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Diones Salla * |
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SEMANA DO MEIO AMBIENTE: contribuições da Extensão Agroflorestal Nunca tivemos, como agora, tantas informações ao nosso alcance para refletirmos sobre o meio ambiente. Mesmo assim, continuamos agindo ao modo e ao nível informacional daqueles que há muito tempo nos precederam, sem aguçarmos uma reflexão crítica sobre as concepções de desenvolvimento dessas gerações que foram construídas em outras bases culturais e em outros cenários ambientais. Muitas vezes, utilizamos nosso cérebro do mesmo modo que um computador de última geração utiliza para jogar paciência. O mais árduo de todos os enfrentamentos institucionais que se vislumbra é o de educar e o de elucidar, através da informação, àqueles que ainda confundem o desenvolvimento no ecossistema amazônico com o estilo cowboy e com o estilo mecanicista praticado em outras regiões brasileiras. A Blitz Ambiental, promovida pelo Governo da Floresta, convocando a população acreana a participar das atividades relacionadas à Semana do Meio Ambiente, é parte desse esforço. Também é contraproducente ouvir nos noticiários locais as falácias de que o extrativismo é ultrapassado, a contramão do desenvolvimento e outras mais. Enquanto isso, o petróleo, a maior fonte econômica do mundo, exemplo de atividade extrativista, mobiliza o planeta a cada sinal de instabilidade no fornecimento desse produto, sendo até mesmo capaz de alterar a rotina da grande maioria dos países ditos desenvolvidos ou gerar neles clima de hostilidade. Sem contar que o petróleo, além de ser uma atividade extrativista, não utiliza nenhum mecanismo de reposição ou de manutenção dos seus estoques naturais, bem diferente do planejado e praticado nas florestas do Estado do Acre, cujo manejo lhes garante a continuidade e a sustentabilidade. A Companhia Vale do Rio Doce, líder mundial no mercado de minério de ferro, o explora através de uma atividade extrativista. Os fertilizantes também são oriundos desse tipo de atividade. Entre eles, o nitrogênio poderia até ser considerado uma exceção. Entretanto, quando ele não é extraído dos depósitos geológicos é extraído da atmosfera. A água, caracterizada pela Constituição Federal de 1988 como um recurso dotado de valor econômico, embora possa ser obtida através do emprego de tecnologias, sua obtenção será, por muito tempo, ainda uma atividade extrativista. Melhor mesmo é manter ativo o mecanismo natural que lhe dá sustentabilidade: a floresta. Os desmatamentos nas áreas de preservação permanente realizados por fazendeiros, ribeirinhos, seringueiros e produtores familiares, sem a co-participação do governo, que em parte é compromisso da extensão agroflorestal, são realizados quase sempre de forma desordenada, individualizada e sem que esses atores possam refletir sobre a extensão das repercussões produzidas. Como resultado, o ônus da degradação da qualidade e da diminuição da quantidade das águas potáveis é suportado, não se sabe até quando, pela sociedade em geral. A presença do setor público para reverter os hábitos dos desmates no Estado do Acre é inadiável, inevitável e indelegável. Como estrutura oficial de governo, presente em quase todas as comunidades, organizações e unidades produtivas familiares do Estado, a SEATER tem se empenhado de forma inovadora na revisão de paradigmas, mantendo-se sempre atenta às influências contraditórias remanescentes nos segmentos da sociedade. Com uma postura pró-ativa e sem acanhamentos propôs um novo desafio crítico conceitual que, em parte, pode ser visualizado no Plano de Desenvolvimento Agroflorestal, o qual trás como referencial básico as proposições apontadas pela Ciência Agroecologia. A atuação da SEATER já não pode mais ser compreendida como um conjunto de ações, mesmo as mais sadias, executadas no interior de uma propriedade familiar, pois ela transcende esses limites. Visualizar as interconexões e atuar além dos limites da propriedade familiar já é um passo significativo, pois começamos a nos livrar, enfim, da visão reducionista proposta há 400 anos por René Descartes, que busca o significado das coisas a partir do segmento. Todos os esforços da Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Agroflorestal estão voltados à manutenção e utilização sustentável da floresta, como principal fator gerador de desenvolvimento e de cidadania dos seus habitantes. Livrar-se da floresta, por motivos que as mais lúcidas inteligências se recusam a aceitar, como condição sine qua non para viabilizar projetos de desenvolvimento agropecuário na Amazônia acreana revela, entre outras, o grau de imaturidade das nossas atuações. Esse olhar viciado que insiste em substituir a floresta para dar lugar à outra cultura vem sendo secularmente herdado dos condicionamentos mesológicos, da insuficiência de massa crítico-informacional e, principalmente, dos níveis restringidos de lucidez, claramente estampados em nossas pretensões econômico-egocêntricas. * Extensionista Agroflorestal |
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