| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
José Augusto Fontes |
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A nova ordem no futebol Na Copa do Brasil, deu Santo André. O então modesto time do ABC Paulista, que disputa a 2a divisão do Campeonato Brasileiro, é o campeão e estará na Libertadores da América em 2005. É a nova versão de azul, depois do Azulão de São Caetano, que é o atual campeão paulista. O Santo André foi derrubando os favoritos, sem cerimônia. Com disposição e jeito, despachou o Verdão, calando o Parque Antártica. Depois, deu o maior calor no XV de Novembro de Campo Bom (que eliminou Vasco e Atlético Mineiro), sem incômodos com o frio vento sul. Por fim, botou o Flamengo na roda. O Mengão não se cria contra camisas azuis. Dezenas de milhares de faixas de campeão antecipado, pintadas em rubro-negro, não bastaram para tantas lágrimas. O chope, previamente acertado, chocou de véspera. O grande Flamengo, que precisa urgentemente acertar-se, para sair da zona de rebaixamento, desembarcou da Libertadores. Ficou chocho, dando muxoxo. Ao final, sem jeito a dar, o Maracanã aplaudiu. E o Brasil inteiro reconheceu. O Santo André, um Davizinho que derrubou o propagandeado Golias, é a sensação do momento. Sem palpites e sem medo de errar, é certo que ainda existem pessoas que sabem trabalhar com futebol, a partir da vocação e do profissionalismo. Pessoas que merecem ganhar títulos e sucesso, a partir do amor à causa do esporte. Na Libertadores, deu Once Caldas. O então desconhecido time da Colômbia, que não é nem terceiro em seu pais, é o campeão da América e vai a Tóquio. É apenas a 2a vez que a Colômbia ganha a Libertadores (o time anterior foi o Atlético Nacional, em 1989). Com vontade e determinação, o Once Caldas foi derrubando favoritos. Não reverenciou o Santos, bi-campeão do mundo, nem pediu licença ao São Paulo, também bi-campeão do mundo e bi da Libertadores. Por fim, desbancou o Boca Juniors. Até então, o Boca era especialista em disputas por pênaltis. Nem treinava. Em recentes finais da Libertadores, bateu nos pênaltis o Palmeiras e o Cruz Azul (México). Há poucos dias, derrotou o River Plate, após dois shows de valentia tola. Semanas antes, havia eliminado o São Caetano, também nos pênaltis. E agora, após empatar em casa, sem gols, e empatar na Colômbia, pelo mínimo placar, o Boca rumou para a marca da cal com a peculiar empáfia. Bateu quatro pênaltis. Não acertou nenhum. O primeiro, executado pelo valentão Schiavi, passou longe do travessão, na direção das arquibancadas. Pareceu com o David Beckham, há poucos dias, contra Portugal, na Eurocopa. Pareceu também com o Roberto Baggio, em 1994. Em comparação nativa, pareceu com o Mustafa, aqui no Stadium, na 4ª partida entre Independência e Juventus, na década de 70. Pois bem, o Once Caldas foi campeão convertendo dois pênaltis, sem necessidade de nenhum dos times bater o último pênalti respectivo, porque os argentinos, repito, bateram quatro e erraram todos. Detalhe 1: o atacante Ortegon, do Once Caldas, entrou no jogo aos 44 do segundo tempo. Ao entrar (sem autorização), já recebeu cartão amarelo. Jogou até os 48 e não tocou na bola. Iniciadas as cobranças de pênaltis, ele bateu o 2o do Once e errou. Foi tudo que ele fez. Detalhe 2: o goleiro do Boca atende, no primeiro nome, por Pato (Abbondanzieri). Não poderia mesmo defender o chute fortíssimo do Viáfara, da intermediária, no tempo de jogo. Golaço. E na Eurocopa, deu Portugal e Grécia na final. Nenhum deles jamais havia chegado a uma final. A Grécia, sequer às semi-finais. Nem precisamos do campeão, para saber que não vai vencer um favorito. Vai vencer um time dedicado, que não comemorou de véspera. E ainda devemos ressaltar o eficiente time da República Checa, que havia ganho todos os jogos até ser eliminado, no primeiro tempo da prorrogação, com o gol de prata feito pela Grécia, através do meia Dellas. E ressaltar o artilheiro Baros, habilidoso goleador, como há muito não surgia. Na Grécia, tudo é surpresa boa. Ganhou de Portugal na estréia e depois eliminou a França. É um time determinado que galgou, desde a fase de classificação, com muita objetividade, o destaque que atingiu até estar na final. No time português, vontade e aplicação, misturando jogadores conhecidos, como Figo e Rui Pinto, aos novos talentos, como o goleiro Ricardo e os atacantes Cristiano Ronaldo e Deco, este brasileiro, naturalizado português. Em Portugal e na seleção portuguesa, a nova ordem é o Felipão. Organizou o time e virou ídolo. Sobre ele, o New York Times estampou: “Big Boy From Brazil Energizes Portugal”. Realmente, com ele, o futebol português está aceso e competitivo. A nova ordem é uma chama. Assim, Portugal e Grécia já são vencedores, antes mesmo que o mundo conheça o campeão desta Eurocopa. Já chegaram aonde nunca estiveram, como igualmente chegaram Santo André e Once Caldas. E como todos derrotaram favoritos, são eles os melhores exemplos da nova ordem no futebol. A chama está acesa. |
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