OPINIÃO
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Do Editor

 

Clima de terror?

Com o título acima, os principais órgãos de comunicação do Senado Federal, que abastecem as agências de notícias com informações sobre as atividades diárias dos senadores, publicaram ontem comentários do senador Geraldo Mesquita Júnior em que o parlamentar denuncia que o Acre vive um clima de terror, com a imprensa manietada e os servidores públicos apavorados.

Pelo que está publicado, o que se conclui é que o senador, além de ingrato, vem encontrando profundas dificuldades para lidar com a verdade. Seria já influência das suas novas amizades?

É o mínimo que se pode dizer de sua tentativa de passar ao país uma imagem que efetivamente não existe no Acre. Quem reclama de censura, quem vive a estrebuchar em busca de espaço na mídia é exatamente um empresário dono de um complexo de comunicação que escreve e diz o que bem entende a respeito do atual governo. O que o senador está fazendo é apenas repetindo a cantilena de seu novo amigo - um amigo, ressalte-se, que foi retirado da vida pública pelo voto popular em seguidas eleições e que já não tem espaço para fazer política exatamente pelas práticas a que o senador está começando a se apegar.

Clima de terror havia no Estado quando os atuais aliados do senador Geraldo Mesquita Júnior decidiam quem ia viver sobre ou debaixo da terra. Era um tempo em que jornalistas eram espancados e ameaçados de morte. Um tempo em que, não raro, os grupos aos quais o senador agora está ligado invadiam as redações de armas na mão para fazer com que repórteres literalmente engolissem o que haviam escrito nas páginas dos jornais. Clima de terror havia quando cadáveres mutilados eram jogados às portas das emissoras de TV exatamente para intimidar jornalistas a não denunciar o que estava acontecendo.

Por tudo isso, este Página 20 conclui que o senador Geraldo Mesquita Jú-nior perdeu no mínimo uma ótima chance de ficar calado. Foi aqui, em nossas páginas, que, quando se candidatou ao Senado, inexpressivo e desconhecido, o então candidato encontrou apoio para divulgar as idéias que dizia ter.

A propósito, foi com extremo pesar que o Página 20 viu o senador, de uma hora para outra, negar o que pregava para assumir o discurso daqueles que tanto mal fizeram a este Estado. É com mais pesar ainda que a sociedade assiste a um político cujo mandato é resultado de sacrifício de tantas pessoas se juntar ao que há de pior na política deste Estado.

 

 
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Rio Branco-AC, 4 de junho de 2005
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