VARIEDADES

Um ideal nas trilhas da aventura

Mais que buscar adrenalina em uma espécie de refúgio da vida urbana, Falcões de Aço vêm ao Acre e mostram a tarefa de ajudar o próximo

Marcos Vicentti
Falcões de Aço contribuem
com diversas instituições


Andréa Zílio

Eles têm em comum o prazer de pilotar motocicletas, buscando aventura, adrenalina e a sensação de liberdade, na qual a estrada se torna o céu e a moto, o pássaro que ousa sobrevoá-lo, seja em dias ensolarados ou de tempestades. Um perfeito refúgio para quem vive a diária agitação da vida urbana.

Em visita ao Acre, incluído no roteiro da expedição deste ano, o grupo “Falcões de Aço Moto Clube”, famoso no Brasil por suas ações, mostra que vai além da aventura que busca conhecer os vários recantos do país. Eles criaram também um estatuto que são os direitos e deveres que garantem sua organização.

O moto clube foi criado há 13 anos, mas o escudo Falcões de Aço existe desde 1989, quando o sonho já persistia na mente dos seis amigos e fundadores, inclusive, um deles é o aposentado Manoel Esmeraldo Filho, 48 anos. Hoje são 190 motociclistas e profissionais de várias áreas, entre eles estão juizes, professores, empresários, profissionais liberais e advogados.

O nome Falcões foi dado em função de ser uma ave de rapina que não tem fronteiras. Aço é uma homenagem a Volta Redonda, conhecida como a cidade do aço.

Um ideal no caminho

Esmeraldo não nega que ao ser criado o grupo, a vontade era mesmo de buscar aventuras. Viajar em parceiria significa menos riscos. Pensamento que desenvolvia o sentimento de união com que atuam hoje. E foi graças a isso que ele não perdeu a vida em um acidente na estrada. Paraplégico diz que só foi salvo porque viajava com mais pessoas. Sem desanimar adaptou seu triciclo e diz que não se sente preso. “Não estou preso a uma cadeira, ela que está presa em mim. Estou a 4 mil quilômetros longe de casa”, comenta.

Infelizmente o grupo não teve a mesma sorte nesta expedição. Um dos integrantes, chamado Germano, que tinha 46 anos e era aposentado sofreu um acidente em Alto Garças e faleceu. Graças ao preparo psicológico e estrutural que o grupo trabalhou durante três meses de reunião e organização antes de pegarem a estrada, souberam lidar com a situação mesmo abalados com a perda. “Quando passamos muito tempo juntos, nos preparamos em reuniões onde falamos desde os gastos com consertos dos veículos, até casos de imprevistos, comportamentos, regras a serem adotadas. Por exemplo, não permitimos bebidas alcoólicas, participar de brigas e usar drogas, isso pode dar expulsão do grupo”, explica.

Um velho preconceito

Preconceito é uma palavra bem conhecida entre os “Facões de Aço”. Lidar com o assunto não é tarefa fácil, mas eles se saem bem. Esmeraldo conta que os filmes contribuíram bastante para a má imagem dos motociclistas, onde sempre apareceram fazendo cenas de violência, como desordeiros.

Mas essa má impressão está sendo substituída por uma boa imagem, graças ao trabalho que eles vem fazendo ao longo dos anos. “As pessoas sempre perguntavam se o motivo de nossas viagens era só para conhecer. Aquilo era muito para nós e para eles, era pouco. Vimos que podíamos fazer mais”.

“Falcões de Aço Moto Clube”, contribuem fortemente com três asilos, uma creche e uma entidade que cuida de aidéticos, na cidade de Volta Redonda.

Ano passado, eles conseguiram 10 toneladas de alimentos que contribuiu com oito entidades do lugar. Da busca pela aventura, hoje o objetivo se tornou maior e eles tem sido modelo para outros moto clubes do país. Contam que a intenção não é fazer para aparecer, mas divulgam para que se tire a má imagem atribuída aos motociclistas e para outros copiarem a idéia de solidariedade.

Além disso, Esmeraldo conta que fazem questão de acompanhar a política do país. “Nos preocupamos com a direção do nosso país”.

Expedição rumo ao norte

A expedição foi feita por 15 pessoas, que fizeram a viagem passando por oito Estados brasileiros e foram até a Bolívia. No norte, passaram por Rondônia, Acre e Amazonas. A intenção era ir até o Pará, mas desta vez não puderam. No Acre, ainda visitaram os dois últimos dias da Expoacre e ficaram encantados com a festa, mas foi com a receptividade do moto clube “Gaviões da Amazônia”, que tem sede em Porto Velho, que mais os surpreendeu. Contam que os integrantes não queriam nem deixá-los ir embora e que tudo foi só alegria.

E falando neles, “Gaviões da Amazônia” conta com um aventureiro do Acre. É o artesão Ilson Soares, 38 anos. Carioca, ele mora em Rio Branco há 17 anos. Apaixonado por moto desde os 14, há pouco mais de um ano ele conseguiu montar seu triciclo e se integrar o grupo. “Todos somos pais de família, com responsabilidades e em comum, existe o prazer pela moto”, diz.

 

 
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Rio Branco-AC, 4 de agosto de 2004
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
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