OPINIÃO
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João Aníbal Lopes Coelho *

 

Queimadas

Com o início do verão amazônico, um grave e preocupante problema evidencia-se em nossas vidas, mais especificamente entre os meses de junho a novembro, refiro-me às queimadas. “No contexto local, as queimadas destroem a fauna e flora, empobrecem o solo, reduzem a penetração de água no subsolo, e em muitos casos provocam mortes, acidentes e perda de propriedades. No âmbito regional, causam poluição atmosférica com prejuízos à saúde de milhões de pessoas e à aviação e transportes; elas também alteram, ou mesmo destroem ecossistemas. E do ponto de vista global, as queimadas são associadas com modificações da composição química da atmosfera, e mesmo do clima do planeta” (INPE). Para facilitar o entendimento, é preciso conceituar alguns tópicos.

Queima controlada - é uma antiga prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens. Esta, por estar arraigada na cultura e por não haver ainda mecanismos e alternativas suficientes para extingui-la, deve ser efetuada, observando determinadas condições ambientais: umidade do ar, sentido e velocidade dos ventos, etc. e ainda ser autorizada por órgão ambiental competente, no caso do estado do Acre, cabe ao Instituto de Meio Ambiente do Acre – IMAC, o licenciamento desta prática.

Focos de Calor - A expressão focos de calor é utilizada para interpretar o registro de calor na superfície do solo por sensores, que viajam a bordo de satélites. “Esses sensores captam e registram qualquer temperatura acima de 47 graus centígrados e a interpreta como sendo um foco de calor. Um foco de calor, portanto, não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio” (IBAMA). Os dados são disponibilizados pelo INPE via internet.

Incêndios florestais - fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, provocado em sua grande maioria pelo homem, através de queimadas ilegais, vandalismo, balões de São João, etc. Enfim, podemos observar a complexidade do tema quando avaliamos todo o contexto. É importante salientar que a condição climática no Brasil, já apresenta mudanças em decorrência do aquecimento global. Períodos maiores com ausência de chuvas e o aumento da temperatura estão inclusos entre outros alertas que a natureza nos envia. Ela por si só não é capaz de suportar as agressões sofridas pelas ações humanas. Na Amazônia, a maior contribuição para o aquecimento global advém das queimadas e do desmatamento. Não esqueçamos ainda que, neste período, surge outra conseqüência grave, resultante das queimadas. A fumaça. Os postos de saúde e hospitais registram um crescimento considerável no número de atendimentos a casos com problemas respiratórios, onde crianças e idosos são as principais vítimas. Neste contexto, o mês de setembro é considerado o mais crítico e convém redobrarmos nossa atenção e cuidado. Minimizar os impactos ambientais decorrentes do uso do fogo é um desafio constante para todos os órgãos envolvidos: do Governo estadual, citamos IMAC, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, SEMA, que em parceria com as prefeituras e as comunidades através dos sindicatos e associações, mobilizam-se o ano inteiro no sentido de planejar ações e estratégias eficazes. Desta mobilização destacamos o Plano Estadual de Prevenção, Combate e Alternativas ao Uso do Fogo que em 2006, através de oficinas para formação das Brigadas Comunitárias Voluntárias capacitou 2.162 pessoas entre produtores, extrativistas, exército agentes e técnicos, entregando ainda 241 kits para o combate a incêndios. Cada kit é composto por bombas costais, máscaras de proteção, abafadores, enxadas. Foram intensificadas as ações de controle e fiscalização, sobrevôos em áreas de risco, A meta em 2007 consiste na ampliação das operações, participação efetiva dos Comitês Municipais de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, estabelecimento de acordos para que se aumente o controle das queimadas regionais, planejamento diário das atividades em conjunto através das salas de situação, que coordenam as ações específicas envolvendo CB; IBAMA; IMAC e MPE e, sobretudo, informar a sociedade através dos meios de comunicação, sobre os impactos do uso do fogo e os mecanismos de prevenção, controle, combate e alternativas de produção.

O Poder Público aumentou sua atuação no desenvolvimento de políticas públicas, no acompanhamento das ações e resultados, na aplicabilidade da legislação. Porém, muito há que se fazer ainda nesta direção. No entanto, caminhamos para o desenvolvimento sustentável, buscando um modelo ecologicamente correto e socialmente justo. Para que isso aconteça, tenhamos uma certeza: Somente com o envolvimento de toda a sociedade, será possível alcançar Resultados cada vez mais satisfatórios para o meio ambiente e para a coletividade.

* Tecnólogo em Gestão Ambiental

 
 
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Rio Branco-AC, 4 de setembro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
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Com Leonildo Rosas
 
 
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