OPINIÃO
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Gladson Cameli *  

 

Dois mundos

A visita esta semana, a convite da Marinha Brasileira, à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), localizada no continente Antártico tem uma importância toda especial, sobretudo em se tratando de meio ambiente. Até porque nesta quarta-feira, 4 de maio, é comemorado em todo o Mundo o Dia Mundial do Meio Ambiente. Numa feliz coincidência, eu, oriundo de Cruzeiro do Sul, extremo ocidente do maior espaço verde do mundo-a Amazônia, venho agora conhecer in loco o maior celeiro biológico de toda a terra- a Antártida, no extremo sul do planeta.

Chance única já que meio ambiente hoje é tema acadêmico, discussão política a até mesmo, e felizmente, debate popular. Isto tudo, em virtude da maturação que o tema atingiu, alvo freqüente da massificação da grande mídia que popularizou a questão ecológica e massificou a preocupação com o meio ambiente. Aqui na Antártida o assunto ganha uma dimensão maior. Afinal, trata-se da última grande reserva biológica ainda quase que totalmente intocada, muito em razão de sua localização distante e sobretudo clima extremamente hostil para a presença humana.

A missão brasileira da Estação Comandante Ferraz na Antártida merece apoio irrestrito e toda nossa solidariedade e respeito a cientistas, pesquisadores, técnicos e militares nacionais que se revezam no esforço obstinado de consolidar a presença brasileira no Pólo Sul. Atualmente, a EACF é composta por 63 módulos entranhados em pleno solo antártico. Estas espécies de acampamentos militares em meio a paisagem árida do frio polar estão divididos em alojamentos, laboratórios, oficinas, salas-de-estar, enfermaria, cozinha, biblioteca, paiós, salas de comunicação, um pequeno ginásio para esportes e heliponto. Tudo para um mínimo de conforto para quem se deslocou a tão longe.

Se a EACF tem condições e infra-estrutura para estudos de biologia, ciências da atmosfera meteorologia, química e afins, tudo para pesquisa em relação ao meio ambiente, a Amazônia tem necessidades bastante semelhantes senão idênticas. Localizada ao redor da linha do Equador em toda sua grandeza e dimensão igualmente continental, é outro mundo que exige atenção e cuidados especiais. Sobretudo numa época em que é necessário reafirmar nossa soberania e controle militar e civil numa área que é centro da cobiça e avidez do grande capital. Alvo de desmatamentos ilegais e queimadas desenfreadas que afrontam as autoridades ambientais, a Amazônia hoje é foco de preocupação e atritos constantes.

Contudo, vale reconhecer os esforços sinceros e decididos para dar um basta á exploração gananciosa e predatória dos recursos naturais através da utilização de mecanismos legais que impedem ou pelo menos dificultam o uso indevido da natureza selvagem. O próprio Programa Amazônia Sustentada (PAS) é um exemplo vivo da intenção de tornar a região um local ideal para o desenvolvimento sustentado, baseado no equilíbrio utilização dos recursos naturais e preservação do ambiente. Antes apenas ideal, hoje o desenvolvimento sustentado é mais do que nunca uma necessidade visível, inegável e irreversível.

A Amazônia e Antártida são duas das maiores reservas ambientais que clamam por equilíbrio na sua exploração e respeito a suas fontes naturais. Alvos preferências da avidez financeira mundial em virtude de suas dimensões e riquezas ainda não suficientemente mensuradas, são dois pontos de concentração de vida selvagem e biodiversidade que precisam da proteção e apoio da opinião pública para sua devida preservação.

* Deputado Federal pelo
Partido Progressista (PP) do Acre

 
 
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Rio Branco-AC, 12 de abril de 2008
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