ESPECIAL
   ENTREVISTA

‘Austeridade faz honrar compromisso e atrair grandes investimentos’

Arquivo


O governador Binho Marques terminará o ano de 2007 com o aporte de cerca de R$ 300 milhões em pagamentos de salários de fim de ano, valor superior à folha de pagamento do funcionalismo de todo o ano de 1998, por exemplo. Naquele tempo, o anúncio do pagamento dos servidores virava manchete de primeira página dos jornais do Acre, mas já no início do próximo ano o governo estará anunciando o calendário para todos os meses de 2008. “Naquela época, a folha mensal era de R$ 20 milhões e hoje é de mais de R$ 70 milhões. Significa que temos todo mês mais que o valor equivalente a um Parque da Maternidade. Em valores de hoje, o parque custaria R$ 60 milhões para ser construído. Não é qualquer governo que faz isso”, comparou o governador. Nesta entrevista ele falou sobre vários assuntos, inclusive o processo de austeridade financeira que vem permitindo não apenas manter salários em dia como promover grandes investimentos na inclusão social. Veja o que diz o governador.

O asfaltamento do trecho entre Feijó e Cruzeiro do Sul está praticamente pronto e já traz uma nova realidade para região. É isso mesmo?

Binho - A realidade muda muito com a BR-364 e nessa região de Feijó até Cruzeiro do Sul a gente já sente uma outra movimentação. Aquela é uma região maior, uma comunidade maior, de mercado maior também. A BR muda a qualidade de vida das pessoas, baixa os preços dos produtos e para mim o mais importante é que a gente pode melhorar sensivelmente os serviços de educação e saúde. As pessoas no isolamento têm qualidade de vida muito inferior, a mortalidade infantil é muito alta, as pessoas têm expectativa menor de vida e nós temos a certeza, a partir de agora, de que esse trecho de Feijó a Cruzeiro do Sul dará acesso de inverno a verão.

Essa minha recente viagem pela BR foi um momento histórico. Nós conseguimos emendar o trecho que faltava para integrar a região. Agora em dezembro vamos inaugurar 124 quilômetros de asfalto. É um trecho que começa 19 quilômetros depois de Tarauacá até o rio Liberdade. Esse trecho vai ter um tratamento de excelente qualidade. Só nesse trecho, para se ter uma idéia, temos quase um quilômetro de pontes.

Eu tive a oportunidade de passar pela primeira vez sobre a ponte do rio Gregório. São 200 metros de ponte. Foi um momento de muita felicidade porque nós estávamos lá para fiscalizar a obra, que é um trabalho muito difícil. O governador Jorge Viana abriu a rodovia todos os anos durante seu governo, realizou um excelente trabalho e nós estamos dando continuidade, graças a Deus, a esse processo que chegará a 2010 com bons resultados.

A BR é um sonho do povo do Acre, e o governo está se empenhando para realizá-lo.

Quanto ao trecho antigo, como será a manutenção?

Binho - Construir na Amazônia é muito difícil. Nesse nono ano de governo, a grande vantagem que temos é a experiência. Nesse terceiro governo da Frente Popular, nós aprendemos muito com a BR. A natureza nos deu grandes lições e quem visita esse trecho que será inaugurado agora fica realmente impactado com a qualidade.

Se fosse o primeiro ano de governo, nós não conseguiríamos essa qualidade na BR. Com certeza teremos que recuperar grandes trechos porque foi construído em um momento em que ainda estávamos aprendendo a lidar com uma área que não tem pedra, onde temos que fazer pelo menos cinco camadas para fazer chegar na massa asfáltica. Temos de fazer subleito, leito, base, e tudo isso tem de ter uma avaliação de solo, mistura cimento... Há trechos em que temos de colocar, para ser exatos, 4.080 sacas de cimento por quilômetro de estrada. Cimento colocado no barro para ter garantia. Imagine todo esse processo nesse outro trecho que vamos trabalhar, que é pura tabatinga.

Já estamos com os projetos prontos de recuperação dos trechos entre Feijó e Cruzeiro. Os projetos estão prontos, e se tudo der certo na inauguração do novo trecho de 124 quilômetros, vamos assinar convênios da recuperação do asfalto antigo.

Tem gente que reclama da demora na pavimentação, mas a estrada não é só isso: há outras coisas, como o programa Luz Para Todos, recuperação de ramais...

Binho - Falando especificamente de asfalto, mesmo com toda ação de inclusão social, o trabalho não está atrasado. Está muito adiantando. Para se ter idéia, temos no Acre 1,1 mil quilômetros de asfalto em rodovias estaduais e federais. Apenas em 2007 vamos concluir pelo menos 200 quilômetros de asfalto. Temos 124 quilômetros de asfalto na BR-364, mas temos também pavimentação na BR-317 e AC-475. Estamos aí trabalhando em 270 km, mas vamos inaugurar ao menos 200 km até o final do ano. Significa que este ano estamos asfaltando 20% de tudo que temos em rodovias no Acre.

A BR-317 está sendo feita com bastante qualidade...

