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Maria Regina Canhos Vicentin * |
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Os pais, os filhos e os vestibulinhos... “Os educadores olham primeiro para o aluno e depois para as disciplinas a serem ensinadas. Educadores não estão a serviço de saberes. Estão a serviço de seres humanos” (Rubem Alves). Várias crianças vão agora para a primeira série. Começam a galgar os degraus da alfabetização e do saber. Como todos os alunos (entenda-se pais) interessados em descontos na mensalidade, podem estar enfrentando os famosos “vestibulinhos”, aquela provinha onde se avalia a criança a fim de conceder ou não as bolsas de estudo. Interessante notar que, muito embora o MEC condene e a maior parte das escolas afirme que a nota é puramente classificatória há os que, já nessa fase, estigmatizam o aluno que não obtém boa colocação. Seria muito divertido e engraçado se não fosse tão chocante e ridículo classificar crianças de seis e sete anos de forma a já lhes conferir, nessa fase, um possível sucesso ou fracasso diante de uma avaliação de duas ou três horas. E mais, traçar um perfil observado em apenas um dia que apontaria no sentido do aluno exemplar e do aluno problema. No meu tempo de menina, e olha que eu não sou tão velha assim, nós começávamos a alfabetização na primeira série. Era quando conhecíamos as primeiras letras e formávamos as primeiras palavras. Era quando aprendíamos a nos comportar em sala de aula, a falar pouco, a respeitar os colegas e os professores. Embora cada qual viesse de uma casa diferente, ali formávamos uma grande família que tinha regras próprias de convivência, às vezes, diversas das da nossa própria casa. Não precisávamos provar boas maneiras, conhecimento ou bom comportamento para freqüentar a primeira série, afinal, estávamos ali para aprender tudo isso. Sinceramente, hoje não é mais assim. Algumas crianças de cinco anos já estão alfabetizadas. É uma gracinha ver um bebê escrevendo o próprio nome e soletrando palavras. Algumas crianças têm essa facilidade. Outras são estimuladas para serem assim. Mas a verdade é que, não sei porquê, essas crianças acabam alcançando os primeiros lugares nesses vestibulinhos, principalmente se elas sabem ficar quietinhas e concentradas em suas atividades. Outras crianças, mais ativas, falantes, extrovertidas, menos caprichosas, mais dispersivas ou lentas... Ai que dó; amargam os últimos lugares, pois suas habilidades não contam pontos na avaliação dos saberes tradicionais. Mamãe, papai, não fique triste se o seu filho não foi classificado no vestibulinho. Isso realmente não importa muito, principalmente para ele. Procure avaliar se ele está feliz, se está bem. Hoje, o conceito de inteligência é outro, embora muitas escolas insistam em viver no passado. Existem múltiplas inteligências. Às vezes, o seu filho é um gênio e ninguém ainda percebeu, nem mesmo você. Dê uma chance a ele, apostando em seu potencial positivo que pode muito bem estar latente. Fuja de escolas que não sabem valorizar o potencial de seu filho, ainda que ele seja o último da lista. Na vida, nem sempre os melhores alunos ocupam as melhores posições. Invista no seu “azarão” e eu tenho certeza de que ainda terá motivos de sobra para se orgulhar dele. Aos diretores, coordenadores e professores, apenas a lembrança do recado de Rubem Alves: “Educadores não estão a serviço de saberes. Estão a serviço de seres humanos”. * Psicóloga |
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