COTIDIANO

Só falta a licença do Imac para obra da fábrica de camisinhas

 


Edmilson Ferreira

A Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) aguarda apenas licença expedida pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) para iniciar a construção da centrífuga da fábrica de preservativos sexuais masculinos e material hospitalar de Xapuri. Na obra, serão investidos R$ 650 mil – R$500 mil na construção do galpão e R$150 mil na aquisição do equipamento. Outros investimentos previstos para este ano consumirão R$ 1 milhão. A Suframa e o Ministério da Saúde, além do Governo do Estado, financiam esta primeira fase da fábrica.

No próximo ano, a Funtac constrói a planta industrial. A fábrica quer produzir 100 milhões de camisinhas ao ano em 2005 e 200 milhões em 2006.

Os brasileiros precisam consumir 1,2 bilhões de camisinhas ao ano para evitar a disseminação da Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. A ênfase da fábrica de Xapuri, que será administrada em parceria com a FAR-Manguinhos, será mesmo o preservativo, mas produzirá também luvas cirúrgicas e outros matérias a partir do látex. “Há outras atividades nesta primeira fase, como o treinamento na comunidade da reserva Chico Mendes”, explicou Tânia Guimarães, diretora técnica da Funtac.

Apesar de uma bem sucedida campanha para controlar a disseminação do vírus HIV/Aids, o Brasil ainda tem problemas para garantir a camisinha entre a população mais pobre. As camisinhas são caras e freqüentemente têm que ser importadas. A produção local tem sido encarada como prioridade, mas até pouco tempo ocorreram problemas de toda ordem que acabaram atrasando a construção da fábrica, que tornará as camisinhas mais baratas e ainda vai contribuir com o desenvolvimento de Xapuri.

O látex extraído das seringueiras está sendo testado com sucesso na forma de camisinhas e a fábrica vai usar somente este látex. O Instituto Nacional de Tecnologia (INT), credenciado pelo Inmetro, aprovou a qualidade do látex extraído dos seringais acreanos para a fabricação de preservativos masculinos. Foram testados mais de 36 mil preservativos produzidos com a matéria-prima extraída em várias comunidades, inclusive na Reserva Chico Mendes, principal beneficiária do projeto. Com o resultado desse estudo cai uma das principais barreiras para a implantação da fábrica de preservativos no Acre. Especialistas da área acreditavam que o látex extraído de árvores nativas não teria condições ser usado para fabricação de preservativos. Até então a extração no Brasil era destinada, principalmente, para a produção de pneumáticos. Os preservativos produzidos no Acre servirão como estoque regulador das atividades de prevenção às DST e aids do Ministério da Saúde.

O látex foi analisado pelo Laboratório de Polímeros (Lapol), do INT. De acordo com o parecer do Lapol a qualidade do material obedece à regulamentação vigente.

 

 
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Rio Branco-AC, 4 de agosto de 2004
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