OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

José Augusto Fontes

 

Vanguarda revolucionária

Naquela noite da nossa revolução

A dança dos teus olhos, mais que a linha do corpo

Percorria, distante da ideologia

A direção convergente de nossas mãos e vontades

A madrugada cedia, nos claros corpos

Os sentidos executavam o plano sem ação

Nos territórios ocupados por nossa bandeira comum

Amanhecemos como um novo século de saudades

Ainda incertos do momento seguinte, caminho nenhum

Mas resolutos da dialética de nossos movimentos

O instante nos atingiu acima da razão

Percorreu o que nosso materialismo exibia

Fazendo de nossos anseios sentimento

Vanguarda revolucionária, de novo

Desde aquela noite, aquele dia

Definida nos olhos da nossa emoção

Erguida a bandeira, cravada a lança

A ação da gravidade é uma dança.


Visão

Breve momento de revolução acreana

E aquela árvore sombreou meu tiro

De tanto querer, apenas vi

Impregnados de látex teus suspiros

Como fossem gemidos de amor

Atirei, violei, domínios invadi

Naquela terra úmida

O amor nos engolia rápido

Único grito separou nosso cabo

Controle, duelo, outra munição

Parecia esperar cultivo, agrado

Ou nada ou definição

O prazer de lutar, depois a paz soberana

Inocente, que não me havia plantado

Semente, eterna revolução humana

Como bala em teu coração

Como borracha em teus desejos

Como província em tua nação.

 

 
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Rio Branco-AC, 4 de dezembro de 2005
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