POLÍTICA

Acre desbanca Estados ricos na avaliação do ensino fundamental

Estado é classificado em 12° lugar na avaliação feita pelo IDEB

Arquivo
Deputado Moisés Diniz avaliou
os dados divulgados pelo IDEB


O deputado Moisés Diniz (PC do B) comemorou os resultados do IDEB 2006, que avaliou o ensino fundamental nas 27 unidades da federação. O Acre ficou em 12º lugar, desbancando Estados ricos e com séculos de experiência escolar.

O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) avalia a qualidade do ensino de 1ª a 4ª e de 5ª a 8ª série. Na fase de 5ª a 8ª série, o Acre ficou com nota 3,5, igual à média nacional. Também nesse quesito, Estados seculares e ricos como Amazonas e Pará ficaram abaixo do Acre.

“Pará e Amazonas são do tempo das Capitanias Hereditárias, portanto, tiveram tempo de consolidar um modelo educacional. O Acre é uma criança. Só em 1932 tivemos o direito de eleger representantes no congresso nacional. Por isso, devido ao nosso exíguo tempo de existência, é uma grande conquista esse resultado”, argumenta.

Todavia, o que mais chamou a atenção do deputado foi o resultado do Acre em relação aos Estados industrializados e com séculos de experiência escolar. Estados como Paraná, Rio de Janeiro e o Distrito Federal tiveram notas inferiores ao Acre, na fase de 5ª a 8ª série, respectivamente - 3,30, 2,90 e 3,30.

“Estou convencido de que esses resultados são fruto dos investimentos no profissional (melhores salários e faculdade), modernização de nossas escolas e a descentralização (dinheiro na escola e eleição para diretor). Acho que o próximo passo para avançarmos deve ser o da humanização e do investimento direto na sala de aula”, afirmou Diniz.

O parlamentar do PC do B disse que fez ainda uma simulação dos resultados dentro do próprio Estado. Descobriu que os municípios novos e com alta população rural apresentaram os piores resultados. Jordão, Santa Rosa, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Manoel Urbano, com notas entre 1,7 e 2,0, desequilibraram os números do Acre.

“Esses municípios vivem em regiões isoladas e têm menos de 20 anos de existência. São cidades em formação, portanto, com pouca experiência escolar e ainda carentes de bons profissionais e de insumos da modernidade educacional”, explicou.

Diniz fez questão de ressaltar que foram menores os números do IDEB, na faixa de 1ª a 4ª série no Acre, de 3,3 pontos. Apesar de serem superiores a muitos estados, a avaliação das primeiras séries (antigo primário) ficou abaixo do grupo de 5ª a 8ª série.

“Durante décadas, devido à legislação educacional e a um sutil pré-conceito com o antigo primário, os profissionais de nível médio se tornaram os professores das primeiras séries. Os graduados migravam para o antigo ginásio e para o ensino médio. Somente em 2006, a SEE corrigiu essa deficiência, através da formação maciça de milhares de professores”, argumentou o deputado.

O deputado, todavia, informa que nos municípios isolados e na zona rural ainda persiste essa situação, considerando que os professores levarão três anos para concluir o ensino superior. E isso reflete nos números do IDEB.

“Quando você faz uma avaliação isenta da realidade do Acre, comparando aos estados ricos e de secular tradição educacional, descobre que se processou aqui um verdadeiro milagre em termos de educação. E eu acho que ainda vamos avançar muito mais”, concluiu o parlamentar.

 
 
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Rio Branco-AC, 5 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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