Val Sales
A lei que estipula o novo fuso horário do Acre e de outras cidades da Amazônia, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 24 de abril, passará a vigorar na segunda quinzena de junho. A norma foi defendida no Congresso Nacional pelo senador acreano Tião Viana (PT), que tratou o fato do atraso de uma hora nos ponteiros do relógio dessas localidades como sendo “um erro histórico a ser corrigido”.
“Até 1913 o Brasil tinha um horário apenas, e por uma convenção internacional houve uma mudança”, explica. De acordo com ele, a China, por exemplo, tinha cinco horários e optou por apenas um para facilitar a vida das pessoas. A Europa também agiu do mesmo modo e unificou os ponteiros do relógio em um horário só, o que também foi seguido pelos países africanos. “Deixaram o Acre em um erro que precisava ser corrigido”, acrescentou.
O senador lembra que a necessidade de mudança é sentida quando se observa o amanhecer, o pôr-do-sol e o horário de trabalho dos acreanos. Porém, ele faz questão de deixar claro que a defesa do novo fuso não tem nenhuma relação com a briga travada nos últimos meses entre os meios de comunicação e a Justiça sobre a classificação indicativa dos programas da TV. “O que eu fiz foi a regulamentação de 46 cidades da Amazônia que tinham um horário que prejudicava a vida das pessoas”, assegurou.
Tião Viana lembra ainda que, com a mudança, o Acre e as demais cidades terão uma redução na conta de energia elétrica, assim como a diminuição da emissão de gás carbônico das usinas térmicas que atendem a região. “Com isso também teremos uma integração comercial melhor com o Centro-Sul, com o sistema financeiro e com os meios de transporte e comunicação, ou seja, nós vamos nos aproximar de uma vida mais adequada”, enfatizou.
De acordo com o parlamentar, em 1913, quando houve a mudança no horário, o Nordeste foi uma das regiões que teve voz ativa e disse não à mudança, ficando com horário único. “No Acre, naquela época, não houve quem intercedesse e dissesse que essa alteração era um erro, perpetuando-se por quase um século. Isso hoje foi corrigido.”
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