COTIDIANO

Ceflora promove a inclusão digital para lideranças indígenas

Índios concluem curso de informática e cerimônia consagra prédio do Centro de Formação e Tecnologias da Floresta

 


Flaviano Schneider

“Este lugar está consagrado” é a tradução das palavras, cantadas na língua Arara, no encerramento de um trabalho espiritual de quatro horas realizado por indígenas das etnias Ashaninka, Arara, Kashinawa, Katukina e Poyanawa na sede do Centro de Formação e Tecnologias da Floresta (Ceflora), na noite do último dia 28 de setembro. Segundo a explicação dada por Alexandre Arara, os cânticos invocaram as forças da natureza e os espíritos dos antigos para que tomem o Ceflora como sua morada e inspirem os jovens na busca por mais sabedoria. O Ceflora, juntamente com o Instituto da Biodiversidade e o Campus do Canela Fina são os três componentes da Universidade da Floresta, que está situada em Cruzeiro do Sul no Vale do Juruá.

A cerimônia aconteceu após a apresentação do projeto de final de curso de Informática Básica do qual participaram 15 indígenas. Na apresentação feita pelos formandos os convidados aprenderam sobre diversos aspectos da cultura de cada etnia a partir de gráficos e outros conteúdos desenvolvidos com as ferramentas computacionais que são tema do curso. Os formandos também entregaram ao coordenador do Ceflora, Rafael Galdini, e ao secretário de Estado dos Povos Indígenas, Francisco Pinhanta, um documento pedindo que o Ceflora ofereça mais cursos aos indígenas do Vale do Juruá.

O secretário Pinhanta declarou: “Esse curso foi uma ajuda muito importante para capacitar professores e lideranças indígenas na área de informática, já que a secretaria dos povos indígenas tem buscado levar a Internet para um número cada vez maior de terras indígenas. Com certeza, iremos aumentar a oferta de cursos nessa parceria com o Ceflora, não somente na área de informática mas também na área florestal e de produção”. Para o coordenador do Ceflora, o curso serviu para demonstrar como o “diálogo entre os saberes” pode acontecer na prática, de uma maneira muito simples e natural:

“O que presenciamos aqui foi uma troca muito positiva. Os indígenas aprenderam sobre tecnologia da informação, sobre como escrever projetos e como usar Internet. Nossa equipe, por outro lado, aprendeu sobre suas práticas e valores, numa convivência agradável e enriquecedora. Todos crescemos muito, foi uma verdadeira força nos ajudando a encontrar o caminho para a construção do conhecimento intercultural e da sustentabilidade, objetivos maiores do Ceflora, dentro do conceito de Universidade da Floresta” - disse.

Depoimentos de formandos

Komayari (Ashaninka): “Esse foi nosso primeiro curso no Ceflora, achei muito importante porque é isso que nossa comunidade procura, aprender novas tecnologias, melhorias reais. Achei muito importante porque como professor na minha aldeia preciso muito do Word, do Excel e da Internet para ensinar meu povo a pesquisar e divulgar nossa cultura. Esse curso foi o início do que eu sonhei para minha comunidade”.

Tuku-Undi (Arara): “Quero cumprimentar a todos e agradecer a Deus, isso que aprendemos aqui vai ajudar no nosso desenvolvimento sustentável porque a informática é muito importante para a revitalização cultural do nosso povo. Agradecemos ao Ceflora por uma atividade tão bonita. Queremos compartilhar conhecimento da floresta e aprender mais da tecnologia.”

 

 
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