COTIDIANO

Um lugar de mais de 250 talentos

Arte do artesanato acompanha uma nova fase acreana na Casa do Artesão; peças são fruto de muita criatividade

Foto: Regiclay Saady
Fundada em 2003, a casa do artesão já conta com 2,5 mil peças


Andréa Zílio

Paciência e boa observação são necessárias para se deparar aos detalhes de peças miúdas a outras de mais de um metro. Cada uma é minuciosamente pensada e construída por pessoas que acreditaram em uma fonte de renda, em que a natureza é a principal fornecedora da matéria prima. É o artesanato que cada vez mais ganha espaço em quase dois anos de Casa do Artesão.

Fundado em agosto de 2003, o espaço, que é coordenado pela Secretária Estadual de Turismo, possui 2 mil e 500 produtos de 236 artesãos. Uma vitrine de talento que transforma galhos, folhas, sementes, e muitos outros benefícios oriundos da natureza em produtos utilitários e objetos de decoração.

Dos inúmeros visitantes, a maioria turistas, se encanta mesmo com as bijuterias, todas confeccionadas com sementes, doces de frutas tropicais. Mas no rol dos destaques, um produto simples e cheio de criatividade tem chamado atenção e feito de sua criadora, a que mais vende na Casa. São cerca de 200 a 300 peças mensalmente.

Surgindo talentos

Aos 35 anos, Érica Maia produz imã para decorar geladeira, prendedor decorativo de cabelo e miniaturas que demonstram um pouco da realidade de quem vive na Amazônia. São índios, seringueiros e ribeirinhos em barcos com as colheitas da agricultura, todos feitos em sementes, fibra do coqueiro, palheira e outros.

Nascida em Brasiléia, Érica começou a trabalhar com artesanato na cidade de Macapá, mas utilizava papel vegetal. De volta ao Acre, há dois anos ela decidiu que as sementes poderão lhe oferecer mais opções. A mudança de matéria prima foi positiva, e algumas de suas peças já foram parar em Taiwan.

Em meses de pico, que geralmente são em julho, dezembro, janeiro e fevereiro, as vendas são bem maiores no espaço que virou referência em talentos do artesanato. Mas manter a boa aceitação do público exige um esforço. “Mudar para a semente deu mais visibilidade às minhas peças. A hora da criação é o melhor do artesanato, porque temos a chance de inovar.”

Conheça a Casa

Com 14 funcionários que se revezam em turnos, a Casa do Artesão funciona diariamente, das 9 às 20 horas. No espaço, peças pequenas e grandes são vendidas por preços que variam de R$ 1 a R$ 12 mil.

Um observador da ascensão ao longo da história desse espaço, o funcionário José Aérnio da Silva, 59, trabalha no local desde os seus dois meses de inauguração. Conta que no início havia trabalhos de apenas 45 artesãos, mas com o sucesso gradativo, logo outros também passaram a integrar esse grupo de talentos.

“O turismo está se desenvolvendo no Acre, não é algo que estará pronto da noite para o dia, mas que se conquista em várias ações. A Casa do Artesão não existia e hoje é referência. Nossa intenção é continuar atendendo bem a todos que querem consumir produtos feitos pelos artesãos acreanos.”

 

 
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Rio Branco-AC, 5 de junho de 2005
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