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Florentina Esteves * |
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Biodiversidade Andei lendo que das palmeiras de nossa floresta pode-se tirar óleo propulsor de motores. Ótimo. E mais uma vez se confirma a enorme riqueza de nossas matas. Não faltasse o potencial de nossos rios e igarapés, a diversidadede de nossas plantas, a riqueza da fauna e agora mais esta mina a brotar do solo sob nossos pés. Que nos falta? Mas, em nome das outras palmeiras que servem para extrair-se palmito, em nome da beleza delas que são ceifadas para obtenção do palmito, em nome dos animais que são privados de seus frutos, em nome dos pássaros que aí fazem ninho, eu digo: que pena. Fica faltando a beleza, a poesia. Sei, sim. Que pena, também o homem isolado na floresta, sem luz, sem energia capaz de lhe prover as mais elementares necessidades, cuja vida se assemelha até à dos animais selvagens, crianças sem escola e sem infância, cedo participando da faina dos mais velhos. Mas também sabemos que se não preservarmos nossa floresta e a vida nela existente, estaremos a caminho para a desertificação. Quanto o homem já avançou, dizimando nossa cobertura vegetal? É lembrar que as cidades hoje existentes foram erigidas sobre ancestrais florestas onde o ar era puro, as águas, não poluídas, os animais vivendo de acordo com a natureza, e não acuados por seu mais impiedoso predador - o homem - e os pássaros podiam fazer seus ninhos em árvores que não seriam derrubadas nem queimadas. Estaria eu pregando o retorno do homem à condição de selvagem? Não. Apenas acho que se o engenho humano descobriu tantas maneiras de melhor viver-se, seria uma questão de querer-se, descobrir um jeito de preservar-se a natureza, ao lado do conforto que nos traz a modernidade e todos os recursos daí advindos. E isso poderia até incentivar uma atividade produtiva, como o turismo. Veja-se, por exemplo, o enorme potencial turístico da Serra do Divisor, em Cruzeiro do Sul, no extremo oeste do Acre, no ponto mais ocidental do país, onde reinaria a maior biodiversidade do planeta. E então, destruiríamos tudo isso em nome de quê? Sabendo-se que poderíamos fugir ao estressante da cidade, reservando-nos umas férias em comunhão com a natureza, arvorando-nos em conscientes ecologistas, estaríamos construindo para a preservação da natureza. Puxando a brasa para minha sardinha, na qualidade de professora, penso que se conscientizarmos nossas crianças do valor de nossa biodiversidade, ensinando-as a preservar nossos recursos naturais, estaremos no caminho certo até de nossa sobrevivência. Porque no ritmo em que vamos, de degeneração e de agressão ao meio ambiente, não há de faltar muito para que até doenças hoje inexistentes e desconhecidas nos acometam, em razão de alterações de nosso meio. Então sugeriríamos uma campanha agressiva neste sentido, e a inclusão, no currículo escolar, de uma disciplina que instrua os jovens da responsabilidade que lhes caberia. Por fim, em fotos de paraísos tropicais, a paisagem aparece enfeitada de palmeiras. Pois pensando nisso, acredito que o governo mandou plantar aquelas palmeiras que enfeitam o Parque da Maternidade e a subida para o palácio do governo. Sigamos seu exemplo, e plantemos diante de nossas portas a lembrança das palmeiras que a industrialização levará. * Professora e Escritora |
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