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Relações políticas internacionais Deputado Nilson Mourão fala para prefeitos do mundo na Argentina durante encontro promovido pelo MPPU |
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Brasília - A solidariedade e a fraternidade são capazes de fazer muitas coisas boas no mundo, entre elas a de revitalizar as relações políticas e o exercício do poder nas sociedades. Foi acreditando nisso que mais de 1,2 mil prefeitos da América Latina e da Comunidade Européia se reuniram na cidade de Rosário, na Argentina, para promover o “Encontro Latino-Americano de Prefeitos – Cidades pela Unidade”, promovido pelo Movimento Político Pela Unidade (MPPU), movimento internacional que reúne políticos de diversas tendências mobilizados em torno do compromisso de construir uma nova cultura política no mundo. O movimento se inspira no pensamento de Chiara Lubich, uma católica italiana que propõe a unidade e a comunhão entre as pessoas, grupos e nações, superando as contradições e antagonismos que, por vezes, marcam a ação política no mundo. No encontro de Rosário, realizado na quinta e seta-feira passadas, foram apresentadas experiências realizadas em diversos países que evidenciam a superação de divisões entre governo e oposição, política e cidadania e entre cidades para construir políticas de Estado em função das estratégias de desenvolvimento e da solução das questões sociais prioritárias. O deputado federal Nilson Mourão (PT-AC) foi convidado a falar aos prefeitos reunidos na Argentina sobre a sua atuação como parlamentar católico no Congresso Nacional brasileiro e o conhecimento e a vivência que possui na relação entre a política e a fé e entre a fé e a vida. Com exposição muito bem recebida por parte dos prefeitos, o deputado do PT acreano falou sobre a política como um caminho possível para a construção da unidade e solidariedade. Para Nilson Mourão, a ética na administração pública, além do zelo na aplicação dos recursos e o combate à corrupção, devem ser entendidos como instrumentos para conduzir o administrador a diminuir as diferenças sociais, governando na defesa dos direitos e promovendo cidadania. “O encontro foi um momento importante de integração da América Latina por meio de uma perspectiva positiva de contribuição à unidade e à fraternidade”, disse o parlamentar após falar no evento. Nilson Mourão começou dizendo que a Segunda Guerra Mundial deixou um saldo de 60 milhões de mortos, correspondentes às populações da Espanha, Bélgica, Áustria e Irlanda do Sul juntas. Ceifou inocentes, civis, crianças e idosos, com ninguém sendo poupado. Destruiu países inteiros, reduziu a pó suas economias, demoliu sua infra-estrutura construída com sacrifícios imensos; hospitais, casas, ruas foram devastadas impiedosamente. Armas novas foram testadas, campos de concentração foram criados. Toda essa tragédia encontrou seu ápice na bomba atômica explodida sobre o Japão, com todas as conseqüências brutais que se abateram sobre os povos até os dias de hoje. “Em meio a essa funesta realidade, uma jovem italiana se levanta e propõe novos sonhos. Chiara Lubich se recusa a aceitar que o destino humano seja tão mesquinho e tão infeliz. Tal como Francisco de Assis e Gandhi, mesmo na sua inteira fragilidade, aparentemente derrotada e abatida, indignada também, se ergue como uma fortaleza, ao propor um desígnio mais humanista, generoso e libertador para a humanidade: o caminho da unidade e da solidariedade”, disse Nilson Mourão. Para o deputado, se a guerra divide e segrega, a unidade junta e rompe ódios e fronteiras. Se a guerra mata e destrói, a busca da unidade entre os seres humanos, planta vida e paz. Somente as pessoas marcadas para um grande protagonismo na História são capazes de sair de uma tragédia sem rancores, sem mágoas, sem ódios, sem ressentimentos. Ao contrário, parecem tocar o sentido último da vida, buscar forças naquilo que não se vê, e propor a construção de um caminho que expressa o oposto do que se defrontam. “Essas pessoas são poucas e Chiara Lubich é uma delas. Sua mensagem nos recorda, nos interpela e nos provoca a viver em unidade, mesmo respeitando a diversidade de nossas experiências, nossas diferenças culturais e históricas”, destacou Mourão. Cooperação entre as pessoas Segundo Nilson Mourão, o pensamento de Chiara Lubich indica que