| COTIDIANO | |
O verdadeiro
amigo Morador das imediações do igarapé dá exemplo de preservação ambiental ao limpar e conservar suas marges |
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Lutar pela preservação de um manancial enquanto a maioria conspira contra não é uma tarefa fácil. Essa é a situação vivida diariamente pelo funcionário público, Antônio Saady Sobrinho, 56, que mora nas margens do Igarapé São Francisco há oito anos, plantando, limpando e promovendo outras ações que mantém parte do igarapé sadio. Amor à natureza é o que motiva o preservador a ter tantos cuidados. Ele conta que seu dia-a-dia é dividido entre o cumprimento de duas tarefas: o expediente no Departamento Estadual de Água e Saneamento (Deas) e a manutenção de pelo menos um hectare da plantação de fruteiras às margens do afluente. A plantação compreende 150 pés de cupuaçu, 100 de coco e dezenas de pés de açaí, patoá, abacaba, pitanga, laranja, pupunha, araçá, goiaba, cacau, lima, além de bananais e seringueiras. Tudo foi plantado por ele, com o auxílio dos três filhos, de 13, 16 e 19 anos. “Sou feliz por morar nas proximidades do São Francisco e poder dar minha parcela de contribuição. Só fico triste porque vejo que muitas pessoas não cuidam dele e ainda poluem”, destacou o preservador. Segundo ele, ter investido oito anos de sua vida na revitalização do local foi algo recompensador. Isso porque ele usufrui do resultado das ações, obtendo recursos para o próprio subsídio. “Na minha casa tem frutas o ano todo. Até distribuo várias delas entre a minha família e vizinhos bem próximos. Sem contar que o fato de a área ser preservada e limpa nos oferece uma ótima opção de laser”, enfatizou. Mas não param por aí as benfeitorias que seu Antônio faz em prol da bacia do Igarapé. Ele preserva ainda várias espécies de macacos selvagens, que surgem diariamente no quintal de sua casa em busca de alimentação. São os Macacos da Noite, Soim, Taboquinha e Bigodeiros. Os bandos aparecem em horários distintos para comer os cachos de banana reservados por seu Antônio em uma árvore. O preservador é fielmente contra a captura dos animais e disse que tudo que estiver ao seu alcance para mantê-los livres, ele fará. “Para mim é um grande terapia cuidar de animais e uma grande satisfação vê-los livres na mata, vivendo de forma que eles merecem viver”, completou. Ações positivas Segundo os ambientalistas, o Igarapé São Francisco representa 70% da drenagem natural de Rio Branco. É também a principal bacia da capital acreana. Por esses e outros motivos é que o afluente vem sendo alvo de discussões entre órgãos e comunidades ribeirinhas, a fim de que quadro de poluição apresentado hoje revertido. Com suas ações, seu Antônio previne uma série de degradação que prejudicariam mais ainda a situação do afluente. Além de não poluir – o que contribui bastante com o projeto de revitalização do igarapé – a plantação evita o desbarrancamento. “A importância desse igarapé deve ser percebida o quanto antes. A população não pode mais degradar esse local, senão vai chegar a um ponto que não haverá mais solução. Com o igarapé limpo a gente pode voltar a utilizar a água e ainda ficaremos livres das constantes alagações”, completou o preservador. A solução do igarapé Para o prefeito Raimundo Angelim, assim como para as demais autoridades do Estado, a revitalização e preservação do igarapé só haverá resultado positivo se toda a sociedade abraçar a idéia, assim como fez seu Antônio. “O igarapé limpo não é o que mais se limpa, é o que menos se suja”, destacou ele durante o seminário “Bacia do Igarapé São Francisco”, evento que abriu na última segunda-feira as ações da Semana Estadual de Meio Ambiente. Uma novidade boa foi anunciada na oportunidade. É que a Prefeitura Municipal de Rio Branco já conta com o recurso equivalente a R$ 350 mil, liberado pelo Banco da Amazônia para a execução de ações emergenciais de revitalização do manancial. As ações incluirão os serviços de limpeza e desobstrução, devendo atingir os 100 quilômetros de extensão do igarapé - que nasce no Bujari e se estende até o bairro Cadeia Velha. O projeto inclui ainda a recuperação da mata, remoção das famílias das áreas de risco, monitoramento e a qualidade hidrográfica. |
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