas e estacionados ao lado de outros carros, que somados ao grande fluxo de veículos gera inúmeros transtornos a todos”, destaca o comandante.


Para tentar solucionar os problemas causados pela demanda reduzida de agentes de trânsito, a Ciatran fez um planejamento para qualificar policiais de outros departamentos para atuar na fiscalização das normas de trânsito. Pelo menos 40 homens irão reforçar o trabalho da Companhia. Eles devem ser inseridos na corporação já nas próximas semanas.

“Se esses policiais militares estiverem realmente dispostos a nos ajudar, iremos minimizar significativamente os problemas que enfrentamos no trânsito da cidade. O ideal seria que o efetivo fosse aumentado, já que muitos agentes vão para reserva todos os anos sem que sejam colocados substitutos em seus lugares”, enfatiza Espíndola.

A falta de duplicação das ruas do centro da cidade também é vista pelo capitão como um empecilho, já que as vias estreitas dificultam a divisão de espaço entre motoristas, pedestres e ciclistas.
O que pensa a população sobre o trânsito da cidade

“Para nós que utilizamos moto é até tranqüilo, pois podemos andar com um pouco mais de rapidez quando se formam os engarrafamentos no centro. Mas para os condutores de carro deve ser bastante estressante ter que ficar vários minutos esperando para se deslocar alguns metros”, Deusdete Paiva.

“O trânsito da cidade está se tornando absurdo. Os motoqueiros abusam nas manobras arriscadas, sendo que nas proximidades do meio-dia é praticamente impossível se transitar nas ruas centrais de Rio Branco sem que tenhamos muita dor de cabeça”, José Vieira da Silva.

“Tem muitos motoqueiros que realmente não respeitam as normas de trânsito, mas acredito que as mulheres andam com mais prudência que os homens. Além disso, não podemos esquecer que são inúmeros os motoristas de automóveis que não dão preferência quando se é necessário, principalmente quando o outro veículo é uma moto”, Leidiane da Silva.

“Os órgãos responsáveis pela fiscalização do trânsito deveriam criar alternativas para reduzir os problemas causados pela grande demanda de veículos na cidade. Quem sabe até pensar em realizar um rodízio de carros, como acontece em outros lugares do país”, Manoel Pacífico.

“Se fossem criadas rotas alternativas, viadutos e outras coisas nesse sentido o trânsito seria bem mais calmo. Além disso, falta policiamento de trânsito na rua para coibir as irregularidades praticadas costumeiramente pelos condutores” Nunes Castro.

“Para começar, acredito que deveriam ser realizadas melhorias em toda a malha viária da cidade, e ainda ser feita um reestruturação nas ruas do centro da capital, tendo em vista que já está na hora de os gestores pensarem em construir viadutos para agilizar o trânsito”, Américo Soares.

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Rio Branco-AC, 04 de maio de 2008
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