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Construindo uma cultura exportadora A história de um comerciante que veio de Manuel Urbano com vontade de levar o Acre para o mundo |
![]() Adem acreditou no potencial de uma rede de supermercados e hoje comemora o sucesso da iniciativa |
O sucesso de uma empresa familiar que partindo de um pequeno negócio em Manuel Urbano construiu pelo suor e persistência a maior rede de supermercados hoje existente no Acre. Essa história se mistura à evolução ocorrida no próprio sistema comercial do Acre nesses últimos anos, mudanças das quais a família é participante ativa. O empresário Adem Araújo da Silva, 38 anos, pai de três filhos, formado em administração de empresas pela Firb e agora acadêmico do MBA da Fundação Getúlio Vargas no curso de Marketing, lidera o grupo iniciado pelo irmão Aldenor, que seguiu o conselho do cunhado Pelegrino para que montassem uma mercearia em Rio Branco. De lá para cá há uma longa história de 25 anos de altos e baixos enfrentando um leão a cada dia. Há duas semanas, Adem assumiu a presidência da Associação Comercial e Industrial do Acre (Acisa), cargo para o qual tem mandato de quatro anos. Ele faz uma avaliação de como está o mundo comercial hoje, lembra como entrou para o movimento associativista e de quais são seus planos para esse quadriênio que se inicia. “Meu pai era seringalista em Manuel Urbano, por isso desde menino aprendi os mecanismos de controle de estoques e preços no armazém. Antigamente tudo era mais simples, mas hoje há uma concorrência muito grande e isso exige que quem se propõe a montar um negócio se especialize em seu segmento focando sempre a eficiência no manejo de seu produto e no atendimento ao cliente. O segredo do sucesso em qualquer negócio é trabalhar, trabalhar muito”, garante. Ele lembra que comerciante tem de ser comerciante, ou seja, investir num único negócio até que ele esteja perfeitamente consolidado, só então pode apostar em novos investimentos, do contrário não vai dar certo em nenhum deles. “O capital da empresa pertence à empresa. O comerciante tem de sobreviver do seu pro labore, seu salário mensal, se ele meter a mão no caixa para satisfazer seus gostos vai acabar quebrando. É preciso ter paciência e tudo irá acontecendo no seu tempo certo.” União pela sobrevivência O envolvimento de Adem com a Associação dos Supermercadistas do Acre aconteceu durante o governo do ex-presidente José Sarney, de triste memória para os comerciantes por seus malfadados planos econômicos que ao invés de solucionar os problemas do país acabavam por complicar ainda mais as coisas. “Sarney foi o pior presidente para o nosso ramo, criava regras e ações absurdas que só complicavam nossa vida sem vantagem para ninguém, Teve dono de supermercado que chegou até a ser preso por causa daquilo tudo. Foi então que surgiu nossa associação de supermercados e eu entrei nela assim por impulso, mas sem um objetivo particular. Tinha 28 anos, era inexperiente nessa área e não podia imaginar que a partir dali minha vida se transformaria”, relembra. Representando a categoria, começou a freqüentar seminários e encontros de cunho nacional e internacional. Lá conheceu empresários bem -ucedidos de todo o país, visitou feiras, ouviu conselhos e sugestões, teve contato com projetistas, treinadores e fornecedores para o setor. “Um mundo se abriu para o nosso ramo. Trouxe cursos e treinamentos para Rio Branco, fiz investimentos na modernização de nossa empresa, outras empresas também se modernizaram, ganhando eficiência na administração e melhorando muito a qualidade no atendimento aos clientes, hoje estamos no nível das boas empresas do país. Passei seis anos na associação dos supermercados até entrar para a Acisa.” Ao longo dos últimos quatro anos, Adem foi vice-presidente da Acisa, que até o início de janeiro esteve sendo liderada pelo empresário Rubenir Guerra, proprietário do Barriga Verde. “Foram quatro anos de conquistas muito importantes, como as parcerias firmadas com o governo do Estado e o Sebrae. Elas fizeram avançar a mentalidade de nosso empresariado. Aprendemos a necessidade de buscar maior eficiência na administração de nossos negócios e a importância de estar em dia com nossas obrigações frente ao poder público. Melhoramos nossos ganhos e o Estado arrecadou mais. Todo mundo ganhou.” Isso levou ao acordo para que os empresários que pagassem em dia seu ICMs fossem premiados com um desconto de 10% desse valor, o que garante um capital a mais para ser reinvestido nos negócios que geram emprego e renda. “Essa era uma reivindicação antiga do setor.” A caminho do Peru - Também se intensificaram nesses últimos quatro anos as perspectivas de negócios internacionais. Empresários acreanos viajaram para o Peru, Bolívia, Alemanha e até para a China. “A Estrada para o Pacífico é a nossa grande esperança, embora ainda não tenhamos muitos produtos acreanos para exportar, poderemos atuar como intermediários oferecendo produtos brasileiros e importando com maior facilidade produtos peruanos que o Centro-Sul brasileiro consome. Isso vai financiar nossa produção interna.” Para concretizar essa idéia foi criada na Acisa uma sala do exportador, onde os empresários locais podem obter orientação sobre mercado e quais os requisitos para exportar ao Peru e demais países andinos. Outra novidade da gestão passada foi a criação da Câmara de Mediação, através da qual são resolvidas com maior rapidez e sem complicações as muitas questões entre comerciantes e clientes, o que acaba diminuindo o número de ações encaminhadas ao Judiciário. Esse sistema é usado na maioria dos países da Europa. Planos para o futuro Adem assumiu a presidência da Acisa na primeira semana de janeiro e a primeira providência que tomou foi acelerar o processo de informatização da associação. Sabe que com isso vai poder oferecer serviços com mais rapidez e qualidade a seus associados. “Para tomar suas decisões de investimento os comerciantes precisam de informações e estatísticas que dêem uma visão panorâmica do mercado e de seu setor mais especificamente. Hoje fazemos isso parcialmente, mas estamos buscando uma parceira com a Ufac para que isso seja feito com maior amplitude e precisão”, explica Adem. Seguindo esse caminho da sistematização também estarão sendo criadas câmara setoriais, a fim de que as reuniões de interesse específico para um setor como o comércio varejista de roupas se restrinja a eles e não a um convite geral a todos os comerciantes. Acre exportador - Um dos focos principais da gestão de Adem à frente da Acisa será consolidar o comércio entre o Acre e o Peru como também aos demais países andinos. Para isso, tem mantido reuniões com representantes do Ministério das Relações Exteriores, Receita Federal e Ministério da Agricultura. “Ainda temos de resolver algumas pendências burocráticas no para facilitar o relacionamento entre nossos países. A ponte da integração está pronta, mas o Ministério da Agricultura ainda não instalou ali seu posto de vigilância sanitária animal e vegetal, sem os quais não podemos exportar com agilidade. Por enquanto, tudo é provisório”, adverte. Ponto de honra é manter e ampliar as parcerias que a Acisa vem realizando com o governo do Estado, Sebrae e outras instituições públicas que vem favorecendo a modernização e o funcionamento dos negócios. “Neste mandato nosso grande objetivo está em construir no comerciante acreano uma cultura exportadora. Na Europa qualquer micro empresa exporta para o mundo, nossos comerciantes infelizmente não sabem isso, então é urgente e necessário que a gente aprenda e esteja pronto para abastecer esse imenso mercado que está se abrindo para nós com o avanço da estrada para o Pacífico”. |
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