Binho - Sim, com muita qualidade. Essa estrada é estratégica porque Jorge Viana levou o asfalto até Assis Brasil e lá, sempre com o apoio do presidente Lula, construímos uma ponte binacional. Em 2010 teremos a ligação com o Pacífico e este ano concluiremos a BR-317 dentro do território acreano, levando asfalto até a divisa com o Amazonas.

Veja a importância dessa estrada: ela liga os portos do Pacífico, no Peru, até o porto de Boca do Acre. Assim, uma mercadoria que vem da Ásia, do oeste dos Estados Unidos pode passar pela Transoceânica e seguir pelo rio Amazonas. Então, essa BR-317 é transoceânica não só seguindo adiante pela BR-364, mas possui uma outra alternativa ainda mais barata e viável de transporte, que é através do rio Purus e de lá pelo Amazonas pelo porto de Boca do Acre.

Até a divisa do Amazonas são 36 quilômetros de asfalto que estão sendo concluídos na BR-317. E com qualidade muito superior que se tem em outros Estados brasileiros.

Quanto ao Pacto Agrário, que tem relação com ramais e estradas, as ações estão acontecendo?

Binho - Estão acontecendo no Estado todo. Nós havíamos feito um pacto com os deputados federais e senadores para nos apoiar com emendas para que investíssemos, até 2010, R$ 100 milhões para o produtor rural. Essa foi minha proposta de campanha. Este ano me reuni com todas as lideranças do Acre para anunciar que até novembro do ano que vem o investimento já terá superado esses R$ 100 milhões.

Posso dizer, com certeza, que os investimentos do nosso governo serão superiores a R$ 200 milhões no Pacto Agrário, que envolve ramais, mecanização, compra de calcário, assentamentos, educação, saúde... Será de tal maneira que teremos, com certeza, uma frente migratória para a cidade em escala muito menor que já se teve na história do Acre.

Então, esse pacto já está acontecendo. Acabamos de comprar R$ 6 milhões em equipamentos para mecanização nas zonas especiais de desenvolvimento. Compramos calcário, estamos recuperando áreas, há vários projetos de melhoria habitacional.

Tenho certeza de que isso fará com que o Acre diminua sua dependência externa na produção agrícola.

Poderemos também transformar áreas degradadas em áreas produtivas em todo o Estado.

O Acre é um dos Estados que termina 2007 com suas contas saneadas e isso já vem há vários anos. É uma forma de mostrar ao país uma nova forma de gestão pública?

Binho - É isso. O Acre tem a marca da boa gestão e da honestidade. Se não fosse isso não teríamos condições de fazer algumas ações que são inéditas no Brasil. Uma marca do governador Jorge Viana foi pagar o funcionalismo em dia nos oitos anos de seu governo. Nós conseguimos agora anunciar o calendário de pagamento até o fim do ano. Já no início do ano que vem vamos anunciar o calendário do ano todo e isso significa que só um governo muito bem estruturado, com boa gestão, equilibrado, que honra seus compromissos, pode fazer algo assim.

Houve época em que pagamento era manchete de jornal...

Binho - É verdade. E às vezes a gente esquece isso. Hoje conseguimos antecipar o 13º salário e fazer muitas coisas. Mas não significa que o Acre é um Estado rico. É bom que se diga que o Acre ainda é um Estado pobre. O Acre não é São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, mas a gente trabalha com muita segurança no sentido de acompanhar tudo para não desperdiçar recursos.

Em 1999, quando tomamos posse no governo, o governador Jorge Viana assumiu salários atrasados que, somados às obrigações com o funcionalismo do ano, representavam R$ 260 milhões. Agora, o que vamos gastar com o 13º e os salários de fim de ano é muito mais do que isso. Vamos gastar cerca de R$ 300 milhões, que é um valor maior que os salários do ano de 1999, data em que a gente assumiu o governo.

À época, a folha de pagamento era R$ 20 milhões e hoje é mais de R$ 70 milhões. Significa dizer que desembolsamos todo mês mais que o valor equivalente a um Parque da Maternidade, que nos valores de hoje custaria R$ 60 milhões para construí-lo. Isso somente para pagar salários. Não é qualquer governo que faz isso.

Grandes investimentos estão chegando. Em novembro do próximo ano um shopping center estará se instalando na cidade e também as grandes redes de comércio, como as Lojas Americanas. Estão vindo porque sabem que aqui existe um governo que honra os salários que os funcionários ganham. Fico feliz de poder comemorar isso.

Como o governo está trabalhando com a questão dos precatórios?

Binho - Este governo tem muita responsabilidade com o dinheiro público. Infelizmente houve período em que essas dívidas se avolumaram e nem todas eram verdadeiras. Havia tempo em que se faziam cálculos inflacionários absurdos.

Aquilo que é dívida verdadeira estamos honrando. Mas não estamos aceitando qualquer precatório como sendo dívida real. No passado, o governo perdeu patrimônio, perdeu vários prédios, como o do Banacre do Bosque, em função de dívidas construídas com critérios questionáveis. Vamos brigar na Justiça quando o interesse do povo estiver em jogo.

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 4 de outubro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A

 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE 20
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL