COTIDIANO

Sindicato denuncia Deas na Delegacia do Trabalho

Diretor da empresa diz que unidades estão passando por modernização

Regiclay SaadyManuel Neto afirmou que DRT vai dar prioridade às denúncias


Marcela Barrozo

Em uma reunião com o delegado Manuel Neto, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), representantes do Sindicato dos Urbanitários denunciaram o Departamento Estadual de Água e Saneamento (Deas/Sanacre) por uma série de irregularidades detectadas junto às unidades de Brasiléia, Bujari, Epitaciolândia e Senador Guiomard.

A acusação é de que a autarquia impõe aos seus funcionários do interior condições subumanas de trabalho. De acordo com a assessoria do sindicato, a diretoria da entidade ficou “assombrada” com o que viu em recente viagem de visita à unidade do Deas em Brasiléia.

“A precária iluminação da Estação de Tratamento é feita através de um rabicho, ou seja, a energia é furtada da Eletroacre. Os operadores manuseiam produtos químicos sem equipamento de proteção, usando apenas uma colher de pau”, afirma o assessor João Maurício em nota divulgada na imprensa.

Más condições - Segundo a denúncia, os funcionários trabalham das 5 às 21 horas sem receber hora extra. Ainda consta na nota que o almoxarifado parece “um ninho de rato”. Além do fato de que, para se alcançar a bomba flutuante, no meio do Rio Acre, os funcionários são obrigados a descer uma parte do barranco usando uma frágil escada e se amarrar a uma corda para entrar na água e enfrentar a correnteza.

“Essa arriscada operação tem que ser repetida constantemente neste período de inverno, quando os balseiros entopem a bomba de hora em hora”, informa o presidente do Sindicato, Marcelo Jucá.

Na nota, a diretora do Sindicato dos Urbanitários, Maria José Lima de Souza, funcionária de carreira do Deas/Sanacre, declara que a situação daquele município é, no mínimo, equivalente às demais unidades do interior. Não bastasse a dificuldade para descer o barranco, os trabalhadores chegam a trabalhar das 5 da madrugada às 21 horas sem receber horas extras.

“São condições subumanas de trabalho que afetam diretamente os consumidores. Imagine a qualidade da água oferecida para as populações dos municípios. É por isso que defendemos a revitalização da Sanacre, atualmente apenas uma empresa de ficção prestadora de serviço ao Deas”, criticou Maria José.

Após as visitas às unidades do interior, foi a vez do advogado da entidade, Pedro Raposo Baueb, elaborar um dossiê com fotografias, colocando em xeque, além das irregularidades já citadas, a qualidade da água distribuída à população.

Depois de protocolada a denúncia, o delegado Manoel Neto garantiu que esta será a prioridade da DRT em suas auditorias pelo interior. “Vamos tratar desse assunto com muito carinho. Essas reclamações já entraram no nosso planejamento de ações e, agora em março, já começam as auditorias pelo interior”, finalizou.

O lado do Deas

De acordo com o diretor-presidente do Deas, José Bestene, as acusações são infundadas e os próprios funcionários não estão de acordo com o que foi feito. “Eles estão revoltados com a forma como foi feita a coisa. Tinha que ter sido feita uma assembléia, porque nós estamos em processo de modernização da empresa em todo o Estado. Agora, com recursos do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], vamos automatizar todas as unidades”, garantiu.

Além dos recursos do PAC, são feitas parcerias com o governo e as prefeituras para extensão da rede de abastecimento tanto nos municípios quanto na capital. A respeito da insinuação da má qualidade da água consumida pelos acreanos, Bestene garante que diariamente são feitos exames bacteriológicos de praxe. “É só vir aqui e pedir para ver as análises.”

 

 
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