COTIDIANO

ONG quer gerar trabalho e renda no Acre

Agência de desenvolvimento tem experiência na recuperação de empresas falidas e em repassá-las ao controle dos trabalhadores

Secom
Diretora da ADS, Eunice
Wolf, foi recebida por Jorge
Viana; Ong busca a parceria do
governo para instalar-se no Acre


Tião Maia

Fundada em 1999 com o propósito de gerar trabalho e renda através da organização econômica, social e política dos trabalhadores, a ADS (Agência de Desenvolvimento Social), que já funciona em 10 estados do país, está buscando parcerias para se instalar no Acre e ajudar no processo de desenvolvimento sustentável e solidário no Estado. Foi o que garantiu ontem, ao ser recebida pelo governador Jorge Viana, a diretora da organização, Eunice Wolf, ao informar que, graças às parcerias montadas até aqui, a agência já envolve em todo o país entre cinco mil a seis mil trabalhadores que sem a ajuda e o incentivo da instituição poderiam estar condenados ao desemprego. Uma das atividades da ADS é recuperar, por exemplo, empresas falidas e passá-las ao controle dos trabalhadores através do sistema de cooperativas.

A ADS é parceira de organizações como a Fundação Rosa Luxemburgo, da Alemanha, a Organização Interclesiástica para a Cooperação e Desenvolvimento, da Holanda, da DGB Bildungswerk, e, no Brasil, do Sebrae, dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Trabalho e Emprego, além da Central Única dos Trabalhadores (CUT). No Acre, além do Sebrae e da CUT regional e outras ONG’s, a ADS terá o apoio do governo do Estado, segundo revelou o governador Jorge Viana.

Ao receber a diretora Eunice Wolf e sindicalistas locais como o presidente da CUT/Acre, Manuel Lima, a presidente do Sinteac (Sindicato dos Trabalhadores em Educação), Elza Lopes, e a ativista licenciada Maria das Dores Miranda, a Mariquinha, Jorge Viana sugeriu que ADS busque os demais parceiros e, feito isso, volte ao governo para receber o apoio prático para sua instalação definitiva no Acre.

Manuel Lima, como presidente regional da CUT, disse que a vinda da ADS para o Acre será fundamental porque a entidade atua na busca da sustentabilidade dos empreendimentos autogestionários, visando barrar a existência de uma série de problemas que ainda comprometem a gestão, crédito, comercialização e tecnologia como fatores limitadores da maioria dos empreendimentos.

De acordo com Eunice Wolf, a ação da ADS visa, principalmente, constituir complexos cooperativos, articulando e criando empreendimentos produtivos e de serviços, além de instituições de crédito, comercialização, programas de formação e desenvolvimento tecnológico e assistência técnica. “Quando estivemos na Secretaria da Mulher, tivemos uma experiência interessante neste sentido e queremos utilizar nossa experiência para ajudar a gerar emprego e renda para os trabalhadores, principalmente para as mulheres, seja no campo do artesanato, na produção de alimentos e em outras áreas”, disse Mariquinha. “Nossa experiência mostra que, em havendo organização, o sucesso é garantido”, acrescentou.,

A ADS tem ajudado, nos estados nos quais está instalada (SP, MG, BA, PE, RG, PB, CE, PA, SC e PR), a fortalecer o que chama de economia solidária. De acordo com a organização, isso passa pelo fortalecimento das instituições que representam o conjunto de empreendimentos econômicos solidários. Para que isso ocorra é necessário uma forma de representação bem estruturada, transparente e democrática, além de empreendimentos capazes de pressionar o poder público, em âmbito local, regional e nacional, para a implementação de um novo marco legal e de políticas públicas que fortaleçam esta forma de organização da produção capaz de promover o desenvolvimento solidário e sustentável.

 

 
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Rio Branco-AC, 4 de agosto de 2004
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