OPINIÃO
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Romerito Aquino

 


O perigo mora ao lado

Nessa época em que as eleições de 2006 começam a tomar conta da pauta da política, já se faz importante falar um pouco da oposição no Acre. Costuma-se dizer que o que restou de oposição ao governo do PT e da Frente Popular não tem nenhum projeto alternativo para o estado. Isto é deveras falso. A oposição tem sim um projeto para o Acre e este é inteiramente baseado no modelo do vizinho Estado de Rondônia, para quem a maioria de seus integrantes sempre olharam com muita cobiça e inveja.

O modelo do estado vizinho, porém, está aí para todo o Brasil ver e tapar o nariz para tanta podridão em seu meio político. Ali, o governo acusa deputados de corrupção. Deputados acusam o governo da mesma coisa. Ali, a população anda perplexa com tantos roubos de bens públicos, com tanta corrupção devorando os cofres públicos, com tantos apadrinhamentos de gente incompetente, desonesta, gananciosa, criminosa.

Se isso não bastasse, o estado acumula hoje os maiores aumentos de desmatamentos dentre todos os estados da Amazônia. Antes frondosa, majestosa e rica, como é a do Acre hoje, a floresta rondoniense vem sendo destruída e devastada cada vez mais pelos mesmos aventureiros gananciosos que, há décadas, passaram a tomar conta do poder e da política local. É gente má de todos os quadrantes do país, que continua chegando para invadir terras indígenas, para assorear rios e igarapés e para derrubar a floresta mais rica do mundo a fim de colocar em seu lugar gado e soja. Mas muita soja mesmo. Tudo em nome do lucro fácil, rápido, excludente, que só enriquece alguns poucos.

É gente que vem com armas, dinheiro e poder para tirar proveito do clima de faroeste, do clima de terra sem dono que sempre dominou a política no estado. E haja mais saques nos cofres públicos, mais nepotismo, mais favorecimentos, com obras sendo mal feitas, inacabadas, de má qualidade, enquanto a população vai se virando como pode para sobreviver do que sobra da pilhagem dos bens e recursos públicos.

Tudo isso é o que consta na cartilha dos planos de governo da oposição no Acre. Oposição, aliás, cuja grande parte de seus componentes a população acreana já conhece muito bem, pois teve seu orgulho e sua cidadania jogada na lama pelos inúmeros escândalos promovidos por eles mesmos no estado, há algumas décadas.

Foram escândalos de repercussão nacional, como são hoje os de Rondônia. Nunca é demais lembrar que a mudança no Acre veio porque a sua população, o seu eleitorado estava cansado de ter o dinheiro do poder público sendo desviado em contas fantasmas de bancos oficiais. Porque estava cansado de ver seus políticos negociando votos na Assembléia e no Congresso Nacional. Porque estava cansado de ver políticos xerifões decidindo quem vivia e quem morria no estado. No atacado, portanto, o plano da oposição acreana, é o de voltar a tentar “rondonizar” o Acre, trazendo para cá o tão sonhado “progresso” do estado vizinho.

Mas dificilmente isso ocorrerá, pois tal “progresso” rondoniense já está sendo descoberto, desnudado, desmascarado perante o seu eleitorado e a opinião pública nacional. A exemplo do que ocorreu no Acre do passado, essa mesma opinião pública nacional será capaz de manter o Acre como está, contribuindo, do outro lado, justamente para ocorrer o contrário. Ou seja, para “acreanizar” o estado do tão sofrido povo rondoniense.

*Jornalista

 

 
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Rio Branco-AC, 5 de junho de 2005
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