| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
Francisco Gregório Filho * |
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Rio Branco, 3 de agosto de 2005 Meus amigos leitores, bom dia! Melhor dizendo: bom domingo!!! Hoje amanheci assim... desse jeito... manhoso... que nem coração de domingo. Acordei e pensei... vou contar para os meus leitores um fato ocorrido comigo recentemente à porta do Teatrão, quando do show dessa belíssima banda Stigma, composta por jovens inteligentes e talentosos, moradores de Rio Branco. Fato é que estava eu na fila, esperando minha vez para entrar, quando fui abordado por uma mulher de seus trinta e poucos anos ou mais... para os quarenta, aproximadamente. A tal mulher estava vestida elegantemente e parecia, aos meus olhos distraídos, muito bonita. Queria ela a minha intervenção junto à direção do teatro para que suas filhas tivessem privilégio e passassem à frente das pessoas da fila. Respondi que não podia fazer nada e que como ela bem podia observar, também estava eu a respeitar a fila. Ah!... meus amigos leitores, não queiram saber da chuva de palavrões que jorraram da boca daquela bonitona. Bom, mais o que eu queria mesmo contar a vocês é que diante de tal situação minha memória foi rapidinho buscar uma correspondência que ficara de minhas leituras. Instantaneamente suspendi o real e fui deliciar-me nas palavras da cartinha da escritora Lygia Fagundes Telles, integrante da Academia Brasileira de Letras, e remetida ao saudoso poeta Carlos Drummond de Andrade, em dois de agosto de 1984 e que diz assim: (esta carta está publicada no livro A República das Letras – De Gonçalves Dias a Ana Cristina César - Cartas de Escritores Brasileiros –SNEL, 2003) ............................................................................................................................................. S. Paulo, 2 de agosto de 1984. Meu querido Carlos, Gostei muito de sua entrevista na Status, meu Deus, aquelas seriam as minhas respostas se meu engenho e arte permitissem tamanha graça e verdade-beleza. Sim, a exagerada moda da pornografia das mulheres, eu disse ainda hoje, acho que estou ficando muito puritana, não agüento tanto palavrão e tanto abuso, não é em vão que os homens estão todos (quase todos) desinteressados, um fartão sexual... Vontade de ouvir ainda frases como esta, “o vosso amor é uma honra para mim!” A minha personagem (velha e alcoólatra) sofre dessa nostalgia, estou me referindo ao meu novo romance *. Dedicado a você. Meu querido, saber que neste país tão bonito e tão sofrido vive - e resiste – gente como você. Carinho, saudade, sua du couer, a Lygia. * “As horas Nuas” é o romance ao
qual a escritora se refere e que foi palavrão |
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