POLÍTICA

Reinaugurada a maior escola do Acre

Alunos do Colégio Barão do Rio Branco ganham escola com infra-estrutura para garantir qualidade ao ensino

Sérgio Valle/Secom
Binho: “Aqui aprendi muito e,
sinceramente, me sinto aprovado na vida”


Juracy Xangai

Saudades do passado, realizações do presente e esperanças num futuro planejado para dar certo. Assim pode ser resumida a reinauguração da obra de reforma do Colégio Estadual Barão de Rio Branco pelo governador Binho Marques, que é ex-aluno, ex-professor e ex-secretário estadual de Educação, cargo no qual acompanhou pessoalmente todo o projeto de reformulação da instituição.

A diretora Meire Ferreira da Silva não resistiu à emoção e chorou ao lembrar a luta do líder educador e ex-diretor, Welido Miranda Gurgel, falecido em meio à sua luta pela recuperação da escola. “A alegria da inauguração mistura-se à emoção da lembrança e saudades que temos do professor Welido, que por acaso, nasceu e morreu neste mês de abril. Líder e educador brilhante, seu nome agora batiza nosso laboratório de biologia, matéria da qual ele era professor”, declarou.

Após agradecer ao governo pelo investimento na escola, Meire homenageou a mãe do ex-diretor com um buquê de crisântemos brancos, e o governador com uma cópia de seu histórico no qual estão contidas todas as notas do tempo em que passou por ali.

Escola da vida

Com o documento na mão, Binho disse que com sua militância política e estudantil suas notas gerais não foram muito boas, mas o suficiente para ser aprovado. “Aqui aconteceram os maiores movimentos artísticos e culturais do Acre. Minhas notas não foram as melhores, mas fui aprovado, o melhor que aprendi na vida aprendi aqui na escola pública, esta escola pública que hoje já é referência de qualidade para o Brasil, mas, mais que isso, queremos que seja esta educação que dê sustentação ao desenvolvimento de nosso Estado. A exemplo de mim, muitos outros irão ao nível superior e voltarão para dar seu testemunho de orgulho de ter estudado aqui. Aqui aprendi muito e, sinceramente, me sinto aprovado na vida!”, disse

Binho lembrou que ajudou a fundar o primeiro movimento estudantil numa época em que ele, de tendência trotskista, disputava a liderança dos alunos com Marcos Afonso, de tendência marxista. “Nosso grêmio era proibido, criamos o jornal ‘A Escola’, que funcionava clandestinamente. Fazíamos cinema, música e poesia, quando realizamos o primeiro Festival Acreano de Música Popular. Eu, que pertencia ao grupo A Gota, ajudei a compor a música, que tinha letra de Damião e foi interpretada pela Rose. Aqui nasceram o movimento de defesa dos estudantes do Acre, os primeiros debates e ações políticas que se ampliariam para a Ufac. Éramos jovens que sonhavam construir um mundo melhor e aqui estamos fazendo isso.”

Ele lembrou que foi a primeira escola a eleger seu diretor, Henrique Silvestre. “Naquele tempo éramos uns poucos agitadores culturais e políticos, mas estamos criando condições para que vocês sejam muitos, que construam um futuro melhor ainda, porque nós acreditamos em vocês.”

Fazendo história na Educação

Com seu prédio construído em 1946 para abrigar a Secretaria de Educação e Cultura do Território de então, só em 1958 passou a funcionar como Escola Normal Lourenço Filho, encarregada de formar os primeiros professores acreanos no nível de magistério. Quando da elevação do Território a Estado, em junho de 1962, seu auditório, agora transformado em sala de teatro Betho Rocha, passou a ser a primeira sede da Assembléia Legislativa, onde 14 deputados elaboraram a primeira Constituição do Estado do Acre e onde foi dada posse, em 1963, ao primeiro governador eleito, José Augusto de Araújo.

Permaneceu como escola normal até 1974, quando, por influência da então criada Universidade Federal do Acre, foi transformado em Complexo Escolar de Ensino Médio (Ceseme) até o dia 2 de abril do ano 2000, quando de sua reforma anterior foi rebatizado como Colégio Estadual Barão do Rio Branco.

“Além de Binho Marques, também estudaram na escola os ex-governadores Edmundo Pinto e Jorge Viana, além de uma série de ex-alunos que hoje são professores, advogados e juízes de destaque na sociedade acreana”, lembrou o professor Joaquim Ferreira do Nascimento, que há 32 anos leciona matemática e física sempre ligado à instituição.

Força jovem

Leonardo Nora, 16 anos, cursa o segundo anos e é presidente do Grêmio do Colégio Estadual Barão do Rio Branco. Ele lembrou que a reforma inaugurada é fruto da luta do ex-diretor Welido continuada por Meire Ferreira sempre em parceria com os alunos. “Welido essa nosso líder e nosso exemplo na luta pela melhoria da escola, Por isso, somos os primeiros a trabalhar pela conscientização da comunidade estudantil pela preservação deste patrimônio que é nosso, para que um dia nossos filhos também possam aprender aqui, na melhor escola do Acre”.

A secretaria estadual de Educação, professora Maria Correia, lembrou que a beleza das escolas é uma marca deste governo nos últimos nove anos em que o atual governador Binho Marques esteve à frente da Educação, “pasta que agora ocupo com orgulho de poder administrar uma rede de escolas que não faz vergonha a nenhum Estado, nem mesmo às escolas particulares, o que nos permite cobrar ainda mais qualidade no ensino”.

A reforma, feita pela Adinn Construção Ltda., durou um ano e em seus momentos de pique de trabalho chegou a utilizar 300 trabalhadores por dia. A obra teve um custo geral de R$ 2,2 milhões mais R$ 249 mil investidos em mobiliário novo para atender os 2.080 alunos que freqüentam suas 20 salas de aula.

 
 
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Rio Branco-AC, 5 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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