| OPINIÃO | ||
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Tião Maia * |
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| Questão de cenário O leitor mais atento deve ter percebido nos jornais de ontem que no material enviado à imprensa pela assessoria do candidato Márcio Bittar, a ilustração é de uma foto na Praça da Bandeira, que está em construção e que deve ser entregue pelo Governo à população no próximo domingo. Pelo que a câmera mostrou, Márcio Bittar aborda um eleitor ali nas imediações da loja Badate Festas com seu discurso oposicionista tendo ao fundo a marca inconfundível das obras deste Governo. Enviar à imprensa material de campanha de um candidato oposicionista tendo como pano de fundo uma obra importante do Governo não foi uma falha da assessoria. É que, a meu ver, pelo volume de obras – e não só de caráter físico - deste Governo, tanto na capital e no interior, fica difícil para a oposição fazer um discurso sem ser sobre, sob ou, como foi o caso, nas imediações de algum trabalho marcante da atual administração. Não foi, portanto, um problema de enquadramento ou de foco. O problema (para a oposição, claro) já havia sido registrado, aliás, em 2002 e 2004, as duas últimas eleições em que o grupo representado por Bittar sofrera duras derrotas. Já naqueles pleitos, ficava difícil para os dirigentes e candidatos desses setores sustentarem seus discursos e bandeiras segundo os quais o atual Governo não trabalhava no momento em que estavam fisicamente pisando e ocupando espaços em que o trabalho de Jorge Viana e sua equipe saltavam aos olhos, como, por exemplo, o Parque da Maternidade, a Estrada do Pacífico e outros. Ou seja, não tinham como fugir de uma realidade que só fez foi se acentuar nos anos seguintes. Por isso mesmo, o problema (para eles) se repete agora ao ponto de, ao procurar situar seu candidato numa cena de rua e em campo aberto, o coitado do pessoal da equipe de imagem não conseguiu tirar seu candidato de um cenário no qual o fundo não seja algum tipo de trabalho do Governo. O caso do Mercado Velho é o exemplo mais cabal disso. Como já disse, o problema não é de incompetência da assessoria. Aliás, penso que a única coisa que funciona na campanha do candidato de oposição é a assessoria de imprensa, já que esta, coitada, tem feito das tripas coração para manter na mídia uma candidatura sem proposta e um candidato com cara de novidade quando o próprio representa o que há de mais atrasado e retrógrado na política local. Como jornalista com mais de 25 anos de ininterrupta produção e algumas horas de assessoria de imprensa, tenho uma sugestão aos coleguinhas: não levem o candidato para a rua! Mantenham-no num estúdio e recorram ao trabalho de designers que usam o famoso programa de computador conhecido por Photoshop, que altera cenários e até melhora os personagens. Poderiam fotografá-lo num estúdio e depois fundir a imagem com os cenários das obras de governos passados aos quais Márcio Bittar está ligado. São obras como as famosas passarelas do Romildo, os cogumelos-caixas-dágua do Flaviano, o Canal da Maternidade feito pela Cicol, o programa de saneamento da Prefeitura de Mauri Sérgio e etc... Só que aí surge outro problema, que, será, aliás, tema de outro artigo. Até lá. * Jornalista |
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