COTIDIANO

Adelson Cariolando: um homem de 120 mulheres e 38 filhos

Ex-seringueiro chegou a conviver maritalmente com três mulheres na mesma casa durante nove anos

Cedida
Adelson garante que todas as
mulheres ficaram com ele por amor


Leonildo Rosas e Chagas Batista

Adelson Cariolando, 60, está longe de ser um galã de televisão, daqueles que as mocinhas suspiram e a senhoras casadas são obrigadas a esconder seus desejos mais íntimos com medo do ciúme do marido e da pressão da sociedade. De fala mansa e cuidadoso nas palavras, esse ex-seringueiro nascido no seringal Jardim, no rio Jordão, atualmente mora no seringal Palestina, rio Tarauacá. Não tem as facilidades do mundo tecnológico nem sabe quem são os ídolos que a mulherada sonha como o homem ideal.

Mas, mesmo se ter os predicados exigidos pelos padrões estéticos, ele é o verdadeiro rufião da área onde vive. Tem 38 filhos, sendo 28 registrados, gerados com as oito mulheres com as quais conviveu maritalmente. O apetite sexual é tanto que, até há bem pouco tempo, ele morava com três na mesma casa. Essa poligamia foi mantida tranquilamente com o consentimento das esposas durante nove anos.

As mulheres são Liberdade, Laís e Helena, respectivamente com sete, seis e quatro filhos. O mais velho desses 17 está atualmente com 15 anos. Os outros 21 foram concebidos com outras mulheres e não moram com o pai. Alguns estão, inclusive, casados e demonstram a mesma disposição para procriar.

No livro “Memória das minhas putas tristes”, o escritor colombiano Gabriel García Márquez escreve sobre um personagem que, ao fazer 90 anos, deseja possuir uma garota de 14 anos. Até os 50 anos, o personagem tinha contabilizado 500 mulheres que passaram na sua vida. Detalhe: pagou por todas.

Os números de Adelson Cariolando são mais modestos, mas não deixam de impressionar. Ele diz que ao longo dos seus 60 anos de vida possuiu 120 mulheres, uma média de duas por ano vivido. Dessas, 12 eram donzelas. Detalhe oposto ao personagem da literatura: não precisou pagar por nenhuma delas. Tudo foi por amor.

“Fui filho apanhado. Sofri muito na vida, mas tive também muitas alegrias”, comenta.

Atualmente morando com 17 filhos, ele diz que a quantidade é suficiente para encher uma sala de aula. Mas engana-se quem pensa que ele parou de aumentar a prole. Helena está grávida do quinto filho. O 39º de Adelson Cariolando.

“Acho que é possível chegar aos 40 filhos dentro de pouco tempo. A gente aqui no seringal não se tem muito o que fazer”, fala com humildade.


Filhos de Adelson e a mulher que escolheu para viver o resto da vida

Um jeitinho todo especial

Se conviver com apenas um esposas dentro de casa é tarefa difícil para a maioria dos homens, para Adelson ficar com três, segundo ele, era tarefa fácil. Isso era possível porque o rufião sempre dava um “jeitinho” de nenhuma delas ficar com raiva.

“Mesmo as que já deixei, quando eu encontro, tudo acontece de novo”, garante.

Para justificar a facilidade que tem para reatar romances, ele busca inspiração no símbolo da união entre os casais. “Ora, se eu tenho uma aliança, e eu perco, no dia que eu encontro ela continua sendo minha”, ensina.

Outro ponto positivo na vida do seringueiro em relação ao demais homens é que nunca uma mulher lhe cobrou pensão alimentícia. Isso aconteceu, segundo ele, porque sempre tratou todas muito bem.

“Trabalhava dia e noite para dar o sustento a elas. Se eu comprasse uma barra de sabão para uma, tinha que comprar para todas. Cada uma tinha seu quarto e suas coisas, suas criações de galinha, porco, pato, e todas educavam bem os filhos. Tinha época que nasciam três crianças por ano dentro da mesma casa. Quando isso acontecia, eu tinha que produzir mais borracha e aumentar a criação de galinhas”, salienta.

O tratamento igualitário também era dispensado na hora de ocupar a rede de Adelson. Ele escolhia o dia que ficaria com uma delas sem marcar data. “Eu escolhia aquela que eu estava desejando mais, mas todas ficavam satisfeitas.”

Tanta harmonia um dia teve fim. Para isso, Adelson reuniu as três e disse que não poderia ficar mais com todas elas. Dizendo apenas que iria ficar sabendo qual era aquela que seria sua mulher para sempre. Dito isso, ficou apenas observando o comportamento de Liberdade, Laís e Helena,

Animadas com a possibilidade de ter o homem amado só para elas na mesma rede, a mulheres se puseram a trabalhar. No fim do ano Helena foi a que criou mais galinhas, porcos e patos e a que mais ajudou e educou melhor os meninos.

“Eu achei que ela estava trabalhando para ficar comigo. Hoje estou criando 17 filhos, a mulher já está esperando mais um. Depois de todo esse tempo e de tantas as mulheres que possuí, descobri que a Helena é a mulher que eu vou viver para resto da minha vida.”

Um casamento oficial

Maria Victor, Raimundinha, Liberdade, Vanilda, Laís e Helena. Esses são os nomes das mulheres com as quais Adelson conviveu sob o mesmo teto. Dessas, com apenas um se casou na igreja, na presença do padre. “Essa mulher, infelizmente, já faleceu. Depois me casei extra-oficialmente com as outras. Mas já conheci mais de 120 mulheres, dessas só 12 eram donzelas. Nasceram 28 filhos oficiais e 10 por fora”, comenta.

Com tantos filhos em mulheres diferentes, o ex-seringueiro tinha problema mesmo quando tinha que batizá-los. Estrategicamente, para não assustar, ele dividia a turma, levando metade para batizar no seringal de cima e a outra metade para batizar no seringal de baixo.

Mas um dia o padre descobriu a estratégia e afirmou que não batizaria mais seus filhos. Com a mesma rapidez e poder de convencimento que utilizava para conquistar mulheres, Adelson Cariolando se defendeu dizendo: “Padre, o senhor não conhece a vida de seringueiro. O senhor tem tudo o que precisa na sua casa. Boa alimentação, televisão, e eu, quando chego do trabalho cansado, a televisão que encontro é uma mulher deitada. No mais, o senhor devia me agradecer porque eu sou o seu melhor freguês. Sou eu quem mais pago dinheiro com batizado”.

O padre não resistiu ao poder dos argumentos e resolveu batizar as crianças. “Eu sempre fiz as coisas e nunca neguei. Não sou ladrão de consciência, daqueles que fazem o pecado às escondidas pensando que estão escondendo de Deus”, declara.

Sem ajuda do governo federal

Carlos, Lenilda, Nádia, Adecino, Adriana, Adisson, Adelino, Israel, Adelina, Júnior, Jesus, Leidiane, Leidinéia, Naiana, Cristiano, Nonata, e Cátia. São 10 mulheres e sete homens os filhos que atualmente moram com Adelson. O mais velho tem apenas 15 anos. Manter todos alimentados e vestidos não é tarefa fácil. “Uma paca só dá uma refeição”, diz.

O ex-seringueiro se vangloria de estar criando todos sem renda e sem ajuda de terceiros. “Nunca fui empregado. Nem o dinheiro que o presidente dar para os alunos que estudam eu nunca recebi”, reclama.

 

 
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