poderemos ser homens e mulheres mais felizes em qualquer lugar do mundo, se trabalharmos para unir, para construir pontes que multipliquem a cooperação e a parceria entre as pessoas e os povos. “Sua proposta é forte e atual, ontem, no pós-guerra, na década de 50 e 60, e hoje no mundo globalizado”, completou. Ao propor, recentemente, que a política pode ser um caminho para refazermos as relações entre os homens, as mulheres e os povos, a católica italiana Chiara, segundo Nilson Mourão, recupera o que há de mais nobre, mais rico e humanista, nesta estrutura social, tão marcada pela contradição e ambigüidade. Para o deputado, a política pode ser ponte que une, como pode ser um muro que divide. “A política é uma realidade definidora de nossas vidas e dela, na sociedade atual, não podemos escapar. Ao invés de fugirmos e evitá-la ou mesmo negá-la nos parece que devemos enfrentá-la e humanizá-la. Podemos sim, através da política, construir um mundo mais solidário, mais justo e mais fraterno. Mas para enfrentá-lo, precisamos compreendê-lo para melhor organizar a nossa ação e dar mais eficiência à nossa intervenção”, defendeu Mourão. O deputado lembrou que com o fim da guerra fria no final dos anos 80 e a superação das barreiras impostas pelos vencedores da 2º Guerra Mundial, como a unificação da Alemanha, o fim da União Soviética e a abertura dos países do leste europeu, o sistema capitalista encontrou, na globalização, instrumentos para continuar avançando em suas conquistas. A economia e a política, num mundo sem fronteiras comerciais, vêm fortalecendo o poder dos fortes e aperfeiçoando os mecanismos de exploração. Segundo Mourão, a união de países em blocos econômicos como a Comunidade Econômica Européia, estendida hoje para 25 países, o Nafta, reunindo Estados Unidos, Canadá e México, o Mercosul, a Comunidade Andina, as discussões já iniciadas para a formação da Comunidade dos Países Sul-Americanos e as tratativas para a formação da Alca, são decisões que mostram a atual tendência da economia mundial e mudam o mapa político e econômico do planeta. Reações como as do povo francês ao rejeitar a Carta Magna da Comunidade Européia pelo temor do desemprego, da piora do sistema público de saúde e educação, da exploração de mão de obra de baixo custo, são pontuais e não chegam a ameaçar os rumos traçados pelo mercado. Nilson Mourão destacou, também, serem notáveis os grandes avanços tecnológicos e científicos alcançados pela humanidade nos últimos anos, não se podendo negar que a globalização está fazendo chegar a um maior número de pessoas essas conquistas. É possível afirmar ainda, de acordo com o deputado, que as conquistas realizadas criaram condições reais para ampliar a unidade e a cooperação entre as pessoas e os povos. “Ao mesmo tempo, entendo que todas as condições estão dadas para superar o subdesenvolvimento, a miséria e a exclusão social”, destacou. A falta de moradia digna, saneamento básico, a miséria, a violência, o abandono que condena pessoas nas periferias das principais cidades no mundo inteiro, é a frustração de um projeto humanista, que condena o homem do nosso tempo e o obriga a repensar sua participação na obra de Deus, chamada planeta Terra. O deputado destacou, ainda, que o Movimento Político Pela Unidade reúne pessoas de muitos países, com idioma, cultura e condição social muito diferentes. “Somos homens e mulheres que atuam em muitos partidos políticos, com diferentes ideologias, objetivos e visões da sociedade. Mas apesar de tão grande diversidade, são extraordinariamente maiores os motivos que nos unem, do que aqueles que nos separam”, disse Mourão. Nilson Mourão fez a defesa de valores básicos como a dignidade do homem e da mulher, a defesa da paz e o zelo pela democracia e pelo meio ambiente. “Devemos manifestar nossa indignação e clara discordância contra projetos de desenvolvimento que matam rios e florestas, eliminam os animais, alteram climas, poluem o ar e o mar, reduzindo as possibilidades de vida no planeta terra. A exploração dos recursos naturais, com o cuidado em manter o meio ambiente preservado como um legado que repassaremos às gerações futuras, é dever da nossa geração e compromisso que precisa ser assumidos por todos”, disse. |
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| Com Moisés Alencastro |
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