VARIEDADES

Acre e Mato Grosso: turismo e meio ambiente juntos

Estados distintos, mas com afinidades na valorização do turismo por sua história, cultura e riqueza natural

Cedida
Turismo-aventura: objetivo
é proporcionar interação ao
turista com o que a natureza oferece


Andréa Zílio

Lugares distintos, interligados por outro Estado, mas com diversas afinidades no caminho que busca como meta o turismo ecológico, Mato Grosso (MT) e Acre (AC) são repletos de belezas naturais, riquezas culturais e histórias de encantos, lutas e vitórias.

O primeiro trabalha para tirar a imagem negativa que lhe foi rotulada - um lugar apenas de plantação de soja e sem conscientização ambiental - exaltando sua diversidade biológica como produto turístico que deve ser preservado. O segundo fortalece seus passos rumo à nova economia que é o turismo, uma das que mais cresce no mundo, tentando fazer jus ao que lhe foi atribuído na luta ambiental que sempre travou, principalmente com o ambientalista Chico Mendes.

São essas afinidades que propuseram Mato Grosso se apresentar ao Acre, por meio de um fampress, dias antes da abertura da 14º Festival Internacional do Pantanal - que abre a temporada de turismo do Estado -. mostrando os novos trilhos que percorre no setor. O Estado, que possui 141 municípios, é dono de quatro ricas regiões: Cerrado, Pantanal, Amazônia e Araguaia. Cada uma delas tem suas peculiaridades. O Estado tem buscado trabalhar cada um de seus quatro ecossistemas de forma integrada, mostrando que sem a união dos setores envolvidos não é possível chegar a lugar algum.

O secretário de Estado de Desenvolvimento do Turismo do Mato Grosso (Sedtur), Pedro Nadaf, que também preside a Federação de Comércio e o Conselho Deliberativo do Sebrae, diz que as ações hoje buscam a parceria de Estados vizinhos e outros países e que o desenvolvimento do turismo precisa ter o setor privado como principal atuante, tendo o governo do Estado como intermediador e planejador das políticas públicas.

Nas ações de integração, Nadaf fala do projeto de integração com o Pacífico, incluindo Bolívia, Peru e Chile, em que Mato Grosso tem mantido uma relação de intercâmbio cultural que se fortalece aos negócios, e reconhece a importância do Acre para o Brasil para estreitar a relação com o Peru.

Na busca do fortalecimento do turismo em todas as suas regiões, Mato Grosso hoje, segundo o secretário, prioriza a preservação ambiental na sua política de desenvolvimento do setor. E nesse processo diz que é fundamental o trabalho conjunto com as secretarias de Cultura e de Meio Ambiente do Estado, pois falar de turismo é falar também do meio ambiente e da cultura. “Atuamos em parceria para poder elaborar melhor o planejamento e a execução do desenvolvimento do turismo no Estado”, diz.

Rumos essenciais que levam ao desenvolvimento do turismo

Convention Bureau – Nadaf foi um dos fundadores do Convention e Visitors Bureau de Mato Grosso (CVB) e diz que a instituição é fundamental no processo de desenvolvimento do turismo. O Acre também ganhou seu CVB este ano, incluindo todo o trade turístico para tentar captar eventos para o Estado. O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-AC), José Raimundo Morais, foi o escolhido para presidir a comissão provisória do Convention no Estado, que agora trabalha para a oficialização da instituição.

O CVB-Acre promete trabalhar exaltando a identidade acreana, pois só assim conseguirá competir com grandes capitais. “Captar um evento para o Acre em disputa com São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados exige um direcionamento diferente. Precisamos mostrar as peculiaridades do Acre para ter êxito”, diz.

E é esse diferencial que Mato Grosso tem seguido em seu trabalho, segundo o técnico da Sedtur, José Humberto Falcão.

Mudança no empresariado - Um caminho com resultados no médio e logo prazos, que resulta em bons frutos, assim é o turismo, que tem se apresentado como forte defensor do ambiente, até porque este não pode estar dissociado da preservação, e Mato Grosso tem tornado essa idéia uma bandeira a ser defendida.

Hoje, diversas fazendas se transformaram em pousadas, e a criação de gado deixou de ser prioridade diante dos serviços a serem oferecidos ao turista. Entre as pousadas que são exemplos disso, ou que se tornaram referência por nascerem com o conceito de mostrar as belezas naturais respeitando o meio, estão Piuval, Mato Grosso e Araras.

Riqueza gastronômica - Mato Grosso mostra que aprendeu a lição de casa na forma de fazer turismo apresentando sua gente, sua história e suas belezas naturais, e um grande destaque vai para a gastronomia. Hoje, o Estado dispõe de restaurantes que já entraram para a lista dos melhores do mundo - caso do Lélis - e outros tradicionais e também famosos pela qualidade, como o Choppão.

O incentivo à gastronomia também é fortalecido com ações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), cujo presidente no Estado, Francisco Chaves, afirma que o Acre deve incentivar sua instituição, que tem papel fundamental nas ações do turismo.

Seguindo rumos de acordo com sua realidade, Acre e Mato Grosso mostram que desenvolver o turismo não é tarefa fácil, mas pode se tornar um caminho promissor, que gera emprego, renda e abrange todo o Estado se trabalhado o seu desenvolvimento.

Mato Grosso deixa claro que tem feito isso mostrando o lugar como ele é, criando apenas a estrutura para receber os visitantes.

 

 
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Rio Branco-AC, 5 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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